terça-feira, 29 de novembro de 2016

Crítica | Scream Queens - 2x06: Blood Drive



Um monstro verde incomoda muita gente, três monstros verdes incomodam muito mais.

Todos nós amamos Scream Queens, mas não podemos negar os problemas narrativos do show. Desde a primeira temporada entendemos que a série não se passa no nosso mundo, entendemos que os personagens possuem características peculiares e únicas completamente fora da realidade e principalmente entendemos que os assassinatos e os mistérios que os rodeiam nunca serão o foco do roteiro nem dos espectadores.

A série infelizmente criou um clichê muito mal aproveitado para suas charadas, que envolve sempre um time de assassinos com motivações diversas, sem contar que um deles sempre terá um passado conturbado com as vítimas e motivações morais para assassinar meio mundo. Nesta semana tivemos indiscutivelmente o episódio mais fraco de toda série até aqui e nem mesmo a revelação de não um, mas dois Green Meanies foi suficiente para prender a nossa atenção, ou mesmo chocar pelas respostas.

O primeiro assassino é obviamente uma referência aos clássicos filmes slasher dos anos 80, mas o problema é que a narrativa não soube construir durante a temporada argumentos, fatos e motivações críveis para o matador. Na retirada da máscara todos nós já sabíamos quem estava de baixo dela e antes mesmo dos diálogos, conhecíamos suas justificativas de cor e salteado. O maior problema na verdade nem envolve as descobertas e as razões, mas sim o quanto o assassino não tem carisma quando está transvestido para matar. Ele não tem presença de tela, não causa nenhum tipo de emoção em quem assiste e suas aparições são previsíveis, pontuais e um tanto mal dirigidas. Verdade seja dita, Chad de Red Devil no início da temporada meteu muito mais medo do que esse monstro verde até o atual momento. 



Em contraponto a este fato temos a introdução de mais um assassino que não havia cometido nenhum crime até então. A história de tal funciona na medida certa tendo ligação direta com os crimes cometidos na universidade no primeiro ano. Algumas coisas incomodam, principalmente quando sabemos que alguém dá muita sorte por já existir um assassino atrás daqueles que deseja-se matar. Fora isso, apesar do mundo louco e insano de SQ, é pouco crível que um time de assassinos se formaria do modo que se formou.

Felizmente, em outros pontos as rainhas do grito ainda conseguem surpreender, agradar e mais importante entreter. As Chanels são impagáveis e toda a confusão de Chanel Oberlin e Munsch foi muito divertida. Apesar de achar o texto um tanto quanto misógino e machista, ora temos duas mulheres lindas e independentes duelando por um médico gostosão que se basta sendo o prêmio de alguma delas, não podemos negar a graça da situação. É importante também ressaltar o quão Chanel Nº 5 está se sobressaindo no quesito comédia em comparação de suas irmãs e isso é uma coisa ótima. 

Mas infelizmente ainda não podemos fechar os olhos para a narrativa mal explorada e dirigida de Ryan Murphy. A verdade é que SQ se bastaria sem um assassino (ainda mais com um que não causa empatia nenhuma com o público), e sua estória poderia muito bem ser contada partindo de um ponto cômico sem as mortes em si. Claro que toda a estrutura seria diferente, mas se soubessem administrar a trama de forma coesa teríamos uma ótima comédia ácida sem a necessidade de baixas no elenco. Pensem bem, a dura e crua verdade é que ninguém se importa com a identidade dos homicidas, nem mesmo o porque deles fazerem isso. O que queremos é ver o sarcasmo que só Ryan e sua equipe conseguem entregar.

Em meio a altos e baixos, apesar dessa temporada ser superior a primeira, os infortúnios de seu roteiro são muito mais visíveis, assim como seus furos. Temos a confirmação de três assassinos até o momento, dois já revelados que trabalham juntos e um que está feito um lobo solitário. Infelizmente nem estas descobertas conseguem ser tensas como deveriam ser. Agora é óbvio que o último do trio psicopata será responsável por levar a trama do mistério até o término da temporada e espero fielmente que consiga manter esse posto de incógnita no mínimo interessante e possa de alguma forma surpreender no final de tudo. 
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