sábado, 10 de setembro de 2016

Crítica | Range 15



Range 15 parecia ser mais um filme independente que misturava terror e comédia de uma forma despreocupada, resultando em uma produção esquecível, porém, divertida. Para quem não sabe, o orçamento foi conquistado através de uma bem-sucedida campanha de fundos na internet, garantindo assim, 1 milhão de dólares para a sua produção. Desde o começo foi vendido como o primeiro filme militar feito por militares para militares e veteranos. O elenco em si foi 75% composto por veteranos. É como se todos eles tivessem se juntado para fazer uma brincadeira na frente das câmeras, e isso transparece no filme – se é que podemos fazer isso de filme.

Na trama, um grupo de amigos acordam desnorteados na prisão depois de uma noite de bebedeira extrema. Do nada, um zumbi aparece nos corredores e eles não demoram para perceber que um apocalipse zumbi acabou de começar. Alguns rezariam, outros morreriam de medo, mas este grupo só quer saber de acabar com a raça de alguns zumbis. No caminho de sua jornada épica de matança e curtição, eles encontram mulheres, bebidas e morte. Como se não bastasse tudo isso, descobrem uma cura capaz de reverter os estágios do vírus, e agora têm a missão de entregá-la a autoridades competentes para que toda a situação volte ao normal. Com mais álcool do que responsabilidade, o grupo segue sem qualquer direção e, no final das contas, parece nem mais se lembrar dos seus objetivos.

O que me fez conferir este filme foi justamente essa premissa descompromissada do apocalipse. Existem muitas produções misturando terror, comédia e zumbis, mas não consigo lembrar de nenhuma com um grupo tão ansioso para rachar as cabeças dos zumbis pelas ruas afora. É claro que o apocalipse deve ser uma coisa terrível, mas você nunca se imaginou com uma espada em um universo pós-apocalíptico se sentindo a própria Michonne da série The Walking Dead? Era esse espírito que eu queria que tivesse sido canalizado nesta produção, mas não demorou muitos minutos até eu ter certeza que todo o filme estava condenado. Fiquei me convencendo de que melhoraria depois de um tempo, mas, cada minuto que passava, pior Range 15 ficava, tornando os 90 minutos mais longos e tediosos da minha vida. Com o rolar dos créditos finais, eu estava mentalmente cansado e só queria ir dormir – para vocês terem ideia do tamanho da ruindade da obra.

Acredito que os envolvidos estavam tentando realizar um daqueles filmes que de tão ruins acabam ficando bons, mas erraram grotescamente. Há alguns poucos momentos quase divertidos e algumas cenas que poderiam render uma boa sequência trash, mas o filme nunca consegue realmente chegar lá. Quando você pensa que pode se deparar com algo divertido, o roteiro rapidamente introduz alguma estupidez, sabotando os poucos elementos com potencial que a trama havia apresentado. Os personagens deveriam ter sido a alma da história, mas estão abominavelmente odiosos. Eles têm personalidade, mas isso não quer dizer algo positivo. O roteiro parece ter sido escrito por um babaca virgem, porque os seus personagens só sabem falar sobre sexo e fazer piadas homossexuais que não têm a menor graça. Isso sem contar toda a problemática envolvendo transfobia, homofobia, gordofobia, misoginia, necrofilia, e qualquer outro "ia" que você conseguir lembrar; são tantos elementos de mau gosto que eu fico até surpreso que o roteirista tenha tido tempo de tentar contar uma história.

A parte que mais me chamou atenção com certeza foi a participação especial do ator Danny Trejo, um veterano do gênero, perto do final do filme. É triste vê-lo fazer uma participação tão baixa, algo que tem refletido em sua carreira nos últimos anos. Depois do sucesso de Machete, pensei que o ator conseguiria melhores oportunidades de trabalho, mas continua participando de filmes amadores que não podem nem ser considerados ruins – é uma categoria de ruindade completamente nova. Digo o mesmo de Keith David, que nos bons tempos já participou de clássicos como O Enigma de Outro Mundo, mas agora se vê enterrado nesses papéis pequenos em filmes insignificantes.

Range 15 certamente se mostrou um grande desafio, talvez um dos maiores que já enfrentei. Uma bomba de dimensões tão grandes que pode ser considerada atômica. Acredito que a mensagem está clara, não é verdade? Corram para as colinas mais afastadas e mantenha-se longe deste filme. Felizmente, o longa está destinado a permanecer no esquecimento eterno, longe do conhecimento do grande público. Eu nem ia escrever sobre ele, mas precisava fazer um alerta para os mais exploradores do gênero. Além do mais, não poderia ficar calado e frustrado sobre os 90 minutos de vida perdidos, né? Enfim, existem tantos filmes legais que envolvem terror, comédia e zumbis – tais como Zumbilândia, Todo Mundo Quase Morto, Cockneys vs Zombies, Doghouse, entre outros – que realmente não há a menor necessidade de passar pelo castigo que é Range 15. Abandonem toda a esperança aqueles que o escolherem para assistir. Estejam avisados.




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