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Crítica | Day of the Dead: Bloodline



Não é a primeira vez que o clássico Dia dos Mortos, lançado em 1985, dirigido pelo pai dos zumbis, George A. Romero, e considerado até hoje como um dos melhores filmes do gênero, recebe um remake. Lá em 2008, foi lançada, direto em vídeo, uma refilmagem questionável, que pouco aproveitava o material de origem, e que ficou infamemente conhecida por apresentar zumbis praticamente com super poderes. Pessoalmente, não sou contra zumbis que correm, mas o que os mortos-vivos fazem naquele filme é outro nível. Dez anos depois, aqui estamos com uma nova tentativa de refazer um clássico, denominado pelo próprio marketing como "uma ousada nova visão".

Na trama, anos depois do surto zumbi se espalhar por todo o mundo, um grupo de pessoas sobrevivem juntas em um bunker, com o apoio de uma equipe militar e cientistas. Depois que uma criança fica doente, um pequeno grupo sai à procura de remédios, mas durante o caminho encontra problemas. Logo, eles se deparam com um zumbi diferente, porém, igualmente mortal, que pode ser a chave para uma possível cura, e, talvez, a salvação de toda a raça humana.

Apesar de tomar muita liberdade criativa, o roteiro se apoia mais no filme original do que o remake de 2008. A pergunta que pairava no ar, no entanto, não era se essa nova tentativa chegaria aos pés do original, mas sim se conseguiria pelo menos ser melhor do que a última. É difícil responder qual tem mais êxito porque ambos são péssimos, mas esse Day of the Dead: Bloodline consegue se destacar em alguns pontos, como, por exemplo, o gore. Há bastante violência acontecendo na tela, e essas cenas estão respeitosamente bem feitas. A maquiagem dos zumbis também está boa, especialmente do zumbi principal, a nova versão do Bud, apesar deles acrescentarem uns efeitos digitais estranhos na boca dele. Infelizmente, para este remake, os pontos positivos terminam por aqui.

A pior decisão do roteiro é fazer do zumbi principal, a grande promessa da salvação da humanidade, um estuprador, obcecado pela protagonista. É de extremo mau gosto, principalmente porque, mesmo depois de morto, o zumbi fica o tempo inteiro atrás da garota tentando estuprá-la além do túmulo (!!). Não é engraçado, não é divertido e isso prejudica muito o nosso envolvimento com a história. Não há para quem torcer neste filme! Os personagens vivos são extremamente descartáveis, e os roteiristas tiraram até mesmo o nosso prazer ao vê-los morrer porque são despachados pelo zumbi-estuprador-salvador. É uma daquelas péssimas decisões que nos fazem questionar o que eles estavam pensando.

É notável que ambos os remakes tiveram muita dificuldade para adaptar o zumbi Bud, e isso transparece na tela. As duas refilmagens quiseram ampliar sua importância na trama, até porque o Bud é um dos grandes destaques do original, mas tem pouquíssimo tempo em tela, e falharam miseravelmente. O remake de 2008 escolheu fazer praticamente uma paródia, com um zumbi vegetariano apaixonado, e, o de 2018, um estuprador psicopata cujo único sentimento que irá despertar nos espectadores será nojo (não no bom sentido). E o pior de tudo é que, mesmo depois de todas as críticas ácidas contra os zumbis ridículos e super poderosos da versão de 2008, eles acabam fazendo a mesma coisa nesta de 2018. O zumbi principal é mais rápido, forte e inteligente que todos os humanos; se não fosse um estuprador, deveria estar fazendo parte da equipe de Os Vingadores.

Não tem como defender esse novo remake; é tão ruim quanto a primeira refilmagem. Pelo menos a versão de 2008 sabe que é tosca e não se leva a sério. Esse é apenas desagradável e nenhum pouco divertido. Não posso esquecer de dar um destaque negativo pela direção, que ajuda e muito a tornar o filme ainda mais amador do que parece. É um choque saber que o orçamento deste filme foi de 8 milhões de dólares, e mesmo assim eles não conseguiram fazer algo sequer aproveitável. Para vocês terem uma ideia, em termos de comparação, filmes elogiados como Quando as Luzes se Apagam e Corra! custaram 4,9 e 5 milhões, respectivamente. Essa comparação é mais assustadora do que este filme jamais será. Enfim, torçam pela noite porque esse é um péssimo dia, e em breve esquecido.

Comentário(s)
1 Comentário(s)

Um comentário:

  1. Esse filme é um lixo! NÃO ASSISTAM JAMAIS! Eu so queria um personagem morto A ZOE

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