sábado, 26 de novembro de 2016

Crítica | The Exorcist - 1x07-08: Chapter Seven: Father of Lies / Chapter Eight: The Griefbearers



"Um demônio com 40 anos de rancor."

Já entramos na reta final desta primeira temporada de The Exorcist e, apesar da série continuar melhor do que nunca, mais uma vez é preciso alertar que os seus números de audiência estão definhando junto com a sua protagonista. A série aparentemente conseguiu se estabilizar com 0.6 na demo, o que é baixo até mesmo para os padrões atuais da Fox. A esta altura, só nos resta um milagre para que a série consiga um segundo, mas é mais fácil torcer para um desfecho decente. Considerando que The Exorcist foi divulgada como uma "series event", acredito que há uma boa chance de termos uma boa conclusão. Só nos resta ter fé, não é verdade?

Começando pela ordem cronológica, o sétimo episódio, Father of Lies, teve os seus momentos – principalmente nos minutos finais –, mas em geral foi um dos mais fracos da temporada. Pouca coisa realmente relevante aconteceu, focando bastante na família Rance sem saber onde estava a Casey. E nós já sabíamos a resposta! Ela estava participando involuntariamente de um exorcismo. O problema do episódio é que não houve foco suficiente no exorcismo em si, mas é chocante ver a aparência da jovem, que encontra-se em seu pior estado até o momento. A maquiagem está sensacional, e chocantemente realista. Hannah Kasulka, intérprete da Casey, está arrasando em seu papel, e roubando todas as cenas.

É no oitavo capítulo, no entanto, que as coisas ficam realmente demoníacas. É quando o demônio está no seu auge, e temos diversas referências diretas ao filme original – incluindo flashbacks (recriados) da Regan criança. Com certeza é o melhor episódio da temporada, em todos os sentidos. Finalmente tivemos o tal exorcismo que estávamos esperando desde o quinto episódio, e o ritual nos entregou recriações de algumas das cenas mais icônicas do filme de 1973, como a levitação e a menina se debatendo violentamente para cima e para baixo. O demônio também finalmente teve mais liberdade para cuspir suas provocações, entregando diálogos ácidos e muito divertidos de acompanhar – como quando ele diz que a Kat é uma péssima motorista.

A cena que o demônio leva a Regan de volta para o tempo em que ela adolescente, conseguindo ver a si mesma tendo o seu primeiro contato com o que futuramente causaria um estrago em sua vida, foi extremamente sufocante. Um dos maiores acertos da série é nos mostrar como o demônio trabalha internamente para destruir o psicológico de suas vítimas. É um ângulo muito interessante, e ainda não explorado adequadamente nos vários filmes do gênero que se aventuraram nesta proposta. Robert Emmet Lunney, que interpreta o demônio (o vendedor), está absolutamente aterrorizante! Todas as suas cenas são maravilhosas, e eu espero vê-lo muito nos próximos episódios. É um grande acréscimo não só à série, como a todo este subgênero em geral.

Desde que o demônio se levantou para encarar a Angela no final do sétimo episódio, ficou claro que era a ela que ele queria. Então quando a personagem se mostra possuída no desfecho do oitavo episódio, isso não é realmente uma surpresa. No entanto, a forma como temos essa confirmação certamente é chocante. Depois de um rápido retorno tentando reparar os erros do passado, Chris MacNeil morreu pelas mãos da filha que tanto tentou proteger. Foi uma cena maravilhosa, e garantiu um ótimo gancho para os próximos episódios. Agora o demônio finalmente conseguiu o que queria, voltando a ocupar o corpo da pobre Regan/Angela. Será que ela vai conseguir se livrar novamente? Aposto que o demônio não deixará isso acontecer tão facilmente.

Queria destacar também uma cena com os dois padres, Thomas e Marcus, no bar. Eles estavam felizes, pensando que haviam vencido o inimigo, e em uma cena rápida, o roteiro mostra o Marcus flertando com outro cara. Obviamente isso não muda a forma como eu encaro o personagem, mas não posso dizer o mesmo a respeito dos roteiristas. Tenho que destacar a coragem deles por não jogar de forma segura, e entregando um texto muito superior a grande maioria das outras séries exibidas na TV aberta atualmente. Assim como Hannibal, The Exorcist é outra série do gênero completamente injustiçada, e já pode ser considerada a verdadeira sequência do filme de 1973. Agora só nos resta esperar e torcer para o melhor, mas rezar um pouco não vai machucar ninguém.
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