domingo, 12 de novembro de 2017

Crítica | Dynasty - 1x04/05: Private as a Circus / Company Slut



Competição feminina e esterótipos que reforçam uma sociedade patriarcal e preconceituosa. 

Dynasty acaba de receber ordem de temporada completa pelo canal americano The CW, ou seja, teremos em seu ano de estréia 22 episódios até seu encerramento, mas isso é uma coisa boa ou realmente necessária? Já respondo de antemão: NÃO. Dynasty até o momento não consegue mostrar uma trama muito convincente, quem dirá que se sustente por esse número (nada razoável) de episódios para contar suas histórias e resoluções. Estamos recém na quinta semana da série e não temos vislumbre algum de por onde ela se seguirá. Além disso temos erros e inconsistências gritantes no roteiro, onde o mistério que deveria ser o núcleo do drama já está basicamente esquecido. Se isso não fosse o suficiente, temos uma linha narrativa que simplesmente não funciona por tentar se manter em cima de clichês que em 2017 não convencem mais.

Os maiores problemas de Dynasty são exatamente estes dois: 1) competição feminina junto com estereótipos gritantes e 2) a total bagunça que é a narrativa da série. Vamos começar falando da competição feminina. Ela não funciona e ponto. Fallon e Cristal são as duas protagonistas mulheres da série e tudo o que elas sabem fazer é se atacar constantemente sem nenhum motivo aparente. Fallon não quer ser uma mulher poderosa dos negócios como sugere o quinto episódio. Ela quer ser apenas poderosa, ou pelo menos mais que sua "rival". Ou seja, a personagem não faz nada para SE superar profissionalmente e mostrar toda a determinação e força de vontade que todos os personagens dizem que ela tem diante de um mundo de negócios comandando basicamente por homens. Sua maior preocupação é não sair na capa de uma revista junto com outras nove mulheres empoderadas, principalmente se sua madrasta fizer parte deste seleto grupo.



Fallon é um total erro de percurso dentro da série. Não sei sobre a Dynasty original, mas imagino que isso era uma coisa deste material de origem, essa constância de mulheres se estapeando. Mas isso é de décadas atrás e os produtores são muito sem noção de achar que os telespectadores vão continuar comprando essa ideia: duas mulheres se jogando champanhe em todo santo episódio sem nenhuma razão plausível. Cristal, apesar de ter motivações mais claras que sua enteada, também não sai muito atrás. Ela não está muito preocupada em superar Fallon, isto é verdade, mas para ela não há problema nenhum pisar em cima de outras mulheres para chegar onde ela acha que precisa chegar.

Ainda no núcleo de personagens femininos temos Claudia, a viúva que vive para atormentar Cristal. Mais um erro gritante para uma série que quer ser atual. Cristal não traiu Claudia, quem fez isso foi Matthew seu marido embuste já falecido. Temos que entender que sim, Claudia só tem uma pessoa para culpar agora e jogar toda sua amargura. Mas pelo amor de deus, Cristal não foi a única na relação de adultério, por mais que soubesse que seu amante era comprometido (isso depois de eles já terem se relacionado). O show tenta vender essa ideia de Company Slut (algo como "p*ta da empresa", nome do quinto episódio), mas ninguém com um pouco de cérebro acredita nessas histórias onde a mulher é a culpada de tudo, a que seduziu, onde o homem foi quase coagido ou obrigado a trair. Pelo amor de deus, escrevendo esse texto eu só consigo pensar em como a parte criativa só pode ser composta por uma dúzia de homens brancos heterossexuais de meia idade em relacionamentos falhos, que culpam as mulheres por todos seus problemas, ou que acham errado e pecaminoso uma mulher praticar ou falar abertamente sobre sexo.

Do outro lado temos o estereótipo homossexual que o programa vende: todos brancos, musculosos, "másculos" e que vivem como predadores sexuais. Sammy Jo vende a típica imagem de gay que vive para seu prazer e que não tem objetivos de vida que vão muito além disso. Neste último episódio o personagem foi em busca de um emprego e de brinde ganhou uma noitada com seu empregador, outro que vive para o sexo e promiscuidade. Você que está lendo esta crítica tem que me entender e ver todos os erros que essa ficção vem passando para seu público. A cena de Sammy Jo recebendo uma massagem é o cúmulo do patético, sem falar na resolução da conversa dele com Steven ao término do último capítulo. Tudo perdoado porque O.K. você transar com todo mundo só porque alguém te ofereceu sexo. Gente isso não é real, a vida real não é assim. Para completar, nenhum dos personagens homens heterossexuais conseguem soar minimamente interessantes.



Outro problema: a situação dos empregados dentro dos sub textos. Nenhum deles até agora (Anders e Michael) receberam algum destaque que não envolvesse a plena subordinação e o rebaixamento (tanto profissional quanto pessoal) dos mesmos pelos seus empregadores. A relação do motorista com a caçula Carrington é completamente disfuncional, principalmente por que Fallon usa a tudo e a todos como se fossem peças de um jogo. Ela não tem sentimentos e não se preocupa com quem tem. Anders ainda não teve a oportunidade de ter sequer uma fala que não envolva sua relação de dependência e dívida com a família para quem presta seus serviços. Era óbvio que ele teria um conto lindo de superação onde o salvador patriarca Carrington teria dado a oportunidade de sua vida. Meu deus do céu, vocês percebem o quanto isso é problemático, ou pior, o quanto todos os personagens acham que isso tudo é certo, é O.K.?

Como eu falei na crítica do piloto: nenhuma série se sustentará em 2017 com competição feminina sem sentido e estes dois últimos episódios só comprovaram isso, o quanto a série não se sustenta por si própria. Os roteiristas nem se lembram mais que tem dois assassinatos (e agora um atropelamento por acidente - será mesmo?) para resolver. Eles realmente acreditam que estamos aqui para ver estapeamento e sextapes sendo vazadas(!!!) por membros de uma mesma família. E falando em sextape não vou nem me pronunciar o quanto é misógino e machista Fallon o ter liberado para a imprensa (não por culpa da personagem, e sim dos roteiristas) e todos estarem demonizando Cristal por apenas abraçar sua sexualidade e ter o direito de exercê-la. Me respeitem está bem produtores? No final das contas, Dynasty está aqui para nos lembrar desses novelões dos anos 80/90, mas jamais mostra coragem de reinventar uma trama que todos já viram e reviram e estão cansados de ver.
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