domingo, 21 de agosto de 2016

Crítica | Pumpkinhead - O Retorno


Direção: Jeff Burr
Ano: 1993
País: EUA
Duração: 88 minutos
Título original: Pumpkinhead II: Blood Wings

Crítica:

Eles deviam ter deixado os mortos em paz.

Depois que o primeiro filme não obteve um grande sucesso nas bilheterias, a franquia foi abandonada por alguns anos. Obviamente não era um bom sinal, considerando que nos anos 80 eles não faziam a menor cerimônia para lançar novas sequências – basta dar uma olhada na franquia Sexta-Feira 13, por exemplo. No entanto, cinco anos depois, nascia Pumpkinhead II - O Retorno, lançado direto no mercado de vídeo. Atualmente o mercado de vídeo não é uma zona tão sombria por causa das plataformas online e video on demand, mas naquela época significava a morte do potencial de uma franquia. Infelizmente, essa segunda parte foi tão ruim que eles só se aventuraram a produzir novas sequências mais de uma década depois, provavelmente na esperança que todos tenham esquecido essa bomba.

A trama começava com um grupo de jovens mauricinhos perseguindo um garoto deformado. Sua mãe até tenta gritar para que ele escapasse, mas tudo foi em vão. Os jovens torturam e fazem chacota do garoto até matá-lo brutalmente. Décadas mais tarde, um novo grupo de jovens está procurando um pouco de emoção. Depois de atropelar uma velha, eles decidem ir até a casa dela para saber sobre o seu paradeiro. Quando encontram todo o tipo de coisas bizarras em sua cabana, os jovens encontram um feitiço que supostamente tem o poder de levantar os mortos. Brincando com o perigo, eles tentam realizá-lo. Aparentemente nada acontece, mas a cabana pega fogo com a velha dentro, causando um acidente mortal. Agora, as consequências dos seus atos terão um preço caro quando o demônio Pumpkinhead voltar dos mortos para vingar aqueles que se comportaram mal.

O primeiro aspecto que devemos ressaltar é que essa sequência não tem nada a ver com o filme anterior. Toda a trama é completamente diferente, deixando de fora alguns dos elementos e cenários mais icônicos do original. Apesar do subtítulo nacional ressaltar "O Retorno", não é o Pumpkinhead original que retorna dos mortos; é outra coisa, cuja explicação é tão ridícula que eu senti vergonha alheia quando eles revelaram. A trama geral desta sequência está, na verdade, conectada com o seu flashback inicial – o injusto assassinato do menino deformado. Pouca coisa faz sentido, para falar a verdade. Além disso, a trama demora um século para realmente decolar, só passando a eliminar os jovens perto dos seus 10 minutos finais (!).

Um dos principais problemas com este filme é que não conseguimos nos importar com nenhum dos personagens. A relação do xerife com a sua filha não chega aos pés do relacionamento entre pai e filho do primeiro filme. A garota, que é a protagonista desta segunda parte, consegue ser uma das personagens mais irritantes da trama. Conhece um bando de jovens rebeldes em um dia, e no outro já está fazendo um bando de coisas estúpidas ao lado deles, como se fossem melhores amigos a vida inteira. O resto dos jovens em si nem se fala; desde o primeiro momento, desejamos que sejam retalhados o mais depressa possível, mas a punição demora muito mais do que esperávamos. Sem ter ninguém com quem possamos nos relacionar, passamos a torcer pela criatura, mas quando nem mesmo boas cenas de morte ela consegue nos entregar, o filme se torna apenas um tédio visual decepcionante.

Um dos poucos pontos positivos desta sequência gira em torno dos seus efeitos práticos, que continuam sendo bem feitos – ainda que não sejam tão impressionantes quanto os do primeiro filme. Pumpkinhead está um pouco diferente, o que é aceitável se considerarmos que se trata de uma criatura completamente diferente que a do filme anterior. Só fico triste porque o roteiro perde a oportunidade de expandir os conceitos já apresentados pelo roteiro original, e acaba jogando no lixo toda a mitologia que já havia sido muito bem pensada. Ao invés disso, acrescenta um bando de elementos que não só não fazem o menor sentido, como também são porcamente desenvolvidos. O Pumpkinhead teve um filho? Quem pensou que essa seria uma excelente história para ser contada? Ainda mais quando a própria franquia ainda tinha tanto potencial para se aprofundado.

O sentimento ao final desta segunda parte se define com apenas uma palavra: decepção. Imediatamente entendi porque a franquia permaneceu tanto tempo intocada e afastada do grande público. É chocante que eles tenham falhado em tantos pontos ao mesmo tempo; é como se estivessem tentando mesmo produzir o pior filme possível. É uma pena para a franquia em geral, que foi jogada direto no abismo do esquecimento depois deste capítulo. Vale destacar, no entanto, que apesar dos próximos dois filmes não serem realmente bons, eles ganham o mérito por tentarem se aproximar da mitologia original, ignorando completamente essa segunda parte. Não recomendo Pumpkinhead - O Retorno a ninguém; nem mesmo a quem está fazendo uma maratona da franquia, afinal de contas, sua trama é dispensável e completamente desconexa com os demais capítulos. Corram para as colinas, e deixem este Pumpkinhead enterrado, exatamente onde ele merece estar.


Trailer:

Compartilhe
  • Share to Facebook
  • Share to Twitter
  • Share to Google+
  • Share to Stumble Upon
  • Share to Evernote
  • Share to Blogger
  • Share to Email
  • Share to Yahoo Messenger
  • More...
Comentários
0 Comentários

0 comentários:

Postar um comentário