terça-feira, 31 de outubro de 2017

Crítica | Grey's Anatomy - 14x05: Danger Zone



Quebrar ciclos não é uma tarefa fácil, mas extremamente necessário. Se bem feito.

Sabe o que essa décima quarta temporada de Grey's Anatomy está me mostrando? Que a mesa criativa do ano passado não é a mesma desse. Isso é um problema? Na verdade é uma solução, mas a série simplesmente esqueceu de praticamente todas suas tramas apresentadas até então e parece estar desesperada para consertar os infinitos erros. Claro, isso é até uma coisa boa, mas quando tudo soa apressado, evidencia um desespero da produção por apresentar material relevante, mas não respeitando o que tinha construído até então.

Esse episódio com foco em Hunt, sua irmã e a relação dos dois com Riggs no exército foi ótimo, mas algumas decisões simplesmente parecem não fazer o menor sentido. Termos um capítulo focado em flashbacks dos acontecimentos que levaram Megan a ser sequestrada e a briga infantil entre Owen e Nathan funciona porque realmente o público quer saber o que levou a chegarmos na situação em que estamos. Também é muito válido vez ou outra o show nos apresentar um cenário e fotografia diferente do habitual, buscando sair do lugar comum e trazer um frescor para o seu público.



O.K tudo isso é muito válido, as cenas do passado foram ótimas, algumas coisas do presente também agradaram (principalmente toda a montagem da viagem de Hunt e sua irmã), mas Grey's entregou na verdade em sua essência mais do mesmo, sem realmente inovar. Tudo o que vimos naquela zona de guerra soou extremamente forçado por nunca jamais sentirmos qualquer tipo de tensão e sejamos francos, aqui isso caberia em todas e em qualquer medida. Se alguém teve a oportunidade de assistir a irmã mais velha de Grey's, ER, sabe que tivemos episódios magníficos que se passaram na África em meio a conflitos internos do continente. Meu deus, aquilo lá sim foi algo que enchia os olhos, esquecíamos quase que se tratava de uma série médica e isso foi talvez o ponto mais relevante e positivo. Já a Anatomia da Grey não deixa fluir todo seu potencial e este episódio poderia facilmente ser mais um passado dentro do hospital, apenas com alguns ajustes.

E quando eu falei do desespero em arrumar as narrativas do fatídico décimo terceiro ano, me referi que mais uma vez tivemos que ver uma trama que vinha construindo-se (mal e porcamente) sendo simplesmente dissolvida sem mais nem menos, sem qualquer e importantes explicações convincentes. Estou me referindo aqui ao fato de Nathan ter saído de Seattle para morar com Megan. Gente essa é a decisão mais sem pé nem cabeça que a série nos mostrou em muito tempo. Não tem coerência nenhuma. Até poderíamos comprar essa ideia se anteriormente houvessem motivos para a reaproximação de Megan e Riggs e o afastamento de Mer e o médico, mas isso nos foi privado, então de uma semana para a outra temos que acreditar que ele meramente partiu e ficou tudo bem, tudo resolvido, todo mundo feliz com essa resolução.



Outro ponto que também é completamente desrespeitoso com o telespectador foi a separação de Amelia e Owen. Gente pelo amor de deus, faz dois episódios que a mulher se livrou de um tumor e ela e o marido já decidiram que ele se casou com a doença e não com a pessoa em si. O.K, outro coisa que poderia até funcionar, mas com o devido desenvolvimento. Mas a gente não recebeu isso e temos que ver nos últimos dois minutos de um episódio focado quase todo em Megan, a cisão de um casal que tivemos que engolir desde a décima primeira temporada e aqui um olhar "sincero" e duas ou três palavras foram suficientes para que os dois percebessem que não funcionam juntos. Meu deus do céu, eu gosto de respeito sabe?! E eu com certeza não estou recebendo isso.

A série consegue mostrar uma narrativa ainda convincente, mas erra e muito por tentar consertar todos os erros e buracos no roteiro em apenas um santíssimo episódio que nem deveria ter essa função. Nos despedimos de Riggs sem mais nem menos, vemos um casal se separar em uma cena de dois minutos sem nenhum teor dramático e que não causa nenhum tipo de reação emocional, nem ao menos empatia por nenhum dos dois. Vimos o adeus e ficamos no "atá". A única coisa que Grey's conseguirá fazer tentando se ajeitar em tão pouco tempo, é afundar ainda mais suas tramas em situações incoerentes com a realidade e evidenciar ainda mais que muito do que fomos obrigados a assistir anteriormente não serviu verdadeiramente para nada.
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