sábado, 10 de dezembro de 2016

Crítica | O Lar das Crianças Peculiares



Baseado em uma saga de livros escritos por Ransom Riggs, uma trilogia iniciada por O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares, este filme é a mais nova tentativa de um estúdio emplacar uma adaptação de sucesso, com o provável sonho de dividir o último livro em dois filmes. É interessante ver uma adaptação que volte a investir em fantasia ao invés dos manjados roteiros envolvendo futuros distópicos, impulsionados pelo sucesso de Jogos Vorazes – e seguido de perto por sagas como Maze Runner e Divergente. Infelizmente, a bilheteria doméstica de O Lar das Crianças Peculiares não foi muito expressiva, o que pode ter colocado em xeque o futuro de toda a franquia. Mas quem sabe alguma mágica não acontece, não é verdade?

Na trama, após a estranha morte de seu avô, o jovem Jake parte com seu pai para o País de Gales. Lá ele pretende encontrar a srta. Peregrine, atendendo ao último pedido do avô, que lhe disse que "ela contará tudo". Só que, ao chegar, descobre que o local onde ela viveria é uma mansão em ruínas, que foi atingida por um míssil durante a Segunda Guerra Mundial. Ao investigar a área, Jake descobre que lá há uma fenda temporal, onde a srta. Peregrine vive e protege várias crianças dotadas de poderes especiais.

Logo de cara é impossível não reconhecer os traços característicos do estilo peculiar do diretor Tim Burton. Esta obra tem a sua cara, o que garante uma estética muito bonita e interessante, além de personagens diferentes e, ao mesmo tempo, carismáticos. Não tive a oportunidade de ler os livros, mas não é preciso pesquisar muito para saber das várias diferenças entre as duas mídias. Mudanças sempre são inevitáveis, mas há cada alteração boba – como datas, lugares, personagens –, que não parece preencher nenhuma necessidade além de despertar a fúria dos fãs da saga literária.

E o grande problema desta trama é que, quando mais você pensa nela, menos sentido faz. Há muitos furos no roteiro, especialmente os elementos sobre viagem no tempo – sempre extremamente difíceis de serem desenvolvidos. A importância do personagem principal, com a sua peculiaridade, também é colocada em questionamento. Ele consegue ver as criaturas que perseguem as crianças especiais, mas isso não quer dizer que as outras crianças realmente precisem dele para sobreviverem. De fato, há habilidades no grupo tão fortes que poderiam facilmente acabar com qualquer tipo de ameaça em questão de segundos – tendo a habilidade ou não de ver os seus inimigos. Eu entendo que foi um sacrifício em prol do desenvolvimento do roteiro, mas achei difícil de acreditar que outros orfanatos tenham caído tão facilmente sem uma boa briga.

Apesar de todos esses problemas, há muito para se gostar nesta produção. Como já disse, a fotografia é maravilhosa, assim como os seus personagens. Eva Green está maravilhosa como sempre, mas sua aparição foi drasticamente menor do que eu estava esperando. O foco mesmo são nas crianças peculiares, e tirando o drama envolvendo o triângulo amoroso clichê, todos eles são bastante carismáticos. Destaque para os gêmeos, que não têm nenhuma fala, seus rostos não aparecem, mas eles conseguem preencher a tela de uma forma realmente incrível. Sem contar que ambos são muito fofos. Queria ter visto um pouco mais das outras crianças que tiveram menos destaque; algumas não tiveram a chance de aparecer muito.

Com o perdão do trocadilho, este é sim um filme peculiar, mas está longe de ser perfeito. E, apesar de ser melhor do que alguns dos trabalhos recentes de Tim Burton, não fica perto de figurar entre os melhores títulos dirigidos por ele. De qualquer maneira, é um filme interessante, diferente e com muito estilo. Parte dos seus problemas de coerência são problemas do livro, que consequentemente foram transcritos pelo roteiro, apesar de que o terceiro ato apressado ser um ponto negativo exclusivo do roteiro mesmo. Ainda assim, é um ótimo filme para passar o tempo, especialmente quem gosta de fantasia e/ou o estilo do Tim Burton. Obviamente o filme termina com o espaço para futuras sequências, mas há conclusão suficiente para que a experiência esteja completa mesmo que elas não venham a ser produzidas.


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