terça-feira, 2 de agosto de 2016

Crítica | Satânico



O demônio sempre cumpre suas promessas.

Personagens em filmes de terror raramente são conhecidos por serem carismáticos e/ou tridimensionais. De fato, desde o começo nós sabemos que a grande maioria deles está condenada a uma morte horrível. Bem como a franquia Pânico nos mostrou, há regras; e aqueles que não atendem ao perfil geralmente não respiram até os créditos finais. Esses mesmos personagens que lutam tanto pela sua vida geralmente são os próprios responsáveis pela situação em que se meterem. Um desvio inocente aqui, um jogo do copo lá, poucos grupos se colocam em uma situação de perigo agindo com cuidado. E que tipo de salvação para haver para um quarteto de amigos em busca de uma diversão pessoal com satanás?

Na trama, seguimos quatro jovens à caminho para Coachella. Eles decidem fazer umas paradas em Los Angeles para visitar alguns pontos turísticos macabros envolvendo mortes reais. Entediados, eles decidem seguir o dono de uma loja voltada à venda de coisas satânicas, e logo se veem no meio do nada, testemunhando um ritual aparentemente de sacrifício. Causando um verdadeiro tumulto, eles interrompem o ritual e correm por suas vidas. Não demora muito para eles voltarem a encontrar com a garota que aparentemente salvaram, mas ela parece guardar seus próprios segredos.  Quando as coisas se desdobram de uma forma realmente mortal, o grupo tem sua alma marcada e começam a serem convocados direto do inferno. Agora, eles terão que lutar por suas vidas antes de serem arrastados para o tormento eterno.

Não posso dizer que todo o lance de “turismo satânico” foi realmente o ponto baixo do roteiro. Afinal de contas, quantos de vocês já não jogaram o copo do copo ou do compasso? Pode parecer estúpido quando os jovens fazem isso na tela, mas todo mundo toma algumas decisões bastante questionáveis. Por isso não condeno todo o plot envolvendo o cronograma do grupo, mas devo salientar que as paradas que eles fizeram foram bem entediantes. Há todo um submundo das trevas por aí, e o máximo que eles fizeram foi tirar umas fotos de uma casa à distância e se hospedar em um quarto onde alguém morreu num passado distante. Não é à toa que eles tiveram que perseguir um estranho em busca de alguma emoção. Aliás, é nesse ponto que o roteiro perde completamente a noção, porque isso não faz o menor sentido.

Se o grupo ao menos tivesse sido convidado por um bando de satanistas para uma comemoração/ritual, faria mais sentido por causa da velha curiosidade. Agora, perseguir um cara com a maior cara de maníaco para o meio do nada passou de todos os limites da lógica. Eu sei que a viagem estava um tédio, mas os adolescentes estavam pedindo para morrer. Enfim, ao menos eu pensei que o conceito por trás dos jovens lidando com as consequências de participarem de algo satânico poderia render alguma coisa que preste, mas o roteiro não mostra nada de interessante até os minutos finais, onde ele tenta compensar o tempo perdido.

Literalmente nada acontece até lá! O filme demora quase uma hora para a situação ficar realmente séria, e depois disso é apenas choro, lamentação e reclamação. Isso até o final, onde os jovens são rapidamente despachados distantes da tela da forma mais anticlimática possível. Não há nenhuma construção de clima, e os personagens sequer tentam entender o que está acontecendo. Pensei que em algum ponto o tal satanista que eles perseguiram poderia iluminar a situação em que eles se encontravam, mas ele só fala o óbvio. Perderam a chance de usar o personagem para aprofundar a trama, além de acrescentar um insight mais forte no mundo que eles nos introduziram.

Nem posso dizer que esse filme é uma decepção, até porque, não estava esperando nada. Tinha lido alguns comentários e não eram positivos, e agora eu posso confirmá-los. É até irônico o filme se chamar Satanic porque ele não mostra o suficiente para honrar o título. Todas as manifestações podem facilmente ser confundidas com as mesmas assombrações clichês de sempre. Inclusive, destaco uma das cenas mais ridículas dos últimos tempos; é a sequência em que os jovens acham vários pássaros mortos na piscina. Parecia uma cena saída direto do tosco Birdemic: Shock and Terror, e foi, de longe, a coisa mais assustadora neste filme. Para não dizer que nada se salva, algumas cenas nos minutos finais revelaram-se macabras, mas são apenas sequências soltas sem nenhuma estrutura para torná-las relevantes.




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