sábado, 20 de agosto de 2016

Crítica | Sharknado 4: Corra para o 4º


Direção: Anthony C. Ferrante
Ano: 2016
País: EUA
Duração: 85 minutos
Título original: Sharknado 4: The 4th Awakens

Crítica:

O que acontece em Vegas... Não ficará por lá.

Depois de três filmes apresentando algumas das coisas mais bizarras que já vimos nos últimos anos, Sharknado 4 tinha que trazer algo novo para a franquia. Simples tornados de tubarões não impressionam mais. No terceiro filme teve o primeiro confronto intergalático entre ser humano e tubarão, além de um parto dentro de um tubarão (!) enquanto uma mulher caía do espaço para a Terra (!!). Particularmente, nem eu tenho imaginação suficiente para tentar superar todos esses absurdos. Mas, aqui estão eles, pela quarta vez seguida fazendo o impossível, entregando mais um filme extremamente tosco, mal feito e tão ruim que é bom (não vamos levar tão ao pé da letra). Se você é novato na franquia, volte para Twister. Aqui, os desastres climáticos estão em um nível completamente diferente.

Na trama, já faz cinco anos desde que o último Sharknado devastou Washington e o mundo tem se beneficiado de um clima calmo, conquistado a muito custo. Uma companhia tecnológica, Astro-X, com seu revolucionário estabilizador atmosférico, chamado Astro-Pods, conseguiu erradicar todas as possíveis formações de Sharknados antes que eles pudessem crescer de forma preocupante. Aproveitando a sua vida simples, Fin está indo para Las Vegas para uma reunião familiar, se divertir e relaxar, mas não demora muito para nuvens negras no horizonte começarem a se formar mais uma vez, dando vida ao primeiro Sharknado em anos. Agora, com a tecnologia que deveriam impedir o fenômeno falhando por alguma causa desconhecida, Fin e sua família irão embarcar em mais uma jornada contra esses seres que insistem em sair da água para causar problemas. Peguem suas motosserras, o clima está para tubarão com rajadas de morte!

A gente brinca, a gente ri e faz piada, mas todos temos que ter consciência de que este filme é ruim. Tenho observado alguma evolução por parte do tom cômico das sequências; que, de fato, é o melhor caminho que a franquia pode seguir. O primeiro não é realmente engraçado; nós rimos de vergonha alheia. E os produtores perceberam isso e pararam de se levar a sério demais. Apesar disso, esta quarta parte não consegue fugir do drama barato, um erro que eles têm cometido em todas as sequências até agora. Não queremos ver lágrimas e diálogos dramáticos. Nós queremos tubarões mutantes no espaço com olhos laser sendo disparados contra os heróis imbatíveis. E isso pode até ser brincadeira agora, mas não duvido nada que possa acontecer daqui a alguns anos.

Queria que houvesse um foco maior nos tubarões em si. Fico até surpreendido que eles ainda não tenham pensado em evoluí-los. Imagine tubarões inteligentes? Do Fundo do Mar já o fez, mas Sharknado pode trazer uma camada de tosquice única para essa proposta. E o próprio roteiro já tem feito questão de ressaltar que esses eventos parecem inexplicavelmente seguir a família do protagonista, então não diria que minha ideia é tão fora de contexto – ainda mais depois que os tubarões tiveram contato com material nuclear (estariam eles atirando laser pelos olhos já no próximo filme?). E, apesar do subtítulo original fazer uma óbvia paródia ao filme Star Wars: O Despertar da Força – eles se perderam completamente na tradução nacional –, a história se manteve no planeta Terra; nada de batalhes intergaláticas entre homem, tubarão e alienígenas – pelo menos nessa sequência.

E o que dizer da resolução a respeito da pergunta que todos se fizeram por um ano: April vive ou morre? Uma campanha foi lançada no Twitter para determinar o futuro da personagem, e, com a bondade em nossos corações, Tara Reid sobreviveu para atuar mais um dia. Infelizmente, a personagem foi muito mal aproveitada nesta quarta parte. Ela é praticamente um robô, deveria ter chutado barbatanas do começo ao fim. É uma pena que ela só apareça pela primeira vez perto da metade do filme. O motivo? Um suspense bobo para os espectadores, fingindo que o destino da personagem foi a morte. Ironicamente, o primeiro vídeo promocional que o SyFy liberou não só divulgou que a April estava viva, como também fez questão de editar uma montagem dela treinando com suas novas habilidades. Então toda a enrolação para mostrar a personagem nesta sequência não fez o menor sentido.

Quem conhece a franquia sabe que as participações especiais se tornaram uma espécie de tradição. Nesta quarta parte temos várias referências a grandes clássicos, como O Mágico de Oz, com a casa sendo levada por um tornado, e O Massacre da Serra Elétrica, trazendo alguns dos atores que fizeram parte da franquia do Leatherface, como a atriz Caroline Williams (a Stretch em O Massacre da Serra Elétrica 2). Temos também um rápido crossover com a franquia Lavalatula, em uma cena com o protagonista da outra franquia dizendo que está tendo que resolver um problema com aranhas. É basicamente uma inversão da cena que aconteceu no próprio filme aranhas cuspidoras de fogo, onde o ator que interpreta o Fin Shepard apareceu dizendo que tinha que lidar com um problema causado por tubarões. Pode parecer apenas uma referência entre as produções da produtora The Asylum, mas isso inevitavelmente coloca as suas franquias no mesmo universo. Será que teremos um possível Sharknado vs Lavalantula? Acho muito possível.

Senti bastante falta de uma da Nova, que é uma das minhas personagens favoritas. Ela foi citada brevemente no decorrer do filme, e o gancho para o quinto título envolve justamente a personagem – que aparentemente só participa dos filmes ímpares da franquia. O segundo filme continua sendo o meu favorito, mas esse também consegue entregar algumas cenas impagáveis, apesar de algumas delas se estenderem demais. Queria ter visto mais cenas com o tornado de vacas, que no trailer parecia ser a grande sensação desta sequência, mas na edição final quase não apareceu. Estranhamente, os efeitos visuais parecem estar ainda piores do que nos filmes anteriores – justamente quando você pensava que eles não podiam piorar. Enfim, vocês já sabem exatamente o que esperar. Se detestou os outros, não espere que o seu conceito mude magicamente com o quarto filme. Tudo em torno dessa franquia é ruim, e é isso que a torna tão divertida. Se você não entende isso, por que ficar se torturando?

Trailer Legendado:

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