segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Crítica | Dynasty - 1x01: Pilot I Hardly Recognized You



"Bem vindo ao 1% do 1%."

Chega mais uma Fall Season para o The CW, menor canal de TV aberta dos Estados Unidos. A CW costuma atrasar suas séries para não ter grandes concorrentes em outubro (já que as estreias geralmente ocorrem em setembro nas outras emissoras) e isto é uma ideia inteligente, já que a audiência nunca é uma maravilha para as suas produções. Este ano a CW veio com apostas mais contidas, mas também mais concretas. Com o anuncio de apenas um punhado de estreias, a emissora parece estar disposta a arriscar e investir em produções que saiam de seu principal nicho (as séries de heróis do Arrowverse da DC) e parece estar colocando fé nestes poucos pilotos.

Digo isso porque Dynasty já veio em sua estreia tirando Arrow de seu horário habitual, uma das maiores séries do canal. Isto pode não parecer nada aos não atentos, mas a CW tem um bloco sólido semanal de séries de heróis, e esta troca de horário mostra que as apostas serão altas. Não só por isso; assistindo ao piloto vemos todo o cuidado da produção com a estética, figurinos, locações, até efeitos visuais e etc. Claro, temos a proposta vendida do "bem vindo ao 1% do 1% da população rica" e para isto realmente nos saltar aos olhos, um bom orçamento deveria ser dado.



Não conheço o material de origem da nova versão de Dynasty e tudo o que escreverei única e exclusivamente gira em torno do que esta nova versão nos passa. Provavelmente perderei referências, não entenderei algumas coisas e ficarei devendo em alguns apontamentos, mas não creio que esta nova Dinastia beberá por muito tempo da fonte de seu material de origem, nem que vá incansavelmente ficar citando ou trazendo atores já reconhecidos do antigo programa. Isto é válido e apesar de ser legal termos possivelmente alguns retornos e pitadas aqui e acolá, não seria justo com a audiência e público atual não existirem maiores explicações quando tudo isso acontecer.

Sobre o piloto, inicialmente somos apresentados quase que superficialmente ao elenco principal. É normal que um primeiro episódio não seja suficiente para aprofundar a personalidade de cada personagem e aqui não foi diferente, entretanto, existem algumas falhas. Fallon até então assume o posto de protagonistas e vende, a principio, a imagem de menina um tanto quanto mimada tentando sair das assas de seu pai e fazer seu próprio nome. Não porque ela tenha algum tipo de motivação de querer se autoafirmar, na verdade sua principal motivação gira em torno da relação conturbada com o senhor Blake e como ele usa e abusa das pessoas, incluindo sua prole. Ou seja, Fallon apesar de correr atrás do que quer, estaria contente em receber a empresa de seu pai de bom grado, sem grandes esforços, mas como isso não aconteceu, ela fará o possível para o conseguir de algum modo. 

Do outro lado temos Steven, personagem assumidamente gay que foi utilizado como um objeto pelo Sr. Carrington em um negócio. Apesar de receber bem menos holofotes que sua irmã, o personagem consegue convencer na maior parte do tempo, apesar de achar bastante medíocre e preguiçoso por parte do roteiro como o mesmo consegue ser enganado tão facilmente mais de uma vez por diferentes personagens. O.K ele dar um voto de confiança para seu pai e receber uma facada pelas costas, mas dormir com um desconhecido, ser roubado e não notar já é um pouco de mais. Espero que sua personalidade não seja moldada em cima da ingenuidade, fraqueza, estupidez e fé cega. 



Por fim temos o grande problema deste início: Cristal. Não me entendam mal, a protagonista é ótima e Nathalie Kelley convence porque aqui não enxergamos rastros nem vestígios da sereia Sybil (The Vampire Diaries) e agradeço por isso, pois mostra que a atriz não se prenderá a um único papel e conseguirá desenvolver bem o material dramatúrgico que tem em mãos. O grande porém é que pelos trailers e promos, Cristal era vendida como a "vilã" da parada, a bitch que todos amaríamos odiar, a Nazaré da CW e não recebemos nada disso. Cristal tem um passado ainda bastante obscuro e não entendemos nada de suas motivações, mas já sabemos desde já que ela não é um vilã, pelo menos não de um jeito convencional que estamos acostumados. Ela pode estar no meio disso tudo por dinheiro, isto é verdade, mas parece que sua presença na família vai muito além disso, e não me aparenta que ela esteja ali para ferrar com alguém específico, apesar de sua postura evidenciar que ela possa fazer isso se assim o for necessário. Suas cenas com Fallon forma ótimas, mas o modo bitch não estava lá, muito menos o sarcasmo. Queremos ver tensão e brigas de família? Sim. Queremos ver estapeamentos e competição feminina sem sentido? Não, porque isso é muito machista e misógino e não tem motivo de existir se uma trama for bem construída. 

Apesar de falhas, temos um piloto que convence naquilo que se propõe. Uma certa história começa a ser contada, apesar de ainda não mostrar um grande potencial. Temos personagens interessantes, mas que ainda mostram apenas uma de suas facetas e sabemos que ninguém no mundo real é assim. Precisamos que o roteiro trabalhe melhor todos os lados das personalidades de todos os protagonistas (vamos combinar que o elenco nem é tão extenso) e precisamos saber melhor da justificativa de metade daquelas pessoas. Pode ser que tenhamos um ótimo material para acompanhar semanalmente, mas pode ser também que tenhamos apenas mais uma série que tenta nos convencer que tem uma boa trama apenas colocando duas mulheres para brigar em todo santo episódio e sabemos que nenhum show, hoje, se sustentará desse modo.  
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