terça-feira, 25 de outubro de 2016

Crítica | The Windmill Massacre



Moinhos de vento não são muito comuns no Brasil, mas seu conceito é conhecido pela maioria – sendo, inclusive, o foco do livro Dom Quixote, um clássico da literatura espanhola. Moinhos são especialmente comuns na Europa, principalmente na Holanda – que é o país de origem desta produção, apesar de ter sido filmada em inglês, e é o lugar onde a história é ambientada. Mas o que poderia haver em um simples moinho de vento que poderia inspirar um filme de terror? Oras, meus caros, não há limites quando se trata de imaginação. E, apesar do roteiro de The Windmill Massacre não desenvolver o seu verdadeiro potencial, faz um ótimo trabalho ao fazer do moinho um lugar infernal.

Na trama, um grupo de desconhecidos sobe em um ônibus que segue uma excursão para visitar alguns moinhos de ventos históricos nos campos da Holanda. Cada pessoa tem seus próprios motivos para estar a bordo, mas eles não são tão aleatórios quanto podemos imaginar. Quando o ônibus quebra na hora de retornar para a cidade, o grupo se vê isolado e sem comunicação, tendo apenas um velho moinho para se abrigar. O lugar, no entanto, não é um porto seguro, mas sim um pesadelo infernal. Há algo espreitando nas trevas, portando uma enorme foice, determinado a despachar o grupo da forma mais cruel possível. A figura misteriosa quer algo muito específico de suas vítimas, e tudo parece estar conectado com uma lenda local assustadora...

Uma das coisas mais legais a respeito desse filme é que ele traz um clima muito parecido com as produções saudosas dos anos 80. A fotografia, somada aos violentos e exagerados efeitos práticos, tornam esse filme uma viagem nostálgica pelos slashers oitentistas. A trama também segue fielmente os moldes clássicos dos filmes antigos, baseando-se em uma lenda aterrorizante – só faltou os personagens contá-la ao redor de uma fogueira para parecer ainda mais genuíno. Completando a estética da produção, temos um assassino com um visual assustador, e a escolha da foice gigante também foi um ponto positivo. É exagerado, incomum e foge da mesmice das facas, machados, etc.

O melhor momento de The Windmill Massacre certamente se encontra duramente sua primeira morte. A cena quebra nossas expectativas e consegue nos surpreender justamente porque o diretor não cria um “clima manjado”, avisando os espectadores que algo está prestes a acontecer. É brutal, chocante e, de longe, a melhor morte de todo o filme. Levantou minhas expectativas e me deixou ansioso para saber o que aconteceria a seguir. Infelizmente, o filme nunca consegue recuperar o fôlego, e, depois de um ótimo começo, afunda lentamente na previsibilidade, clichês e péssimas escolhas por parte dos personagens.

O filme começa os seus primeiros minutos dedicando um tempo para apresentar os seus personagens em cenários isolados. Vemos rapidamente o que os levou a participar da excursão, e, ainda que não fique completamente claro à princípio, essas informações serão importantes no decorrer da produção. E o elenco se destaca ao dar vida a personagens mais carismáticos do que geralmente são apresentados neste tipo de filme. O fato de todos terem suas próprias tramas também os ajuda a se separarem dos demais. É uma pena que o roteiro recorra a decisões pobres para conseguir o que quer, fazendo o grupo de separar a todo instante e/ou sair sozinho no escuro – tendo total consciência de que há um assassino nas redondezas.

A lenda envolvendo o vilão é interessante, apesar de não apresentar nada novo ao gênero. Diria que segue um conceito clássico, ainda que levemente inesperado. Há uma espécie de mitologia muito bem definida, e, com o ótimo visual do antagonista, poderia render uma franquia respeitável. É uma pena que o roteiro não abrace sua própria premissa e desande na metade de sua produção. Depois do primeiro susto, as coisas ficam muito óbvias; assim que os segredos passam a ser revelados, sabemos quem será a próxima vítima antes mesmo que ela se separe do grupo principal por algum motivo irracional. E a parte mais “sobrenatural” é clichês, mal aproveitada e pouco acrescenta à trama.

The Windmill Massacre tinha a chance de ser tornar um filme excelente, violento e uma grande homenagem aos clássicos dos anos 80, mas se perde na metade do caminho, o que reduz drasticamente o seu potencial. Certamente há qualidades, e o seu desfecho, que provavelmente não irá agradar a todos, fez sentido com a proposta do roteiro, e demonstrou uma ousadia carecida na maior parte do filme. Até há uma pequena reviravolta no começo do terceiro ato, mas que será facilmente descoberta se vocês refletirem um pouco sobre a trama em si. Ainda assim, mesmo previsível, a reviravolta não deixa de ser divertida. No final das contas, o filme tem muitos erros, mas também há acertos suficientes para garantir uma recomendação. Não espere nada inovador, mas deve funcionar para quem está procurando por uma diversão passageira.




Direção: Nick Jongerius
Roteiro: Nick Jongerius, Chris W. Mitchell
Ano: 2016
País: Holanda
Duração: 85 minutos
Título original: The Windmill Massacre | The Windmill

Elenco: Charlotte Beaumont, Noah Taylor
Patrick Baladi


 


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