sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Crítica | Anaconda 3


O medo se multiplica.

Depois de dois filmes bem-sucedidos e divertidos, a franquia Anaconda caiu na maldição de continuar através de lançamentos direto para TV. Com a emissora SyFy sendo sua nova casa, nós já sabíamos muito bem o que esperar: péssimo roteiro, péssima fotografia, péssimos atores e, principalmente, péssimos efeitos visuais. Anaconda 3 e 4 seguem fielmente essa cartilha, enterrando de vez a franquia – que, apesar de suas falhas, havia entregado alguns momentos bastante divertidos. Assim como aconteceu com os dois últimos filmes da franquia Pumpkinhead, os dois últimos de Anaconda foram filmados simultaneamente na Romênia – que é considerada o paraíso das produções de baixo orçamento devido aos atraentes incentivos fiscais oferecidos pelo governo.

Na trama, um milionário com uma doença terminal investe grande quantidade de dinheiro na criação de um soro sintetizado através de orquídeas sangrentas. O problema é que o soro é letal para os humanos, funcionando perfeitamente apenas em cobras. É por isso que os cientistas fizeram experiências com dois espécimes de anacondas, o que, por consequência, acabou alterando o DNA de ambas. Depois de uma falha na segurança, as duas anacondas gigantes fogem do laboratório, deixando uma trilha de corpos em seu caminho. Para caçá-las, o milionário contrata um grupo de mercenários, que, armado até os dentes, acha que tem grandes chances de capturá-las. O que eles não sabem, porém, é que as cobras tem suas próprias surpresas e algumas características tão peculiares quanto mortais.

Como se anacondas gigantes não fossem ameaçadoras o suficiente, os roteiristas desta terceira parte tiveram a brilhante ideia de adicionar uns toques especiais nas suas predadoras rastejantes – ainda que não faça sentido, e nunca seja propriamente explicado; "foi o soro" é a resposta para tudo estranho. Neste filme as cobras devem sofrer de uma grave hemorragia interna, porque um dos seus ataques favoritos é cuspir sangue (!) na cara de suas vítimas para desnorteá-las. Mas essa nem é a habilidade mais notável delas. As coisas atingem um outro nível quando as cobras começam a atravessar os personagens com o seu rabo (!!). Aparentemente elas desenvolveram um ferrão na ponta dele, e, claro, é tudo culpa do soro.

Não tem como levar esse filme a sério, ainda que todo o clima que eles tentam passar seja exatamente esse – o que, consequentemente, acaba tornando-o engraçado por ser tão ridículo. É perceptível que os envolvidos só lançaram essas últimas partes para capitalizar em cima do título, que é relativamente conhecido no gênero. Se o soro fosse produto de uma bananeira rara ao invés de orquídeas sangrentas, não haveria nenhuma ligação com Anaconda 2: A Caçada Pela Orquídea Sangrenta, e substituindo as "anacondas" por qualquer outro animal assassino do catálogo, você teria o seu típico filme mal feito lançado direto para TV que ninguém se lembra ou ouviu falar. A franquia em si merecia ter recebido novas sequências dignas, principalmente por ser tão raro um grande lançamento envolvendo cobras assassinas; o último foi, de fato, Anaconda 2, que chegou aos cinemas em 2004.

Anaconda 3 consegue a proeza se falhar em basicamente todas as áreas. No entanto, os péssimos efeitos visuais rapidamente se destacam em um mar de diálogos ruins e desnecessários. Sabia que não teríamos um CGI maravilhoso, mas o deste filme é um dos piores que eu já vi (!) – e isso não é exagero. Na maioria das vezes a cobra parece uma lesma, principalmente quando ela está deslizando pelas estradas. Até mesmo o trash, porém divertido, Python – que também foi lançado direto para TV lá em 2000 – tinha efeitos melhores que os desta produção. Então acredito que não há desculpas não entregar algo tão lixo; é como se ninguém realmente tivesse tentando. A estrutura da criatura mal faz lembrar a de uma cobra, quem dirá, especificamente, a de uma anaconda (algo que piora na próxima sequência). E o mais engraçado nesse filme é que a cobra com quase 20 metros consegue chegar de surpresa e atacar os personagens, além de conseguir se esconder em um bosque mais ralo do que as árvores no fundo da minha casa.

Não tem como defender nenhum aspecto deste filme; é uma perda total. E o pior é que o diretor é tão sem talento que acha que a melhor opção é dar diversos closes na cobra, ressaltando ainda mais os péssimos efeitos que ele deveria estar tentando esconder. No final, vários pontos-chave da história são deixados em aberto pelo fato da trama continuar no quarto e último filme da franquia. Se por um lado temos uma sequência direta de um capítulo, por outro, é justamente a continuação de um capítulo que todos deveriam esquecer. Se serve de consolo, Anaconda 4 pode não ser um bom filme, mas certamente é bem melhor do que esta terceira parte – o que não quer dizer muita coisa. Fico triste quando franquias que eu gosto acabando sofrendo esse declínio e também por todo o dinheiro perdido para fazer essa coisa tosca. A única função deste filme é nos fazer rir de sua seriedade absurda e toda vez que a cobra aparece em cena. Quem está procurando um filme realmente divertido, certamente não irá encontrar por estes bosques ralos.




Direção: Don E. FauntLeRoy
Roteiro: Nicholas Davidoff, David C. Olson
Ano: 2008
País: EUA | Romênia
Duração: 91 minutos
Título original: Anaconda 3: Offspring

Elenco: David Hasselhoff, Crystal Allen,
Ryan McCluskey


 


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