terça-feira, 6 de setembro de 2016

'Bruxa de Blair' – Roteirista fala sobre o processo criativo e o segredo da sua produção



Já faz quase 20 anos desde que o primeiro filme, A Bruxa de Blair, aterrorizou e enganou os seus espectadores sobre a possibilidade do terror narrado na tela realmente ter acontecido. A Bruxa de Blair 2 - O Livro das Sombras foi lançado não muito depois, mas foi um fracasso e uma decepção por parte do público – que esperava algo muito diferente. Durante todo esse tempo, muitas notícias e especulações sobre uma terceira parte circularam pela internet – principalmente depois que o found footage voltou a ficar em evidência com o sucesso da franquia Atividade Paranormal –, e até mesmo um dos criadores do original chegou a dizer que uma terceira parte era "inevitável".

Este ano, durante a Comic-Con que aconteceu em Julho, foi revelado que o filme The Woods era, na verdade, um novo capítulo da franquia A Bruxa de Blair. E, ao contrário do que se poderia esperar, não se tratava de um remake, mas de uma continuação direta do filme original.

Em uma entrevista com o Bloody Disgusting, Simon Barrett, o roteirista do filme, falou um pouco sobre o processo criativo desta terceira parte e como ele e o seu parceiro, Adam Wingard – responsável pela direção –, ficaram responsáveis pelo retorno da Bruxa de Blair aos cinemas. Segundo ele, "a Lionsgate perguntou se nós queríamos fazer o filme. Nós fomos convidados para uma reunião super secreta, e eles nos ofereceram o projeto".

Quando perguntado sobre o envolvimento do Eduardo Sanchez, Daniel Myrick (diretores e roteiristas do filme de 1999) e Gregg Hale (produtor) na nova produção, Barrett revelou:

"Eles sabiam desde o começo. [...] Nós obviamente não queríamos fazer caso eles não estivessem satisfeitos por alguma razão. Mas eles ficaram muito contentes quando descobriram." Eles já haviam trabalhado juntos no terror antológico 'V/H/S 2'. "Eu acho que eles estavam felizes pelo projeto estar sendo desenvolvido por nós e ao invés de alguém desconhecido, que talvez não tivesse respeito pelo original como nós temos. Dan, Ed e Gregg me deram as notas para o script na pré-produção, e eu tive que fazer algumas mudanças baseando-me nelas, mas não foi nada drástico. Eles gostaram da direção que eu estava seguindo e, por causa disso, acredito que ficaram confortáveis em me deixar seguir meu próprio caminho criativo."

Sobre a possibilidade do novo filme ter sido um remake, ele afirma:

"[O projeto] foi criado desde o começo para ser uma sequência, e sempre foi planejado mantê-lo em segredo. Até mesmo nossa primeira reunião foi secreta; Jason e Eda [executivos da Lionsgate] não nos contariam sobre o que era por escrito ou telefone. Nós tivemos que nos encontrar pessoalmente. Jason e Eda queriam fazer uma sequência direta do filme original, envolvendo o irmão mais novo da personagem Heather e a sua busca para descobrir o que aconteceu com ela, e Adam e eu concordamos que era uma direção interessante. Então eles já tinham algumas ideias específicas para a história, mas em geral foram muito flexíveis. Nós discutimos o conceito da história de uma forma geral, e então eles nos contrataram e eu fui para casa escrever o script."

Simon Barrett revela ainda um pouco sobre o processo de criação da história:

"A única coisa que eu realmente insisti foi a respeito de ter mais personagens; originalmente eles queriam um modelo mais parecido com o primeiro filme, seguindo uma narrativa mais próxima, com apenas três ou quatro personagens, mas eu queria mais personagens para desenvolver mais sequências assustadoras. Eu também queria uma dinâmica única entre o grupo desde o começo, então eu insisti na ideia de introduzir alguns locais na história. Eu acho que Jason não ficou completamente convencido que essa era uma boa ideia, mas ele disse 'Okay, confio em você, pode tentar', e então quando eu entreguei o primeiro rascunho havia seis personagens principais, e o Adam e todos os outros concordaram que aqueles personagens eram os certos. Reescrevi bastante coisa, é claro, mas aquele primeiro rascunho ficou muito perto do que acabamos filmando; não houve nenhuma grande mudança estrutural. Felizmente eu pude inserir minhas ideias no script, mostrando aos outros como elas funcionariam na história.

Temos sorte que a Lionsgate nos abordou com ideias bastante específicas, porque se eu tivesse que criar todo o conceito, muitos dos quais os produtores não estavam esperando, Adam e eu provavelmente não teríamos sido contratados. Mas nós temos um grande time, e eles conhecem o nosso trabalho e sabem que temos um processo criativo único, então, enquanto o que eu estivesse escrevendo não fosse uma droga, eles não estavam preocupados."

No Brasil, Bruxa de Blair será lançado pela Paris Filmes no dia 15 de Setembro – um dia antes da estreia oficial nos EUA.

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