terça-feira, 1 de novembro de 2016

Crítica | Bruxa de Blair (2016)



A lenda nunca foi tão real.

Depois do fracasso de Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras, muito se falou a respeito de uma terceira parte. No entanto, somente depois de quase duas vezes que a bruxa teria a chance de atormentar novas vítimas. Os criadores da franquia sempre falaram a respeito de uma outra sequência, dizendo não só que era possível, como também "inevitável". E eles estavam completamente certos. Bruxa de Blair foi filmado em segredo com o título The Woods, e inclusive ganhou uma pequena campanha de marketing para dar crédito ao título como um filme independente. Durante a Comic-Con, porém, foi revelado que The Woods se tratava, na verdade, do terceiro filme da franquia A Bruxa de Blair, causando um pequeno alvoroço na internet.

Na trama, depois de descobrir um vídeo mostrando o que ele acredita ser Heather, sua desaparecida irmã, James e um grupo de amigos vão até a floresta cuja lenda diz ser habitada pela Bruxa de Blair. Eles levam câmeras e todo tipo de equipamento tecnológico para documentarem a jornada, e tentarem descobrir de uma vez por todas o paradeiro da protagonista dos eventos originais. O grupo ganha ajuda de dois residentes locais que afirmam terem encontrado a tal gravação misteriosa, alegando poder levá-los até a casa que ninguém nunca conseguira encontrar. Conforme eles entram cada vez mais fundo na floresta, paranoia, medo e desconfiança toma conta do grupo, fazendo todos se questionarem se eles estão vivendo o mesmo tipo de terror psicológico pela qual Heather também passou, ou se a lenda é mesmo real.

Bruxa de Blair parece mesmo ser a sequência que todos estavam pedindo desde que o original foi lançado. O estilo de gravação em primeira pessoa está de volta, assim como uma ligação direta entre os dois filmes – com um dos personagens principais deste sendo irmão da protagonista do filme original, desencadeando a trama em torno da busca dela. Todos os elementos parecem estar no lugar, apesar da estrutura em si parecer muito similar com a original. Temos personagens andando pela floresta, perdidos e, no final, uma casa sinistra na qual eles entram. O roteiro segue a risca essa estrutura, adicionando algumas surpresas, mas nunca apresentando algo realmente marcante que dê uma personalidade única a esta sequência. Ainda assim, cumpre bem o seu papel e consegue complementar algumas teorias interessantes que foram deixadas pairando desde o lançamento do primeiro filme.

Havia uma teoria muito boa a respeito do tempo não ser linear no filme de 1999, principalmente por causa do final, onde os sobreviventes encontram uma casa que, em teoria, não existia mais naquela época. Esse elemento volta a ser explorado nesta sequência, e o roteiro até mesmo o aprofunda, tornando-se um dos conceitos mais interessantes desenvolvidos nesta terceira parte. Fica claro na trama que a Bruxa de Blair tem poder total sobre o tempo/espaço na floresta, e é por isso que ninguém nunca consegue sair dela. Os poderes da bruxa são muito mais impressionantes do que havíamos imaginado, e nesta sequência ela parece especialmente mais forte. Como se o seu poder aumentasse a cada vítima que ela faz – e ela certamente fez muitas, considerando que as paredes da casa está marcada com muitas outras palmas de mãos do que vimos no primeiro filme.

O roteiro acrescenta vários outros elementos interessantes, mas infelizmente os deixa de lado; como o drone, que aparece em duas cenas e quebra. Esperava ver uma cena em que o drone consegue capturar uma imagem de cima, mostrando a floresta em "movimento", como se estivesse viva e mudando constantemente. No entanto, a cena envolvendo o totem de madeira foi uma das mais legais, e ainda deu um novo significado para as figuras que aparecem penduradas na floresta. Os personagens em si não têm nada de especial, e constantemente caem no clichê de se separarem ou chegam nos coleguinhas de mansinho para dar aquele susto falso manjado, mas eu destaco a Lisa, que surpreendentemente é a verdadeira protagonista do filme. A personagem passa por muitos apertos, especialmente no final, durante aquela cena agonizante em que ela tem que se arrastar por um túnel.

Bruxa de Blair é uma continuação sólida, mas peca por seguir muito próxima à estrutura original, tornando-se mais um reboot do que uma sequência. O filme, porém, consegue dar uma boa atualizada na trama, trazendo vários pontos de vista, o que é raro em um found footage. Se não tivesse decepcionado nas bilheterias, poderia facilmente render sua própria franquia. O fato é que o desempenho desta terceira parte é delicado, porque, apesar de ter rendido 43 milhões de dólares com um orçamento de apenas $5 milhões, o estúdio estava esperando números muito maiores. O que então contribuiu para o seu "fracasso"? Acredito que o público já esteja saturado com este estilo, e o retorno nostálgico da franquia não foi o suficiente para voltar a despertar o interesse do público neste tipo de filme. Não descartaria, no entanto, novas sequências, considerando que ainda foi um filme bastante lucrativo. Como já disse nos textos anteriores, A Bruxa de Blair foi um filme único e os seus resultados jamais conseguirão ser replicados – e isso transparece nas bilheterias das sequências.




Direção: Adam Wingard
Roteiro: Simon Barrett
Ano: 2016
País: EUA
Duração: 89 minutos
Título original: Blair Witch

Elenco: James Allen McCune, Callie Hernandez, Valorie Curry

 


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