segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Crítica | Scare Campaign



Quem não gosta de um bom susto? Quem nunca riu com aquelas pegadinhas de terror do Silvio Santos que vira e mexe viralizam pela internet? Todo mundo gosta, e é por isso que, apesar de insistirem que o gênero terror está definhando, ele continua mais popular do que nunca – especialmente em 2016, cujo sucesso do gênero rendeu algumas das bilheterias mais satisfatórias do ano. Scare Campaign traz um conceito que todos nós já estamos familiarizados, desenvolvendo sua trama em torno daquelas pegadinhas infames de terror que são produzidas para assustar suas vítimas e arrancar risos dos seus espectadores. É tudo muito engraçado, até que alguém se machucar de verdade...

Na trama, um programa chamado Scare Campaign é responsável por produzir pegadinhas de terror, mas seu criador, Marcus, acredita que as melhores pegadinhas são aquelas que fogem do script. Seu programa é um sucesso, mas o seu reinado de terror é ameaçado por um outro grupo amador que recentemente tem ganhado a atenção da internet ao postar vídeos extremamente macabros e realistas em seu site. Determinado superar os seus próprios limites, Marcus tem a intenção de produzir o melhor episódio do programa, mas o seu desejo por um conteúdo realmente assustador pode acabar fugindo do seu controle...

Particularmente, apesar de parecer um tanto amador, devo confessar que a trama chamou a minha atenção. Desde que assisti ao trailer, imaginei que o roteiro apresentaria uma certa reviravolta e, ainda que de fato tenha acontecido, não era a única surpresa que ele havia reservado para nós, espectadores. Tenho certeza que a maioria irá descobrir o que está acontecendo antes que a verdadeira situação seja devidamente apresentada, mas é preciso prestar atenção para não ser pego de surpresa com a segunda parte do filme. É justamente neste momento que as coisas passam a ficar realmente divertidas e violentas; quando o filme começa a decolar de verdade.

Apesar do roteiro brincar com os seus espectadores ao apresentar três reviravoltas, não considerei nenhuma delas realmente uma surpresa – talvez a última seja a responsável por pegar a maioria fora de guarda, mas não é indetectável. O fato é que a primeira parte é bastante fraca, seguindo um modelo previsível, e essa é mesmo a intenção do roteiro – quando vocês assistirem, vocês entenderão sobre o que estou falando –, apesar de que essa primeira parte poderia ter tido um desenvolvimento muito melhor, o que tornaria a reviravolta menos óbvia. Já a segunda metade é quando as coisas perdem completamente o controle, e a violência aumenta consideravelmente. Segue um ritmo interessante, mas esta parte também não demora muito para se perder no seu próprio jogo.

No final das contas, parece que Scare Campaign está incompleto – como se estivesse faltando todo o terceiro ato. Quando as coisas indicam estar caminhando para o confronto final, o filme simplesmente freia o ritmo e termina, deixando praticamente tudo em aberto – cabendo aos espectadores completarem a trama da forma que lhes convém. Não sou contra finais abertos, mas este certamente não foi escrito de forma inteligente, mas sim preguiçosa. O roteiro corta o que poderia ter sido a melhor parte do filme, e, sinceramente, era justamente a parte que eu estava esperando desde o começo – que seria o momento da final girl se destacar.

Há alguns momentos realmente divertidos em Scare Campaign, mas o filme obviamente se contém quando deveria ter saído de sua zona de conforto. Para um filme com três reviravoltas, é estranho dizer que o roteiro é previsível demais. A única surpresa realmente é a escolha dos roteiristas de encerrar a trama da forma mais anticlímax possível, e isso não é um elemento a favor do filme – muito pelo contrário. Não recomendo este filme. Pela sua temática, o roteiro realmente perdeu a oportunidade de brincar com os clichês do gênero e até mesmo introduzir alguma metalinguagem inteligente, mas segue de forma previsível e não entrega o mínimo esperado. Apesar do potencial, Scare Campaign termina sendo uma espécie de pegadinha. Uma pegadinha de mau gosto.




Direção:  Cameron Cairnes, Colin Cairnes
Roteiro: Cameron Cairnes, Colin Cairnes
Ano: 2016
País: Austrália
Duração: 76 minutos
Título original: Scare Campaign

Elenco: Meegan Warner, Ian Meadows
Olivia DeJonge


 


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Comentários
2 Comentários

Comentário(s)

2 comentários:

  1. gostei muito do começo, um ritmo frenetico e filme foi passando bem corrido e tal, ai deu uma esfriada perto do final aí sobem as letras.
    é como voce disse, Cade o final?
    kkk, mas valeu a pena e pra mim valeu a conferida.

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  2. Não achei o final preguiçoso, acho que a intenção realmente era essa. No começo o segurança foi o trouxa, no meio a menina, e no final, nós, telespectadores. Concordo que o filme podia ter sido mais elaborado, algumas cenas as falas foram bem fraquinhas, mas no geral gostei bastante do filme.

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