terça-feira, 22 de novembro de 2016

Crítica | Scream Queens - 2x05: Chanel Pour Homme-Icide



As Chanels vão dominar o mundo.

Scream Queens volta para nossas vidas depois de um longo hiatus de mais de um mês. Não sei por qual motivo de tanta demora, até porque apesar de termos uma morte relativamente importante no episódio passado nada justifica esse longo espaço de tempo. Pior ainda quando temos um capítulo relativamente fraco como retorno. Apesar de dar uma acelerada no mistério e ter momentos impagáveis, este Chanel Pour Homme-Icide foi apenas regular, sem grandes acontecimentos que um comeback deveria ter.

Vamos falar do foco de Scream Queens: as Chanels. Não adianta, pode aparecer quantos assassinos quiserem, ou casos médicos bizarros, ou convidados especiais importantes, a verdade é que as Chanels comandam o show, todas no seu estilo e com peculiaridades únicas que a tornam especiais para nós espectadores. Desde Chanel e sua histeria, passando por Chanel Nº 3 e sua falta de sentimentos e linguagem corporal única, até Chanel Nº 5 e a completa indiferença dos outros personagens para com ela; todas elas por algum motivo são importantes para nós.

Logo, quando temos um episódio basicamente centrado na relação delas como um grupo de amigas e a pressão para conseguirem novos membros para servirem de escudos humanos, temos aquela comédia ácida, aquela crítica um tanto quanto velada e aquela realidade que mesmo muito distante da nossa, ainda reflete uma sociedade contemporânea atual e real. Apesar dos ótimos momentos, o roteiro ainda faz questão de quebrar algumas sequências, com certas cenas um tanto quando desnecessárias.

Desde a primeira temporada os roteiristas deviam ter aprendido que o público se importa sim com a identidade do assassino, mas essa revelação está longe de ser a nossa maior preocupação. Claro, o show tem o mistério como fio condutor de sua história, mas pela falta de tato e o descompromisso com o verídico nós queremos ver mortes bizarras, diálogos infundados e muito sarcasmo e não a resolução das charadas em si. Ter personagens que vão atrás de pistas e estão verdadeiramente preocupados com suas vidas é algo no mínimo importante para o desenrolar da estória, mas quando dentro do cenário é desenvolvido essa parte, tudo se torna enfadonho, porque nada ali é real. Ora, se tem um assassino no hospital, a decisão mais lógica seria a de saírem do hospital.



Ainda sobre as Chanels, é muito relevante termos a volta de Hester como parte do grupo. Sendo fácil a melhor delas na primeira temporada, é expressivo termos ela de volta no grupo, mesmo que ela tenha tentado matar todas as outras. É difícil imaginar introduzi-la novamente nas Chanels por ela ser uma psicopata e sociopata (como ela mesmo diz) e a principal responsável pelas atrocidades cometidas na universidade e mesmo para Scream Queens e suas loucuras é complicado ver no horizonte ela sendo perdoada tão facilmente. Mas quem sou eu para reclamar, estamos em SQ e o roteiro com todas suas pitadas de exagero consegue na base do possível soar crível quando transformam Hester mais uma vez em Chanel N° 6.

Fora tudo isso ainda tivemos a adição de seis outras iscas, todas igualmente interessantes e excêntricas. Três receberam mais destaque por serem conhecidas mais cedo e não posso negar que são personagens com potenciais altíssimos, mas que sabemos que logo entrarão para a faca por serem menos bonitas e intrigantes quanto as primeiras Chanels. Acho essa ideia válida por parte dos roteiristas, por serem capazes de adicionar novas caricaturas já pré-destinadas a morte como fica explicitado, mas não vou mentir, espero conhecer todos o pouquinho que eu conseguir.

Outro ponto a ser observado nesta temporada é a total falta de expressão do Green Meanie. Enquanto Red Devil - mesmo que seja por causa da cor de sua fantasia -, conseguia roubar a cena toda santa vez que aparecia, a fantasia do novo assassino é muito menos apelativa, apesar de ser muito mais chamativa. Sabemos que temos um assassino, mas por algum motivo ele é menos carismático do que deveria ser. Sem contar que as aparições do monstro verde são sempre pontuais e previsíveis, ou seja, sabemos no início da cena que naquele momento alguém será morto e para o bem ou para o mal, o demônio vermelho ainda tinha o fator surpresa, mesmo que em pouca quantidade, à seu favor.

Apesar de um episódio com um ritmo relativamente lento e pouca coisa que realmente impressione na volta depois de um mês, Scream Queens ainda acerta a mão no que se propõe, principalmente quando coloca (ainda mais) as Chanels em evidência. Apesar de algumas revelações importantes, o roteiro ainda segue a risca a cartilha do primeiro ano: teremos mais de um assassino e logo conheceremos a identidade de pelo menos um deles. Apesar das motivações parecerem as mesmas que os demônios vermelhos tiveram na primeira temporada, acredito na capacidade criativa de Ryan e espero que ele consiga sair do lugar comum e dos próprios clichês que criou e rodeiam fortemente o show.
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