segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Crítica | Dynasty - 1x02: Spit it Out



Você quer dramalhão? Toma dramalhão!

Não adianta minha gente, a CW é mãe e dona dos guilty pleasure de metade dos seriadores. Todo mundo tem uma vergoinha na hora de citar as séries que assiste como Arrow, The Flash, The Vampire Diaries, 9O21O (saudades), Gossip Girl, etc. Todas estas nós amamos, não vamos negar, mas por alguma razão, vemos elas com um olhar quase pecaminoso. Estes shows podem até ser os nossos favoritos, mas admitir isso nunca é tarefa fácil, por muitas vezes estes progamas receberem olhares tortos por parte da crítica e do próprio público. Dynasty vem nessa onda e já assume o papel daquele prazer culposos viciante: estamos a cada semana sedentos por um novo episódio, mas nunca admitiremos isso.

Dynasty não tem vergonha disso, não tem nem a cara-de-pau de tentar se vender como algo maior do que é, ou algo conceitual, ou algo que vá reinventar seu segmento na TV norte americana. Dynasty está aqui para esfregar na cara das pessoas seus prazeres culposos, está aqui para nos viciar numa trama com reviravoltas mirabolantes a cada cinco minutos, está aqui para dizer que independente de dramas familiares premiados como This Is Us, nós sempre teremos espaço em nossos corações para aquelas produções banhadas a clichês, personagens caricatos e vamos amar tudo isso no final das contas. Não vamos mentir, Dynasty pode até ser considerada a nova Gossip Girl, mas vai muito além disso por não ter a menor vergonha em vender para seu público esta ideia e de cumprir seu papel final como um novo drama teen barato.



E isso meu povo não é nenhum defeito. A série apenas cumpre o que promete e não tenta enganar seu telespectador com uma história que não conseguirá contar, por isso o show já recebe pontos, por ser exatamente aquilo que é. Estamos na CW e como é de praxe para a emissora, teríamos algum mistério na temporada inaugural. Todos os dramas, aqueles que não incluem o universo da DC no canal, giram em torno de algum suspense que embalará todo o primeiro ano e ditará regra para a continuidade e longevidade das produções. Basta citarmos alguns exemplos: Melrose Place, Gossip Girl, The Vampire Diaries, Jane the Virgin e mais recentemente o sucesso Riverdale. Todas estas, por mais que possuam estruturas e enredos completamente distintos, apresentam uma narrativa muito semelhante, com um mistério ligando praticamente todas elas.

E o que melhor do que um assassinato para abalar as estruturas de qualquer família (e empresa)? Sinceramente achei pelo piloto que a história tomaria outros rumos, mas agradeço por se manter em um lugar seguro. Entendam que eu amo reinvenção na TV, mas assistir uma trama aconchegante por novas perspectivas também é ótimo. Sabemos até então que grande parte da história dos Carringtons girará ao redor de quem é o culpado pela morte do amante de Cristal e por mais que esse arco soe bastante batido, temos que admitir que Dynasty até então consegue convencer justamente pela teia de mentiras, armações e conspirações que estão ao redor daquela família, onde todos são suspeitos e ninguém na verdade se apresenta como mocinho.



Mas não podemos fechar os olhos para muitas falhas do roteiro. Não necessariamente de continuidade, mas sim da divisão de tempo em tela que cada personagem está recebendo. A grande verdade é que as motivações e objetivos de todos os protagonistas soam bastante superficiais e mal explicadas. As brigas e diálogos afiados estão ótimos, mas soam deslocados por não conseguirmos criar tanta empatia pelas justificativas de cada um ali dentro. Fallon não é uma vilã, apesar de até então se portar como uma. Muito menos Cristal, que vem desenvolvendo uma personalidade um tanto quanto contida e sensível. Ora a antiga sereia chora por seu amado, ora defende com unhas e dentes possivelmente algum dos culpados. É cedo para apontarmos o dedo para algum deles, é cedo também para montarmos qualquer teoria e nisso a série precisa agilizar, se não se tornará cansativo não termos maiores respostas nos episódios seguintes.

Algumas coisas precisam ser corrigidas, principalmente no que tange justificativas e motivações de praticamente todos os personagens, principalmente Cristal, que não entendemos nada sobre sua persona. Nesse quadro de novelão, era óbvio que teríamos um ótimo gancho para o que vem a seguir, mas de jeito maneira a série segurará seu público se insistir neste tipo de artifício de roteiro sem dar explicações mais convincentes sobre estes acontecimentos. A série não tenta ser maior do que si, mas também se mantém numa linha tênue entre lugar comum e mesmice, o que precisa ser bastante trabalhado e com cuidado. Temos potencial para o dramalhão adolescente do ano, mas os roteiros precisam vir mais afiados não apenas em diálogos, mas também numa narrativa coesa e significante.
Compartilhe
  • Share to Facebook
  • Share to Twitter
  • Share to Google+
  • Share to Stumble Upon
  • Share to Evernote
  • Share to Blogger
  • Share to Email
  • Share to Yahoo Messenger
  • More...
Comentários
0 Comentários

0 comentários:

Postar um comentário