segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Crítica | Dead of Summer - 1x10: She Talks to Angels (Season Finale)


Quando as final girls se transformam no Jason Voorhees.

Review: 
(Spoilers Abaixo)

É hora daqueles vinte minutos finais. É hora de termos o grande embate entre os sobreviventes e o antagonista com o machado nas mãos. É hora dos corpos dos desaparecidos serem arremessados contra as janelas e/ou serem descobertos nas posições menos ergonômicas possíveis. Correria, gritaria, sustos e muito sangue: Dead of Summer até tenta entregar o que prometeu, mas erra muito na montagem das cenas do seu desfecho, deixando aquele gostinho amargo de que poderia ter sido muito melhor.

Vamos aos fatos mais importantes sobre essa primeira temporada: primeiramente fora Temer é inegável dizer que tudo teria soado mais convincente se Amy fosse apenas uma louca psicótica com um machado e uma sede insaciável de sangue do que uma menina perturbada com essas mesmas características e com o plus de um demônio no seu corpo. Neste último episódio ficou mais que claro que mexer com demônios e cultos é só para roteiristas que saibam o que e como fazer. Já que aqui, DoS evidencia os imensos furos de sua história e aposta em algo que não convence pela falta de originalidade e consistência. Acabou que não sabemos nada sobre o demônio, suas motivações, o porquê dos sacrifícios, etc; apenas entendemos que ele é do mal e pronto, e precisa de um receptáculo.

Jessie, que deu todos os indícios de ser um possível corpo encontrado no meio da mata durante a temporada, se estabelece aqui como a final girl e convence na maior parte do tempo. O texto exige que nestas situações os atores entreguem o medo na sua forma mais pura e tangível possível, e ela consegue em poucas cenas transparecer o necessário, mas deixa a desejar por apenas responder as expectativas de um elenco muito fraco, ou seja, não espere torcer absurdamente para ela ou para os outros que ainda vivem, muito menos sentir o medo que a trama necessariamente precisava passar.


A melhor parte do episódio fica a cargo da correria em si. Tivemos muitas homenagens aos clássicos filmes de terror da década de 80 e a nostalgia era perceptível, mostrando que pelo menos disso os produtores conseguem entender um pouco (a cena no banheiro feminino e os diálogos são exemplos disso). Até mesmo algumas das machadadas despejadas no Alex mostram o cuidado gráfico, mesmo que nada seja tão explícito, apenas evidenciando o sangue necessário. O que não funcionou foram aqueles fantasmas que nada faziam dos já mortos no acampamento. Primeiramente porque Cricket já havia aparecido tentando ajudar os personagens e aqui ela está disposta a ajudar o príncipe do inferno a acabar com os últimos campistas vivos, um furo imenso deixado simplesmente sem explicações.

Um fato que me incomodou bastante foram os flahsbacks que quebravam a todo o momento o clima frenético do que acontecia no acampamento. Do nada víamos os protagonistas correndo de um lado para o outro e no momento seguinte tínhamos que ver histórias passadas destes, que não influenciavam em nada a situação em si, o que pareceu é que colocaram as cenas apenas para completar os quarenta minutos.

Os roteiristas deram entrevistas dizendo que a série tem fôlego para pelo menos mais quatro temporadas, o que eu sinceramente não vejo acontecendo. Seria interessante se fosse um tipo de antologia com o mesmo local, mas com histórias diferentes. A verdade é que a série ainda nem foi renovada e pelos números da audiência não vejo como a mesma sobreviverá para um segundo ano.

Por fim, com APENAS três sobreviventes, DoS encerra seu primeiro ano deixando pontos de interrogação na cabeça daqueles que foram corajosos o suficiente para acompanhar essa trama defasada, mal explicada e mal construída, mas que por algum motivo nos fez voltar a cada nova semana. O final foi satisfatório, mas esperemos que se o show seja renovado as mentes por trás da história entendam melhor o seu público e sejam capazes de construir algo mais coeso e lógico do que nos foi apresentado. Em outras palavras: queremos um assassino em um acampamento de verão no final dos anos 80, não cultos e demônios mal explicados que não funcionam em nenhum nível.
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