domingo, 11 de dezembro de 2016

Crítica | The Possession Experiment



Existe um subgênero mais assustador do que o que envolve possessão demoníaca? Apesar da ideia de um demônio tomar controle do nosso corpo e fazer coisas horríveis, poucos são os filmes que realmente conseguem passar essa sensação de dar frio na espinha. Não é a toa que O Exorcista ainda configura, décadas mais tarde, no absoluto no topo da lista. Ainda que a abordagem de The Possession Experiment pareça diferente, o enredo é apenas recicla de uma forma bastante porca o roteiro de Possessão do Mal. Não há muito para se comentar sobre este filme além do fato de que ele falha miseravelmente em basicamente tudo em que se propõe apresentar.

Na trama, Bandon, um estudante decide fazer um trabalho sobre possessão demoníaca. O que era para ser um simples projeto, acaba se tornando algo mais sério quando o jovem fica obcecado pelo passado trágico de uma casa, cujo exorcismo acabou com a vida de praticamente todos os envolvidos. Brandon decide então se tornar uma cobaia para poder documentar e provar que possessão é real. Em um ritual, ele convida demônios a possuírem o seu corpo, mas se decepciona quando não consegue ver mudanças radicais de imediato. O problema é que as coisas começam a mudar tão lentamente que ele mal consegue perceber, e quando o alerta fica óbvio, pode ser tarde demais para reverter a situação.

O que parecia ser um filme mediano, logo sai dos trilhos, deixando transparecer exatamente o que é: uma bomba. Como já destaquei, o roteiro é completamente chupado de Possessão do Mal, mas eu estava na expectativa de tque os roteiristas explorassem essa "documentação" sob um ângulo diferente. Infelizmente, The Possession Experiment nada mais é do que um vômito misturado de todos os filmes deste subgênero que já vimos antes. Esse filme é tão caótico e sem personalidade que sequer saber se é um found footage ou gravado de forma convencional. O diretor mistura ambos estilos e acaba se perdendo no meio do caminho. No começo, as gravações esclarecem os eventos do passado, mas logo são atropeladas por vários flashbacks que pouco fazem sentido na produção.

E a própria edição do filme é péssima, considerando que não faz uma transição nada suave entre as cenas, os flashbacks e o próprio found footage – que encontra-se perdido no meio de todo esse caos. O roteiro ainda se acha inteligente ao puxar uma espécie de "reviravolta"; uma das coisas mais óbvias dos últimos tempos, especialmente quando o próprio enredo mastiga as informações e faz questão de jogá-las na nossa cara o tempo inteiro. De qualquer forma, não há literalmente nada de especial neste filme, nem mesmo as provocações do demônio, que parecem frases de efeito de alunos do ensino fundamental. O nível de tosquice se complementa com os péssimos e baratos efeitos sonoros da voz do possuído; coisa mesmo de principiante.

Todos os outros aspectos técnicos do filme também não ficam para trás. É tudo conduzido de forma muito amadora, especialmente o desempenho dos atores, que é medíocre. Os diálogos também são extremamente surreais, além de forças situações que não fazem o menor sentido. O protagonista, por exemplo, é um garoto solitário que conhece os outros personagens no decorrer da história. Nenhum deles é realmente próximo, mas no final todos estão se riscando por causa de suas "fortes amizades". Se o roteiro iria forçar tamanha conexão, porque não apresentou os personagens já amigos? Não faz o menor sentido sacrificar tudo por uma amizade/relacionamento de 15 minutos.

Enfim, caso você não tenha percebido através deste texto extremamente devastador, The Possession Experiment não vale nem mesmo a pena a curiosidade. As cenas mais impactantes do trailer passam brevemente e fora de foco na edição final, logo nos minutos inciais. O terror só começa de verdade perto de uma hora de projeção, e, até que as coisas estão engatem, o filme já se encontra nos minutos finais. É irritante acompanhar estes jovens rasos igual papel em um história pouco inspirada e arrastada. Caso vocês tenham ficado interessados no conceito da trama, vale conferir A Possessão do Mal, que desenvolve de forma brilhante a documentação da possessão demoníaca. A única coisa que este filme merece é o esquecimento, o que não deve demorar muito.


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