quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Crítica | Dynasty - 1x06: I Exist Only for Me



"Egoísmo, egocentrismo e tudo o que há de bom."

Dynasty ainda tem muitos defeitos em sua narrativa, mas se mostra muito superior às duas semanas anteriores. Não posso chegar aqui e dizer que tudo foi corrigido e que tudo está funcionando, bem longe disso. Mas apesar de muitos equívocos e um roteiro bastante patriarcado e preconceituoso e a história andar a passos de tartaruga, ainda temos algo envolvente que inevitavelmente nos faz voltar para mais uma rodada de conspiração, mentiras e assassinatos não resolvidos da família Carrington.

Semana passada eu falei que Fallon era um completo erro da narrativa. Ainda não mudei completamente esta opinião, mas finalmente fomos capazes de ver um pouco mais de sua personalidade, penetrando um pouquinho - eu disse só um pouquinho - em sua superficialidade. Fallon não é uma persona bem construída pelo roteiro porque simplesmente temos que engolir que o único objetivo de sua vida é sair por cima de seu pai e sua madrasta e isso não cola mais. Felizmente neste I Exist Only for Me, Fallon mostrou outras facetas de si mesma.



Conseguimos ver um lado inseguro da personagem que em cinco episódios ela não foi capaz de mostrar. Apesar da (longa) demora, entender que a protagonista tem medo de não ser amada por ninguém foi algo sadio para a própria personagem e para o telespectador. O problema de Fallon é que ela tem medo de não ser amada realmente, mas faz de tudo para que os outros não construam esse sentimento e conexão com a mesma. Por medo de se machucar? Por medo de ser deixada sozinha? Por medo de amar de mais e não ser correspondida? Talvez por todas essas razões, mas claro que a mãe a ter "abandonada" é a principal justificativa para suas atitudes e ações. Apesar disso ela tem muito que crescer, tanto profissionalmente (parar de querer ser melhor que Cristal apenas por manha) e pessoalmente, onde ela tem que ser capaz de deixar mais claro o que realmente sente.

Do outro lado temos Sammy Jo e Claudia, sinônimo de babado e confusão. Sammy Jo ainda é um problema por vender uma imagem do gay extremamente conectado e preocupado com futilidades. Ou seja, seu objetivo essa semana foi satisfazer sua mais nova amiga do modo mais babadeiro que conseguiria: banho de loja, banho de diamantes, banho de champanhe. Toda essa futilidade acaba por soar bastante irreal, tanto pela montagem de cenas (apesar de divertidas) quanto pelo fato de não fazer nenhum sentido Cristal ter liberado seu cartão sem limites sendo que ela tem uma equipe de empregados que poderiam cuidar de sua convidada. Apesar disso, neste núcleo tivemos mais uma pequena peça do quebra-cabeça sobre o mistério central que de central não tem nada. Claudia não está recebendo as drogas certas e isso parece bastante suspeito, ainda bem que descobriram, claro de uma forma bastante clichê sem nenhum clímax e que só evidencia algumas preguiças do roteiro.



Por fim temos Steven, que indiscutivelmente é o protagonista mais bem construído do show. Ele é o único que parece preocupado com algo além de seu próprio umbigo e isto é uma coisa ótima para um programa com tantos personagens que apenas olham para si mesmos. Steven continua em busca da ajuda ao próximo e a cada passo de solidariedade que ele dá, ele descobre alguma artimanha de seu pai. Lavagem de dinheiro (pelo que parece) é algo que o herdeiro Carrington terá que lidar daqui para frente. Apesar da ótima construção de Steven, soa meio forçado ele ser tão humanitário e bondoso no meio do covil de cobras em que vive e da criação que recebeu. Mas era óbvio que precisávamos de alguém assim, e ainda bem que S preenche bem estes requisitos.

Dynasty precisa se encontrar na sua própria narrativa e deixar de desperdiçar tempo em tela com um texto machista, misógino, homofóbico e um tanto quanto racista. A série tem seu charme, não posso negar, mas ela jamais segurará seu público com essa trama tão rasa que veio sendo construída até então. Os números de audiência apenas comprovam isso e ela só se salvará para mais um ano (se se salvar, vamos ser reais) por causa do acordo de distribuição da The CW com a Netflix. Não posso fechar meus olhos e dizer que tudo é perda de tempo, mas o show precisa desesperadamente de um sopro de frescor.
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