quarta-feira, 14 de junho de 2017

Crítica | Shadowhunters - 2x11/12: Mea Maxima Culpa / You Are Not Your Own



Assuma suas emoções.

Depois de três meses, Shadowhunters está de volta com a segunda parte de sua segunda temporada, que, na teoria, deveria ser a melhor, afinal tudo que os fãs dos livros esperavam está acontecendo: Sizzy, Sebastian, Corte Seelie confirmada... enfim, várias peças importantes da série literária marcarão presença neste arco. Entretanto, como tais elementos vêm sendo conduzidos é que decepciona.

Todos estão cansados de saber que uma adaptação nunca será 100% fiel e é perda de tempo brigar por isso em pleno 2017; porém, quando a adaptação tem um material de referência extremamente bem construído e o deixa de lado para investir em algo novo mas que não possui a mesma qualidade, é preocupante. E é isso que os showrunners fazem com diversos plots que inserem na série. Primeiro com Clace e toda a história de incesto. Desde o início ela foi mal feita na série, já que os personagens quase não se importavam com o fato. Para piorar, toda a verdade foi revelada para Jace cedo demais e para Clary logo depois, no episódio de retorno, e ela simplesmente não ligou para isso, pois "está com Simon". Ou seja, além de perderem a chance de mostrar o sofrimento dos personagens por acharem que são irmãos, ainda fazem os sentimentos de Clary para com Jace soar apenas como uma atraçãozinha rápida e que já passou.

Entendo que na TV, essa história de incesto é bem mais complicada, porque há uma associação chata de mães que fazem confusão por qualquer coisa que é exibida à adolescentes, mas haviam tantas formas da verdade ser revelada ao público mas com os personagens ainda acreditando que eram parentes - Valentine poderia contar para um de seus capangas, por exemplo. Mas não, na cabeça dos roteiristas, a melhor saída é acabar com isso e investir no já saturado arco de triângulo amoroso. O pior é que Clary e Simon não tem a menor química como um casal, ainda mais com ela criando essa paixão subitamente, de um episódio para o outro. E seguindo essa mesma revelação sem emoção do plot do incesto, tivemos o de Jace descobrindo que é, na verdade, um Herondale. O roteiro não se preocupou em desenvolver Imogen e mostrá-la como uma mulher amargurada pela perda do filho, jogando isso apenas quando ela descobriu a verdade. Foi uma mudança da água para o vinho e inverossímil. E Jace aceitou tudo sem sequer questionar as ações anteriores da avó que, vale lembrar, tentou exilar Izzy do mundo dos caçadores na primeira temporada (!).



Porém, mesmo com os inúmeros deslizes, a equipe consegue criar algumas tramas interessantes, como a troca de corpos entre Valentine e Magnus. Era óbvio que não duraria muito tempo, mas ainda assim foi divertido ver Alan van Sprang vivendo um Magnus desesperado. Sizzy também voltou aquele clima de indiretinhas dos primeiros episódios, mostrando que é questão de tempos para os dois se envolverem. Mas apesar de esperar muito que isso aconteça - afinal, eles são o meu casal preferido dos livros -, ainda tenho minhas desconfianças em relação à isso, principalmente por essa paixão de Clary por Simon. Não vou ficar surpreso se isso for usado para causar uma briga entre Izzy e ela.

E, por fim mas não menos importante, Sebastian! Ele é o ponto alto dessa 2B até o momento e mesmo com apenas dois episódios, já mostrou o quão manipulador é. As cenas onde ele diz à Clary que "não se pode escolher os pais que têm" e quando a fez reativar seu poder de criar novas runas torturando-a quase me fizeram cair da cadeira e querer mais dele. Mas acredito que seria mais interessante para o público que não conhece os livros vê-lo com um bom moço e a surpresa acontecer quando a verdade aparecer, mas essa confiança talvez venha a ser difícil, depois da cena onde ele queima a própria mão no fogo. Além de Sebastian, tivemos também a entrada de Azazel, outro importante vilão nos livros.

Em comparação à equipe da primeira temporada, essa atual consegue ser bem melhor, mas alguns erros ainda precisam ser corrigidos e, principalmente, os roteiristas precisam acordar e ver que os fãs não querem que a série seja 100% fiel aos livros; apenas querem que ela honre a qualidade dos mesmos. Ah, e para quem não sabe, a série foi renovada para uma terceira temporada, que também terá 20 episódios. Será que até lá respiraremos aliviados e poderemos dizer que Shadowhunters é boa, sem meio-termos?
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