terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Crítica | Grey's Anatomy - 13x11: Jukebox Hero



I need a hero to save my Grey's Anatomy.

Os problemas narrativos da atual décima terceira temporada de Grey's Anatomy são preocupantes e não são poucos. O show simplesmente não consegue convencer com as histórias que, ou está contando, ou está pensando em contar. Deixemos de lados os rodeios e o nosso amor pela produção, vamos ser sinceros e analisar um tanto quanto friamente este ano: as tramas principais estão todas confusas, mal direcionadas e recebendo um destaque um pouco pobre e ordinário; já as tramas paralelas são um emaranhado de más decisões que mais parecem algo tirado de Malhação ou novelas adolescentes do que da mente criativa de Shonda Rhimes.

Claro, depois de tantos anos é comprovadamente normal que um programa decaia em sua qualidade (Grey's já decaiu em inúmeros momentos, mas sempre conseguiu se reerguer), desde que o mesmo entenda os erros que esteja cometendo e tente ao máximo corrigi-los, e não é isso que estamos vendo. Desde a total indiferença do roteiro com o caso de agressão de Alex e sua mais que devida punição, passando pelo romance colegial de Mer e Riggs e a falta de sinceridade dos dois com Pierce, até uma briga de egos envolvendo Richard e sua equipe médica, Grey's vem apresentando um drama preguiçoso, que despreza também a inteligência de seu espectador. Isso é algo que até então a equipe criativa não havia feito, mas está conseguindo de tal forma nos desrespeitar que chega a ser assustador.

Não seja por isso que muito facilmente os melhores episódios até então são aqueles completamente desconexos da trama central. Aqueles que podem ser considerados verdadeiros fillers e nos presenteiam apenas com dramas paralelos de pacientes que não interferem muito no resto da história. Isso até não seria um aborrecimento se o que viesse sendo contado estivesse sendo significativo, mas não é o que está acontecendo. Apesar dessa semana termos tudo andando a passos largos, muita coisa ainda deixa a desejar e apenas evidencia algumas limitações que a própria série criou para si.



Richard com aquela birra infanto-juvenil para com Minnick apenas consegue irritar nós telespectadores. O roteiro quer mesmo que acreditemos que uma equipe inteira de médicos 'adultos' ficou contra uma nova doutora porque a mesma está entrando em um cargo para melhorar os resultados objetivos dos alunos de medicina e somente fazer o seu trabalho? Até seria válido uma discussão sobre "o novo jeito de praticar" e a "velha escola de medicina" de uma forma em que fosse colocado à mesa argumentos válidos dos dois lados para que houvesse uma discussão acalorada, mas sadia sobre o assunto. Infelizmente decidiram seguir pelo caminho onde tudo parece um duelo de egos. Ainda que tentassem criar uma desavença da equipe por não gostarem da nova adição, mas não, todos entendem seus métodos, apenas são contra por necessariamente precisarem escolher um lado.

Outro problema: sério que Meredith andou o dia todo em todas as prisões que conseguiu visitar atrás de Alex e ele estava dormindo pleno em sua cama? Pelo amor de deus, apesar da surpresa no final ser agradável, uma vez que ele não foi preso (mas ainda acho que deve haver uma punição), tudo soou previsível e nada crível. Antes de Mer ir em sua busca ela estava bem linda em sua casa sem saber do paradeiro de Karev e ela simplesmente não sabia que ele estava em sua moradia, apenas há uma escada e alguns cômodos de distância? Eu quero respeito e eu quero agora. Então toda aquela tensão envolvendo o episódio final do ano passado sobre Karev aceitar ou não o acordo da promotoria simplesmente não serviu para nada, porque tudo se resolveu facilmente de mais, alegremente de mais, dubiamente de mais.

Vamos melhorar Shonda, é só isso que eu te peço! Ainda há tempo para salvarmos este que está sendo um dos piores anos de Grey's Anatomy. Não precisamos de mais nenhuma morte para termos uma história bem contada; precisamos de coragem na hora de escrever e desenvolver novas narrativas. Ninguém aguenta mais a Jo com o mesmo texto de não "esse não é meu verdadeiro nome, veja-me sofrer", ninguém aguenta mais o desenvolvimento porco que está sendo atribuído, porque tudo parece uma grande novela da Televisa, só que simplesmente não está funcionando. Apesar de alguns bons momentos, este Jukebox Hero só evidencia que treze não é um número de sorte, não para os personagens, mas para nós que temos que acompanhar semanalmente um enredo que não agrega nada a ninguém. Talvez seja por isso que a Anatomia da Grey não está conseguindo sair do lugar comum, não está conseguindo empolgar, não está conseguindo fazer nada do que se propõe; está apenas se afundando em um teia de histórias que não nos precisavam ser contadas.  
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