domingo, 28 de agosto de 2016

Crítica | Pumpkinhead - De Volta das Cinzas


Direção: Jake West
Ano: 2006
País: UK | Romênia | EUA
Duração: 91 minutos
Título original: Pumpkinhead: Ashes to Ashes

Crítica:

Morto, enterrado e de volta com uma vingança.

Depois que a segunda parte da franquia detonou qualquer chance de um futuro decente, todos pensaram que Pumpkinhead estava morto de vez, mas eis que ele surge mais de 10 anos depois com duas novas sequências, que foram filmadas simultaneamente para poupar os recursos – exatamente como fizeram com os dois últimos filmes da franquia Anaconda, que também foram filmadas na Romênia, tendo a mesma produtora, Stage 6, por trás do seu desenvolvimento. Pumpkinhead - De Volta das Cinzas pode não ser tão terrível quanto o filme anterior, mas também está longe de ser considerado um bom filme. No entanto, vale ressaltar que esta sequência tem os seus pontos positivos, apesar dos negativos conseguirem ofuscá-los em alguns momentos.

Na trama, um grupo de traficantes de órgãos tem sua operação exposta depois que uma de suas vítimas consegue escapar e conseguir ajuda. Logo, a polícia apreende alguns deles, enquanto consegue resgatar dezenas de corpos do local. Os moradores da pequena cidade não recebem a notícia muito bem, principalmente depois que descobrem parentes dentre os mortos. Com um ódio insaciável no coração, quatro deles vão até a casa de uma anciã, que fica no meio da floresta, para buscar uma vingança. Juntos, eles libertam o demônio Pumpkinhead para ir atrás daqueles que os fizeram mal, ignorando as consequências de perderem suas próprias almas no processo. Agora, tanto os bandidos quanto os que buscam vingança terão que lidar com as consequências dos seus atos, que prometem ser mortais para ambos os lados.

O maior acerto dessa sequência é tentar conectá-la diretamente com o original. A mitologia, completamente ignorada na segunda parte, volta a ficar em foco; inclusive trazendo o retorno do ator Lance Henriksen, que foi o protagonista do primeiro filme. Agora, sendo um fantasma, ele avisa sobre os perigos para um dos personagens através de alucinações. Não fazia muito sentido isso acontecer, mas depois de uma reviravolta bem legal do roteiro, acabamos sendo presenteados com mais uma ligação direta com o primeiro filme, trazendo mais um dos personagens icônicos da produção de 1988. É uma pena que o roteiro em si é bastante fraco, sendo incapaz de fazer com que nos importemos com nenhum dos personagens – nem mesmo os que já conhecíamos e gostávamos do original (!). A participação especial do Henriksen também poderia ter tido mais destaque; algo que eles desenvolveram melhor no quarto filme da franquia.

Um dos principais pontos que contribuem para o fracasso da produção é a falta de identificação com nenhum dos personagens. Não conseguimos sentir nada pelos que buscam vingança, e muito menos aqueles que estão sendo caçados pela criatura. Se eles só roubassem órgãos já seria difícil de engolir, mas o roteiro ainda faz questão de introduzir um assassinato a sangue frio logo no início do filme, o que jogada no lixo qualquer tipo de redenção que esses personagens poderiam eventualmente ter. E o pior é que a maioria do roteiro foca justamente nos perseguidos – que já eram um caso perdido –, sem dar o destaque necessário para que possamos nos identificar com quem busca a vingança. Por fim, ainda tem o fato de que são quatro personagens distintos que fazem o pacto com o demônio. É um conceito diferente, mas acaba faltando desenvolvimento de todos eles.

Na maior parte do tempo, a criatura é feita através de efeitos práticos, e está bem diferente do design original. Além de não ter movimentos tão impressionais, a cor da criatura está muito mais escura; quase preta. Mas, como já disse na crítica da segunda parte, mudanças são justificáveis se considerarmos que cada criatura é única de acordo com a mitologia da própria franquia. O que é imperdoável mesmo é o uso de CGI – os famigerados efeitos digitais – na concepção da criatura em algumas cenas. Não sou contra efeitos de computação gráfica, mas nesta sequência eles são usados em excesso, de uma forma completamente desnecessária e, principalmente, de péssima qualidade. Senti uma vergonha alheia enorme, e me lembrou dos mesmos efeitos ridículos usados nos já citados dois últimos filmes da franquia Anaconda.

Enfim, apreciei o esforço dos roteiristas de tentarem colocar a franquia de volta nos trilhos, resgatando não só a mitologia do original, como também alguns dos seus personagens – chegando a mostrar até mesmo cenas do filme de 1988 em forma de flashbacks, que foram muito bem-vindas –, mas o resultado final ficou muito abaixo do esperado. Sabia que não podia esperar muita coisa de um filme que novamente foi feito direto para TV, mas alguns erros óbvios poderiam facilmente ter sido evitados; com alguns reparos e um pouco de bom senso, esta terceira parte poderia até ter sido divertida. Apesar de tudo isso, foi bem melhor que a segunda parte, porque essa pelo menos tentou. Considerando que o quarto filme foi filmado simultaneamente, não esperava algo muito melhor, mas confesso que fiquei curioso para saber onde eles levariam a franquia a seguir.


Trailer:

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