quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Crítica | American Horror Story: Cult - 7x01: Election Night (Season Premiere)



Política real. Realidade do medo.

Mais uma vez estamos de volta para vislumbrar o "horror americano" que nos foi reservado este ano. A sexta temporada, considerada experimental, apresentou uma trama mais contida e fortemente enraizada no gênero, explorando principalmente o found footage. Não foi um ano perfeito, mas tivemos alguns bons momentos e foi interessante ver a série deixar de lado o humor sarcástico e voltar a apresentar um roteiro mais próximo do "horror" proposto. O tema desta sétima temporada, subtitulada Cult, não foi mantido em segredo como na anterior, mas não deixou os seus espectadores menos confusos.

Tudo o que sabíamos era que esta nova temporada exploraria elementos da controversa eleição presidencial que ocorreu nos EUA ano passado, declarando Donald Trump o novo presidente do país – o que, para muitos, foi visto como um retrocesso e verdadeiro "horror" na sociedade contemporânea. Com uma trama engajada em questões políticas e sociais – além de se abster de subtramas sobrenaturais (por enquanto!) –, esta é a temporada mais "pé no chão" da série até o momento. Há um horror real quando somos confrontados com temas tão próximos da nossa própria realidade, que acaba assustando muito mais do que monstros na floresta.

Colocar seres humanos como os verdadeiros antagonistas da temporada foi uma ideia muito inteligente, além de assustadora. Neste aspecto, destaca-se Evan Peters, que está deliciosamente psicótico neste novo ano. É interessante ressaltar que os seus melhores papéis na série foi quando o ator teve a oportunidade de ser um psicopata. Tirando seu personagem em Asylum, seus outros "mocinhos" acabaram se tornando um tédio total. Outra personagem que também se destacou bastante nesta Season Premiere foi Winter, interpretada pela ótima Billie Lourd, recém-saída de Scream Queens. Suas cenas estão entre algumas das mais desconfortáveis não só do episódio, como de toda a série em geral. Há uma sensação perturbadora ao ver sua personagem corrompendo e destruindo a inocência de uma criança de forma tão crua diante dos nossos olhos. Esse tipo de horror é ampliado pelo fato de não haver um elemento sobrenatural, espelhando a crueldade diária a qual somos expostos todos os dias.

Do lado oposto do enredo, temos a sempre presente Sarah Paulson, mais uma vez em papel de destaque, interpretando a traumatizada Ally. Suas fobias e ansiedades ficam fora de controle depois do resultado das eleições, ao mesmo tempo em que começa a sofrer ataques de palhaços, um dos seus principais medos. Particularmente, estou ansioso para conferir o arco narrativo da personagem nesta temporada, mas com medo que os seus ataques de pânico se tornem recorrentes e, logo, cansativos. Espero que haja uma evolução natural, enquanto descobrimos um pouco mais sobre esse culto de palhaços que anda aterrorizando sua vida.

Por falar nos palhaços, não há nada de especial em torno do grupo – a não ser que, assim como a protagonista, esta seja uma fobia sua. Não me surpreenderia também se fosse tudo imaginação da cabeça da própria Ally, manipulada pelo Kai e a Winter, que parecem estar investindo pesado em sua família. Destaque para a participação especial do Twisty, que, apesar de gratuita, serviu para matar a saudade do personagem – inegavelmente uma das poucas coisas boas de FreakShow. Ainda espero que o palhaço psicótico volte a aparecer em alguma outra capacidade, fazendo novas ligações entre a temporada atual e a quarta.

Em geral, uma das maiores sacadas desta sétima temporada foi se basear nas eleições reais, e constantemente colocar o Trump em destaque traz uma enorme relevância à série, que provavelmente ainda causará muita polêmica em torno do assunto – gerando ainda mais buzz gratuito na internet para a divulgação da temporada. Foi um ótimo começo de temporada; bons personagens, plots bem introduzidos e um tema forte para ser construído. Só resta saber se o Ryan Murphy não vai acabar se perdendo na metade do caminho como tantas outras vezes. Há muito potencial para ser uma das melhores temporadas do programa, especialmente ao abordar um assunto tão relevante, mas ainda é muito cedo para saber. Só resta a expectativa e a esperança.
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