segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Crítica | Anaconda 2 - A Caçada Pela Orquídea Sangrenta



Sete anos depois que a Jennifer Lopez teve que enfrentar anacondas na Amazônia, eis uma sequência é lançada, Anaconda 2 - A Caçada Pela Orquídea Sangrenta. Apesar de ser uma sequência, não há nada neste filme que grite qualquer tipo de continuidade com o primeiro. Os produtores provavelmente só devem ter encontrado esse enredo aleatório e o transformaram em um filme da franquia Anaconda pelo título já ser familiar aos fãs do gênero (não é raro de acontecer, apesar de que poucos casos serem publicamente admitidos). Para não dizer que não há absolutamente nada conectando ambas as produções, um dos personagens faz uma breve referência a um grupo de documentaristas que foram atacados por anacondas, o que, no caso, se refere aos personagens do primeiro filme. De resto, tudo é completamente novo; desde as cobras, os personagens e até mesmo o lugar em que a história se passa.

Na trama, um grupo de cientistas apresenta uma audaciosa pesquisa para alguns empresários a respeito de uma flor que, supostamente, teria a capacidade de retardar o envelhecimento. O problema é que tal flor só pode ser encontrada nas florestas de Borneo, e floresce apenas por algumas semanas a cada 7 anos. Eles rapidamente organizam uma expedição para se aventurar pelos rios de Borneo, mas, pelo fato de terem chegado na temporada das chuvas, ninguém responsável quer levá-los para desvendar os segredos da orquídea sangrenta. Depois de oferecer uma enorme quantia de dinheiro para sua última opção, o grupo parte rio acima seguindo os seus objetivos. Não demora muito para eles se verem no meio da floresta, rodeados por anacondas gigantes que provavelmente são a chave para sua missão. Conforme o grupo vai diminuindo, eles terão o que é mais importante: o dinheiro ou permanecerem vivos.

A primeira coisa que devemos ressaltar é que não há anacondas em Borneo (!). Como bem sabemos, anacondas só existem na América do Sul. O tigre que é caçado na abertura desta sequência também não existe na área por pelo menos milhares de anos, assim como a aranha, que é de uma espécie completamente diferente do que a que foi informada. Notem também que os próprios personagens dizem várias vezes que estão navegando rio acima, e inexplicavelmente dão de encontro com uma cascata – o que é impossível. Fica claro que essa sequência não se preocupa com a veracidade, e pessoalmente posso fazer vista grossa a tudo isso uma vez que o filme se torne um bom entretenimento; citei essas informações apenas pela curiosidade. Em Anaconda 2 - A Caçada Pela Orquídea Sangrenta, as cobras são criadas através de computação gráfica, e estão muito maiores, mais ágeis e mortais do que as do primeiro filme. O roteiro nos fornece uma explicação para o crescimento excesso delas, o que eu achei ser um bom complemento à proposta da trama.

Este filme obviamente se beneficia do avanço dos efeitos digitais, investindo em ataques mais dinâmicos das cobras, e elas estão com uma ótima aparência. Ainda que completamente diferente da aparência de uma anaconda real – assemelhando-se mais à simetria de uma Python, que ironicamente pode ser encontrada em Borneo –, não podemos negar que os efeitos estão ótimas. E o aspecto mais realista seria totalmente contrário à proposta dessas cobras serem excessivamente grandes. Vale destacar que o diretor faz um belo trabalho ao revelar a anaconda aos poucos; primeiro trazendo algumas aparições sutis na água, sem o conhecimento dos personagens, até que o pânico tome conta do grupo de verdade. Gosto da cena em que todos eles estão atravessando uma área pantanosa e podemos ver a silhueta da cobra deslizando entre os personagens, que estão alheios ao perigo que está literalmente ao seu redor.

Apesar disso, essa segunda parte consegue ser ainda mais fraca no quesito suspense que a primeira. O filme poderia ser muito mais sério e sombrio, mas com uma fotografia mais clara e vários alívios cômicos, esta sequência segue uma pegada com mais aventura do que terror. No final há sobreviventes demais, e o enredo poderia ter feito um bom uso da morte de pelo menos dois deles; especialmente o personagem Cole, que é um clichê ambulante e extremamente irritante. Toda vez que ele conseguia escapar da morte certa era uma decepção para mim. O filme poderia ter eliminado o excesso dos personagens e ainda ter introduzido mais ataques das anacondas, cujo tempo na tela nunca é demais. Esta segunda parte também traz um antagonista humano, mas ele parece está longe de projetar a mesma presença e perigo que o velho Paul Serone do original.

Enfim, este segundo filme consegue ser um ótimo sucessor do original, ainda que pouca coisa possa ser comparada. Ambos são bons e irão garantir bastante entretenimento, ainda que a crítica especializada tenha detonado as duas produções. Anaconda 2 - A Caçada Pela Orquídea Sangrenta certamente tinha potencial para ser muito melhor, mas isso não quer dizer que o filme seja ruim. Está longe de ser o melhor filme de cobras, e certamente não será tão lembrado quanto o primeiro, mas os fãs do subgênero não podem deixar de conferi-lo. Apesar de ter sido um sucesso de bilheteria (mais 70 milhões arrecadados pelo mundo com um orçamento de 20 milhões), a franquia acabou continuando através de sequências lançadas direto para a TV. Se vocês acham que faltou realismo nessas duas primeiras partes, espere até saber o que as duas últimas nos reservam...




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Comentários
2 Comentários

Comentário(s)

2 comentários:

  1. Considero esse filme um grande guilty pleasure, rs. Ah, e to feliz de ver o site voltando à ativa!

    Abraços.

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  2. Para mim esse é o melhor da franquia, não sei se é pq os personagens são mais carismáticos que os do primeiro, mas considero esse mais interssante.

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