quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Crítica | Scream Queens - 2x09: Lovin the D



No final das contas, todos querem a Chanel morta. 

Como todos suspeitávamos: o roteiro de Scream Queens já se esqueceu de metade de suas tramas paralelas. Isso se torna um grande problema quando temos uma temporada com apenas dez episódios, o que hoje em dia é mais que suficiente para que uma história seja bem contada. A Netflix esta aí para exemplificar muito bem que shows com temporadas reduzidas são muito mais lucrativas para os fãs. Antes de SQ estrear recebemos a linda notícia de que a comédia não receberia ordem de temporada completa (o costume dos vinte e dois episódios) e isso foi uma decisão que julgamos acertada.

Felizmente no primeiro ano o roteiro conseguiu se distribuir muito bem nos treze episódios que teve, e apesar de altos e baixos, a estória na medida do possível foi contada adequadamente com início, meio e fim no decorrer dos treze capítulos. Furos aqui, furos acolá, algumas coisas não funcionavam como deveriam funcionar, mas a diversão foi garantida e isso ninguém pode negar. Diferentemente, neste segundo ano, o tempo foi terrivelmente distribuído. Até o primeiro grande hiatus, ou seja, os quatro primeiros capítulos, estávamos recebendo uma trama com doses cavalares de comédia e insanidade, que por mais que fugisse ao máximo da realidade, era satisfatória e coesa para aquele universo. Com muitos pesares após a pausa, simplesmente parecia que mais nada fazia sentido e até a loucura crível que estávamos habituados parou de se mostrar acreditável, e olha que estávamos acostumados com bastante alienação dos roteiristas.

Tivemos uma sequência de capítulos bem "xoxos", mas neste nono, que serve para iniciar a trama do grand finale, tivemos o retorno de boas situações e momentos cômicos. Óbvio que para isso acontecer tivemos as Chanels como núcleo central, mostrando que as garotas e suas roupas extremamente extravagantes e suas personalidades únicas são o maior trunfo de Scream Queens. Se há um tempo atrás apenas Oberlin recebia destaque, uma das consequências do sucesso, por parte do público, de suas seguidoras, foi as mesmas terem mais tempo em tela, o que rendeu ótimos causos para as duas e para nós espectadores. Nº 3 e sua falta de sensibilidade e com certeza nº 5 e a total indiferença dos outros protagonistas para com ela, entregou-nos as melhores partes desta trama fragmentada do segundo ano.



Outro fator determinante para que esta segunda temporada esteja bem menos interessante que sua antecessora com certeza é o time de assassinos e suas motivações. Os Red Devils tinham à seu favor o carisma e o fator surpresa, já que só descobrimos claramente quais eram as razões do massacre na season finale, e para o bem ou para o mal, eram justificativas coerentes para o sangue derramado. Este ano os Green Meanies tiveram suas identidades reveladas cedo de mais, e nenhum dos pretextos de qualquer um dos três homicidas soou realmente crível. Nem a do filho que perdeu o pai no hospital, nem da que procura vingança pela irmã injustiçada e muito menos o pai que quer punição para aquelas que deixaram sua filha louca.

Estamos acostumados com essa estrutura narrativa onde no final das contas sempre obtemos respostas e razões para os massacres da vida dramaturga. Mas sejamos sinceros e reais, às vezes quando não se tem motivo, tudo se torna mais interessante. Prestem atenção neste exemplo: Halloween, um dos filmes mais célebres do terror, apresentava em suas duas primeiras parcelas um assassino mascarado que matava aparentemente sem motivo nenhum. No primeiro filme o que se via era uma vítima quase que aleatória sendo perseguida por um stalker maníaco sem nenhuma explicação visível. O problema da franquia se deu quando tentaram explicar em incontáveis sequências o porque do Michael Myers ser o que era. Vamos concordar, o medo do desconhecido e de ser escolhido aleatoriamente para morrer foi muito mais instigante em Halloween I e II do que as histórias de ceitas, sacrifícios familiares e tudo o mais que foram sendo introduzidas. Scream Queens não precisava de motivos, Ryan e sua equipe poderiam ser inteligentes e agirem diferente do ano um, introduzindo um time de homicidas sem escrúpulos, em busca de sangue pelo sangue. E se era necessário termos as Chanels de volta, era apenas genial contar que elas estavam no hospital errado na hora mais errada e pronto, não teríamos que acompanhar argumentações mal embasadas e sem grande fundamento para tantas mortes.

O final se aproxima e temos apenas uma incógnita para a season finale: teremos verdadeira ousadia no final? Não vou mentir, torço para que o show seja cancelado, mas mais importante, torço para ver o elenco principal sendo esquartejado nos próximos quarenta e dois minutos. Quero testemunhar a coragem criativa dos roteiristas e todo mundo precisa ver seus personagens preferidos sendo mortos. Tá mais que na hora de Chanel encontrar a lâmina de uma faca e está mais que na hora de Scream Queens mostrar que pode ser mais que uma diversão barata.
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