quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Crítica | The Walking Dead - 7x01: The Day Will Come When You Won't Be (Season Premiere)



Não é segredo que a última Season Finale deixou os fãs extremamente descontentes – incluindo eu – quando escolheu não revelar a vítima do Negan nos segundos finais do episódio – com direito a petições para que a emissora revelasse quem havia morrido. De fato, foi uma decisão controversa, mas deu a chance do roteiro de trabalhar de forma mais complexa não só o ato, como também as suas consequências. O episódio não abre com a morte, como muitos poderiam esperar, mas sim à frente dela, o que acaba dando chance ao roteiro de construir a tensão necessária para o momento que todo mundo estava esperando. O que é esperar mais uns 15 minutos depois de ter esperado um ano inteiro, não é mesmo? E o mais importante é que a espera... valeu a pena.

Uma grande prova que este episódio não estava para brincadeira é que tivemos não só uma grande morte, como tivemos duas – sendo a segunda a mais sentida, violenta e impactante. Abraham levou a pior no jogo do uni duni tê, mas ele não foi o único. Depois de uma reação por parte do Daryl, Negan teve que mostrar que estava falando sério, e Glenn sofreu as consequências. The Day Will Come When You Won't Be foi um dos episódios mais brutais, tensos e memoráveis de toda a série, algo que não é fácil para um programa que já está em seu sétimo ano. Esse é um dos melhores pontos de The Walking Dead; a série continua se renovando a cada temporada, e, embora às vezes arraste sua trama para preservá-la, está sempre proporcionando aos seus espectadores novas temáticas para serem desenvolvidas.

Mais uma vez, como tantas outras, os zumbis ficaram em segundo plano (ou terceiro?), dando espaço para a perversidade humana. Os mortos-vivos deixaram de ser os antagonistas da série há muito tempo, trazendo uma evolução natural não só em torno dos seus protagonistas, como também em torno das ameaças que eles enfrentam. Cada vez mais, a sobrevivência fica ainda mais difícil, tornando o apocalipse uma verdadeira prova de fogo; justamente como um apocalipse deveria ser. Estou muito ansioso para assistir o desenrolar dos acontecimentos nas próximas semanas, com o grupo cativo às vontades do Negan. Com certeza virá muitos outros jogos psicológicos e, muito provavelmente, outras mortes chocantes.

Obviamente não posso falar deste episódio sem destacar a magnífica performance do ator Andrew Lincoln, intérprete do Rick, que esteve insanamente descontrolado neste episódio. Todo close em seu rosto passava uma angústia tão grande que automaticamente parecia que nós estávamos passando por aquele inferno junto dele. O personagem apresentou uma vulnerabilidade que nunca antes fora vista. Estamos acostumados com esses momentos em que o Rick entra neste modo lunático, mas logo ataca e vira o jogo; algo que não acontece nesta premiere. Vemos o personagem ser quebrado mentalmente durante todos os minutos de sua exibição, abandonando sua postura conservadora e se entregando por completo – inclusive disposto a cortar o braço do próprio filho para o bem do grupo. Essa cena em si foi de uma perversidade sem tamanho. Fiquei tenso assistindo porque a imprevisibilidade do Negan fez parecer que tudo era possível naquele momento.

O Negan, inclusive, também merece muito destaque. Jeffrey Dean Morgan traz uma performance realmente destruidora e estranhamente carismática. Seus monólogos nunca são entediantes como costumam ser os de vilões que falam demais. Negan tem uma força devastadora na tela, conseguindo ser o grande centro das atenções em boa parte do episódio. Quero ver como o personagem irá se sair quando estiver interagindo de uma forma mais cotidiana, porque neste episódio ele abraçou o papel de antagonista e fez mais do que todos nós estávamos esperando. E odiar o personagem faz parte, especialmente depois de tamanha brutalidade com um dos personagens mais carismáticos da série, mas todos nós temos que reconhecer que sua performance eleva o nível da série. Particularmente, adoro vilões, e estou ansioso para saber como a série o desenvolverá daqui para frente.

Vou demorar para tirar da minha cabeça aquela imagem grotesca do Glenn com a cabeça rachada e com o olho esbugalhado, tentando dizer suas últimas palavras para a Maggie. E se essa foi uma cena de tamanho impacto para nós, espectadores, quem dirá as consequências psicológicas enfrentadas pelos nossos protagonistas. Meu coração se partiu um milhão de vezes pela Maggie, que, depois de uma sequência trágica de perdas, agora se encontra sozinha. Espero que ela consiga levar a gravidez até o fim – apesar do roteiro já apontar algum tipo de problema na sua gestação desde a temporada anterior –, porque se há uma personagem que merece algo positivo acontecendo em sua vida, esta personagem é a Maggie. Sasha é outra que também está em uma situação parecida, e espero que essas perdas a tornem uma personagem mais forte – como aconteceu com a Carol –, ao invés de deixá-la ainda mais fora dos eixos.

Essa sétima temporada tem tudo para ser uma das melhores de toda a série, e tenho grandes expectativas em torno dela. Um forte antagonista era justamente o que ela estava precisando para lançar um desafio ainda maior em torno dos protagonistas. E Negan certamente é um desafio à altura; de fato, ele é até um desafio maior do que o grupo podia enfrentar no momento. Curiosamente, essa Season Premiere marca a primeira morte de um personagem do grupo original desde a terceira temporada – sendo a Andrea a última. Agora só temos quatro sobreviventes de Atlanta: Rick, Carl, Carol e Daryl. Espero que todos eles aguentem firme, principalmente Daryl que se encontra em uma posição muito perigosa.
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