terça-feira, 1 de novembro de 2016

Crítica | A Bruxa de Blair (1999)



Enquanto muitos filmes fingem se basear em uma história real para chamar atenção dos espectadores, em 1999, A Bruxa de Blair literalmente capturou os próprios fatos horripilantes e os jogaram nos cinemas. Naquela época, a internet ainda não tinha os recursos que temos hoje, e os envolvidos nem precisaram se esforçar muito para convencer as pessoas que o que estava acontecendo na tela era real. Para essa manipulação, no entanto, foi necessária uma campanha de marketing extremamente inventiva, e é justamente todos esses desdobramentos em torno dos bastidores que tornam este filme único. Lançado na época certa e da forma mais criativa possível, seu resultado jamais poderá ser replicado – mesmo que as sequências continuem tentando ao usar novas abordagens.

Na trama, três cineastas universitários viajam até Maryland para fazer um documentário sobre uma lenda local: A bruxa de Blair. Depois de algumas entrevistas com os moradores, o trio parte em direção à floresta em uma aventura de dois dias para encontrar a bruxa de Blair. No entanto, não demora muito para eles se perderem por entre as árvores, desencadeando um pesadelo de paranoia, medo e falta de esperança. Seria a lenda real? Ou estariam eles sendo vítimas de suas próprias mentes? Quando a situação fica desesperadora, somente as câmeras poderão mostrar o que aconteceu com eles. E, quando elas são encontradas, anos mais tarde, a verdade finalmente vem à tona.

Acredito que, mesmo que alguém não tenha visto, certamente ouviu falar sobre este filme. Mais do que um clássico, A Bruxa de Blair é uma referência da cultura popular contemporânea. O título é tão popular porque literalmente afetou toda uma geração; chegando a causar histeria em massa. Na época, todos acreditavam que o que estavam assistindo era real. A produção era autêntica, os personagens tinham os mesmos nomes que os seus atores e não havia literalmente nada na tela que quebrasse esse clima de "realidade". Sem sustos fáceis ou efeitos computadorizados. O filme é bastante amador, para falar a verdade, e é justamente por isso que conseguiu enganar tantas pessoas.

É claro que o estilo found footage não deve receber toda a credibilidade. Como já disse, os envolvidos fizeram um excelente trabalho em "criar a lenda", espalhando pela internet – inclusive criando um site amador explicando sobre a timeline, o segredo do passado da pequena cidade. A página dos atores no IMDB afirmava que eles estavam "desaparecidos, presumidamente mortos", para vocês terem uma ideia do tamanho da imersão ao qual os envolvidos se entregaram. Quando as câmeras estavam ligadas, as coisas também não eram muito diferentes. A equipe de produção se escondia na floresta de noite, fazendo barulhos estranhos para deixar o elenco paranoico. Os três atores foram deixados sozinhos na floresta, o que só contribuiu para a sensação real de isolamento e paranoia que eles estavam sentindo no decorrer do filme.

Infelizmente, A Bruxa de Blair, apesar de sempre permanecer um ícone do gênero, não envelheceu muito bem. Depois do surto absoluto de found footage, os fãs do gênero foram bombardeados com todo o tipo de produção envolvendo tramas filmadas em primeira pessoa, o que acabou desgastando o subgênero rapidamente. Este filme é um dos pioneiros neste assunto, mas o estilo evoluiu bastante com o passar dos anos. Câmeras tremendo e gritaria convencionais deram lugar a tramas mais elaboradas, e formas mais inventivas de desenvolver um found footage; como JeruZalem, cuja história acompanhamos a partir do ponto de vista de um óculos, ou Amizade Desfeita, desenvolvido completamente através da tela de um computador. A Bruxa de Blair dificilmente irá impressionar quem o assistir atualmente; foi mais do que um filme, foi uma experiência vivida exclusivamente por quem teve a oportunidade de assisti-lo naquela época.

No geral, a história deste filme é muito interessante. Se você não prestar atenção, vai parecer apenas três pessoas andando pela floresta e gritando, mas há muito mais para ser observado. O enredo tem uma mitologia bem desenvolvida, e é uma pena que o roteiro não tenha se aproveitado um pouco mais dela através dos diálogos. Muitas teorias, principalmente a respeito do final, pairaram no ar durante anos – e algumas delas foram confirmadas na sequência de 2016. A Bruxa de Blair facilmente poderia ter rendido uma enorme franquia, mas a recepção extremamente negativa da segunda parte catapultou as chances da bruxa de atacar normalmente por quase duas décadas. Mas, como os próprios criadores cansaram de afirmar, uma terceira parte era apenas uma questão de tempo. E eles tinham razão.




Direção:  Daniel Myrick, Eduardo Sánchez
Roteiro: Daniel Myrick, Eduardo Sánchez
Ano: 1999
País: EUA
Duração: 81 minutos
Título original: The Blair Witch Project

Elenco: Heather Donahue, Michael C. Williams, Joshua Leonard

 


Compartilhe
  • Share to Facebook
  • Share to Twitter
  • Share to Google+
  • Share to Stumble Upon
  • Share to Evernote
  • Share to Blogger
  • Share to Email
  • Share to Yahoo Messenger
  • More...
Comentários
1 Comentários

Comentário(s)

1 comentários: