quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Crítica | The Walking Dead - 7x02/03: The Well / The Cell



Vida longa ao rei.

Depois de um dos episódios mais tensos e pesados da série, não é surpresa que o roteiro volte sua atenção a outros núcleos para nos dar a oportunidade de respirar. Tanto o segundo quanto o terceiro episódio desta temporada investem seu tempo no desenvolvimento de novos arcos e também novos personagens que serão importantes neste novo ciclo. Há toda uma nova gama de relações, histórias e conflitos neste sétimo ano, o que certamente contribuirá para torná-lo mais inventivo e surpreendente. E, desde que a comunidade Kingdom foi apresentada, fiquei na expectativa de vê-la bater de frente com a dos Salvadores – o que, provavelmente, deve ser a direção para a qual esta temporada caminhará, mas está muito cedo para especulações. Vamos falar sobre os episódios.

The Well foi surpreendentemente leve e até mesmo divertido. Tivemos o retorno da Carol, que estava em péssimo estado no episódio final da temporada anterior, e ela certamente mostra que não tem tempo para papo furado, e imediatamente já começa a planejar um plano de fuja e a fingir ser uma velhinha inocente que não faria mal nem mesmo a uma mosca. No entanto, Ezekiel não compra essa atuação, e no final do episódio, temos um dos diálogos mais interessantes que a série apresentou nos últimos tempos. E o melhor é que serviu tanto como uma âncora para a Carol, que andava meio perdida em seus conflitos internos, como também para dar uma iluminada no passado deste novo personagem que obviamente será muito importante neste novo ciclo.

Gostei muito a interação entre ele e a Carol, e espero ver muitas outras cenas entre eles. Há uma química evidente, e, mesmo que a trama não caminhe para uma direção amorosa, a interação entre os dois personagens pode acrescentar grande valor à série. Mas, convenhamos, Carol não precisa ser a primeira dama do Kingdom para ser uma rainha, não é mesmo? No mesmo núcleo, também acompanhamos o Morgan, que também está passando por uma fase de transformação. Parece óbvio que ele já reconheceu o quanto estava errado sobre o seu "mantra", e fico curioso para saber qual será a direção do personagem daqui para frente. Destaco suas cenas com o "sobrinho" do Ezekiel; gostei do personagem, e espero que ele dure tempo significativo na série – apesar de sabermos que não são muitos novatos que têm a sorte de sobreviver por muito tempo ao lado do elenco principal.

O terceiro episódio, The Cell, também apostou em um novo núcleo, mas seu desenvolvimento trouxe informações muito mais relevantes para os eventos que acompanhamos na primeira semana. O mais chocante foi ver que todo o episódio girou em torno do Dwight, o que é uma surpresa, considerando que o personagem nunca esteve em evidência. E o mais legal é que o episódio em si foi muito interessante. Vimos um pouco dos bastidores tensos sobre como é viver sob as ordens do Negan, que governa toda uma comunidade estruturada no medo, onde até mesmo os mais próximos dele pisam em ovos ao seu lado. É um aspecto muito curioso, porque até mesmo os seus aliados vivem sob seu terror psicológico constante. O problema é que esse sistema é frágil, e basta uma fagulha de esperança – uma Katniss pós-apocalíptica – e uma revolução pode surgir para dar uma rasteira no Negan.

Essa semana, além de saber um pouco mais sobre a rotina do Dwight, também aprendemos um pouco mais sobre o que aconteceu em seu passado – que é justamente o momento que passamos a nos identificar com ele, e mostra que ele é apenas mais uma das muitas vítimas do Negan. Dwight não é um psicopata, ele sente e sofre, e também é misericordioso – como vimos quando ele atirou no cara que havia fugido. Este episódio liga diretamente a trama em que vimos o personagem pela primeira vez, onde ele estava fugindo do Negan. Todos nós o odiamos depois que ele traiu o Daryl, mas só agora descobrimos as consequências; e a difícil posição em que o personagem se encontrava. Dwight pode não ser um dos personagens mais queridos, mas é impossível não sentir empatia pela sua situação.

Sem contar que ele até tentou ajudar o Daryl durante esta semana, assim como também sua ex-esposa, alertando que o caçador deve ser obediente. É claro que nós conhecemos o Daryl, e sabemos que ele não se curva ninguém. É extremamente leal, mas sua lealmente não pode ser forçada. É por este caminho que o Negan tentou quebrar o personagem, com uma tortura psicológica pesada, jogos mentais e condições precárias. Pensei que ao final deste episódio o Negan conseguiria quebrá-lo – como o fizera com o Rick –, mas o caçador não tinha nada a perder, e fico feliz que ele tenha resistido – apesar de que eu gostaria muito de ver a dinâmica entre ele e o Negan trabalhando do mesmo lado. No final das contas, fica óbvio que o Negan enxerga o Daryl como um cavalo bravo – um desafio –, e o personagem tem trabalhado em uma forma de domá-lo; sem sucesso, até o momento.

Jeffrey Dean Morgan continua psicoticamente maravilhoso na pele do Negan. Parece que o ator foi feito para o papel, e é impressionante como a sua presença consegue se destacar em toda cena que participa – até mesmo através dos mais triviais diálogos; que sempre parecem conter algum nível de ameaça. Norman Reedus também arrasou essa semana, e entregou um novo lado do Daryl que nós não estamos acostumados a assistir. Apesar de ter se mantido forte, o personagem inevitavelmente se deixou levar pelas suas emoções, e esse foi um momento muito poderoso no episódio – especialmente porque o Dwight fez questão de declarar que ele havia sido o responsável pela morte do Glenn. Um tiro na cara doeria menos.

Estou muito satisfeito com o começo dessa temporada, e os novos núcleos se mostraram tão interessantes quanto o do grupo principal – que provavelmente voltará a ganhar o foco na próxima semana. Essa sétima temporada tem tudo para ser uma das melhores da série, especialmente porque ela tem o benefício de um excelente antagonista – o mais interessante até então – e a oportunidade de ampliar o seu desenvolvimento através de diversos núcleos simultaneamente. Vamos torcer para que a qualidade se mantenha nas próximas semanas, apesar de eu ainda não estar preparado para voltar a acompanhar o grupo principal depois do choque que eles passaram no primeiro episódio. Mas nós temos que encarar isso de frente, e torcer para que a vingança seja tão doce quanto sangrenta.
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