segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Crítica | Anaconda



Ninguém pode negar que os anos 90 foram a época de ouro para produções envolvendo animais assassinos. Alguns dos melhores filmes abordando esse tema foram lançados nesta época, tais como Pânico no Lago e Do Fundo do Mar, ambos lançados em 1999. Anaconda faz parte desse pacote, sendo uma das produções mais divertidas deste subgênero. Muita gente pode falar mal deste filme – especialmente depois que a franquia virou piada com as sequências lançadas direto para TV –, mas não se deixem enganar; Anaconda tem bastante fôlego, uma excelente produção e efeitos visuais e práticos que ainda causam inveja em muitos lançamentos atuais – inclusive nas duas últimas partes de sua própria franquia, que representam um verdadeiro retrocesso.

Na trama, um grupo de documentaristas viaja para Amazônia na esperança de encontrar uma tribo numa antes registada em vídeo. Ele partem pelo rio tranquilamente até que encontram um desconhecido passando por apuros. O pesadelo começa quando eles não percebem que este homem tem planos ocultos para sua viagem, fazendo-os seguir suas vontades como se fosse o melhor para os outros. Não demora muito para eles perceberem que o estranho está tentando caçar uma anaconda gigante, levando-os direto para um confronto com a criatura. Cercados por perigos por todos os lados, eles terão que se unir se quiserem voltar para casa com vida. Na Amazônia tudo pode tirar sua vida, desde as cobras gigantes até os homens gananciosos.

É interessante notar que os filmes dessa época investiam uma grande quantidade de dinheiro em animatrônicos, que nada mais são do que protótipos robóticos.  Este primeiro Anaconda usa, na maior parte, animatrônicos para dar vida à cobra gigante. Há várias sequências, porém, em que a cobra é criada através de computação gráfica (o famoso CGI), especialmente nas cenas em que o animal tem que se mover com mais agilidade. Ambos os efeitos estão ótimos para a época, e, ainda que em algumas cenas eles possam parecer datados, acredito que o resultado final deixa no chinelo muita produção lançada atualmente – especialmente todo aquele lixo sem alma produzido pela SyFy. Os animatrônicos, em especial, merecem bastante destaque. Em algumas cenas, como quando a cobra é "pescada", sua mobilidade é incrível.

Outra coisa que também consegue impressionar é a aparência das anacondas apresentadas neste filme. É umas das mais fieis à cobra real já vistas neste tipo de produção. É claro que algumas coisas foram alteradas com o propósito de dar uma aparência mais assustadora ao animal, como os olhos, que aqui parecem malignamente raivosos. Mas, em geral, eles fizeram um ótimo trabalho em reproduzir a criatura, e as suas proporções ficaram ótimas. Queria ter visto um pouco mais de ação envolvendo a cobra, especialmente porque ela demora demais para aparecer. Entendo que foi uma boa estratégia manter um suspense e também poupar o orçamento, mas a cobra poderia ter tido uma participação mais ativa na história. Seus ataques, em geral, acontecem de uma forma um pouco repetitiva; pelo menos até o final, quando algumas das sequências mais divertidas nos aguardam.

Alguns de vocês não devem lembrar, mas Anaconda é protagonizado pela cantora Jennifer Lopez – que não parece ter envelhecido um único dia até hoje –, mas o verdadeiro destaque mesmo fica por conta do ator Jon Voight, que interpreta o Paul Serone. Em um filme com duas cobras gigantes e assassinas, Voight consegue fazer sua presença ser sentida, apresentando um antagonista à altura, que todos irão amar odiar. Ele está bem canastrão no papel, e parece estar se divertindo horrores tocando o terror no filme. Não posso deixar de falar sobre a sua última cena, com a infame piscada final, um dos momentos mais icônicos deste filme – ao lado, é claro, do maravilhoso erro de edição onde a água da cachoeira sobe ao invés de descer.

Muitos detestam esse filme, mas eu adoro e irei protegê-lo. Eu o assisti novamente essa semana para fazer este texto e posso afirmar sem medo que ele se mantêm firme, e com certeza merece ser assistido pelas novas gerações. Querendo ou não, Anaconda se tornou um clássico deste subgênero, sendo citado até hoje como um dos mais divertidos filmes envolvendo animais assassinos. Não é tão tenso quanto deveria ser e definitivamente não deixará ninguém arrepiado na cadeira – a menos que tenha fobia de cobras –, mas é um filme muito divertido, e irá garantir um entretenimento de primeira, especialmente para aqueles que ainda não o conferiram. É um tipo de produção única, com alguns elementos especiais que praticamente foram extintos das produções atuais – como os próprios animatrônicos. Não irá tirar o seu fôlego como a tagline do pôster original prometia, mas irá garantir bons momentos de diversão.




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Comentários
2 Comentários

Comentário(s)

2 comentários:

  1. esse filme é muito é bom, lembro de ver o poster no cinema na epoca e aguardar sair a FITA para alugar.... bons tempos.
    concordo com tudo que disse, filme merece ser visto por quem nunca viu e REvisto por quem já viu. acho q passou semana passada 06/09/2016 na TV aberta.

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  2. Eu adoro esse filme, já assisti milhões de vezes, inclusive entrou recentemente para o catálogo da netflix. Já reparei em vários erros de continuação e afins, mas esse da cachoeira só fui perceber da última vez que assisti rs

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