terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Crítica | Scream Queens - 2x10: Drain the Swamp (Season Finale)



Você tem que ser bonita, magra, rica e um pouco louca se quiser sobreviver.

É minha gente, mais uma vez Ryan conseguiu fazer aquilo que ele sempre faz e todos nós odiamos, que é decepcionar. No final das contas, longe de ver uma chance de renovação, Scream Queens provavelmente terminou como começou: sem coragem, sem ousadia e sem muita questão de existir. Se em outros shows da família de Ryan, ele começou bem e degringolou mais para o final, com este aqui tudo se iniciou mal, e apesar de algumas coisas que agradavam as falhas sempre foram muito visíveis e pertinentes.

Sabe aquele amontoado de tramas paralelas que foram sendo introduzidas no decorrer da temporada sem nenhum cuidado, pois é, estas mesmas, ou foram mal finalizadas ou nem mesmo foram citadas. Nessa season finale tivemos tudo muito apressado, mas não em um ritmo frenético de tensão e sim como se tudo tivesse sido deixado para os últimos momentos e era necessário que tudo se resolvesse. Praticamente todas as decisões do roteiro e as saídas fáceis para um último capítulo lembram muito quando nós pessoas reais deixamos para fazer um trabalho da escola/faculdade/ou qualquer outra coisa, para a última semana, quando nos foi dado um tempo bem folgado para a realização. Os roteiristas insistiram demais na megalomania e não souberam o que fazer com tudo o que foi criado, deixando a desejar, e muito, na conclusão final.

Vamos falar de um dos maiores problemas da série, que gira entorno de sua coragem criativa. Mais uma vez, todo o elenco principal saiu vivo no final das contas. Tivemos até um retorno de um falecido (mas isso não criticarei, porque amei real, oficial). Chanel e suas seguidoras, Cathy Munsch, Zayday, Hester, todos estes eram os alvos principais dos homicidas no decorrer deste segundo ano e olha no que deu. Em todo santo episódio os Green Meanies se preocupavam em matar meros figurantes sem nenhuma empatia com o público e isso é tudo culpa da falta de ousadia. Se lá nos primeiros episódios Chad e Denise foram realmente atacados, após o retorno da pausa de mais de um mês, os assassinos esqueceram de seus objetivos. Claro, um deles não necessariamente estava atrás das Chanels e companhia, isso é verdade, mas o time era composto por três elementos, destes, dois tinham suas justificativas com base em vingança direta contra as meninas e o núcleo das mesmas. Até Hester que foi introduzida após o time formado, ajudou a orquestrar a morte de suas ex companheiras de fraternidade.



Outro infortúnio que rondou esta finale foi a total falta de momentos tensão e revelações chocantes. Revelar a identidade de todos os assassinos não é problema algum, se este conceito for bem trabalhado, o que não aconteceu. O roteiro simplesmente não conseguiu lidar com essa falta de mistério e na hora da tirada da máscara, nem nós, nem os personagens pareciam minimamente chocados com a pessoa fantasiada. Três assassinos, três infinitas possibilidades e nenhum deles conseguiu manter o mínimo de mistério ou incógnita para nós ou para os protagonistas. Scream Queens nunca foi sobre assassinatos, nunca foi sobre a identidade de algum homicida; SQ foi sobre as Chanels e suas loucuras, alguém matando todo mundo era apenas um detalhe do roteiro que não se mostrou jamais interessante.

Não tivemos mortes importantes, não tivemos revelações bombásticas, mas você deve estar se perguntando: pelo menos as resoluções no ciclo da histórias dos personagens foram agradáveis? E o prêmio vai para quem respondeu "não". Todas as caricaturas encontradas no decorrer destas duas temporadas tiveram finais previsíveis, mal explicados, mal direcionados e muito mal escolhidos. Hester com o Dr., Chanel nº 5 e sua autodescoberta, o sucesso iminente de Chanel e Chanel Nº 3 como sua fiel companheira. Tudo funcionaria se houvessem explicações plausíveis para como tudo aconteceu, mas não houve. O pior de tudo foi aquele gancho para uma terceira temporada que provavelmente não irá acontecer. Do que adianta colocar um Red Devil no banco de trás do carro de Oberlin quando sabemos que se o show sobreviver para mais um ano ela sairá ilesa de tentativa de assassinato de qualquer um, independente do número de pessoas que queiram sua cabeça? Se na primeira temporada isso deixou uma expectativa, aqui tudo se mostrou cínico, ordinário e mal roteirizado. Pelo menos temos algumas verdades jogadas na cara de todos nós: Chanel deixa bem claro que hoje em dia não adianta mais ser uma virgem pura para sair ilesa de uma matança, na verdade hoje você tem que ser bonita, magra, rica e um pouco louca para não morrer.

Scream Queens não veio para ficar e nem vai deixar saudades. Ela bem serviu para algumas alfinetadas, algumas risadas e até alguns pensamentos autocríticos, mas quando nada funciona, não existe bons momentos que apaguem as vergonhas alheias. Ryan pecou e pecou de mais. Não soube por onde seguir, não soube inovar, não soube ousar, na verdade, pelo que fica claro ele não sabia nem mesmo o que queria contar. Depois destas duas temporadas divertidas, mas muito mal esclarecidas, Scream Queens tem que ver sua própria sepultura e tanto a produção quando a emissora devem compreender que este projeto está mais do que enterrado e não existe motivo aparente para que haja qualquer tipo de continuação. No final, SQ afundou assim como a enfermeira Hoffel, em suas próprias escolhas e más decisões.

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