sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Crítica | 47 Meters Down


Direção: Johannes Roberts
Ano: 2016
País: UK
Duração: 87 minutos
Título original: In the Deep | 47 Meters Down

Crítica:

Sem ajuda acima. Sem esperança abaixo.

Depois de anos sem um lançamento decente sobre tubarões, temos não só um, como dois filmes abordando o tema no mesmo ano. Porém, enquanto Águas Rasas mantém sua protagonista acima da água, cercada em um coral, In the Deep segue uma proposta completamente contrária, com as suas protagonistas presas 47 metros abaixo da superfície, no fundo do oceano. Tirando esse paralelismo, não dá para compará-los porque ambos os filmes seguem por caminhos diferentes, mantendo sua própria identidade com os seus argumentos distintos. De fato, o desfecho de cada produção é responsável por afastá-las ainda mais uma da outra; enquanto uma segue um caminho mais fantasioso, a outra opta por um final mais próximo da realidade. Se há algo que ambos os filmes têm em comum é o fato de serem produções sólidas que dão o fôlego necessário que este subgênero tão desesperadamente necessitava.

Na trama, duas irmãs, Lisa e Kate, viajam para o México depois que Lisa é largada pelo noivo. Ele a acusou de ser entediante, e sua irmã está disposta a fazê-la provar o contrário. Elas decidem então nadar com os tubarões, seguras dentro de uma gaiola de aço. Porém, quando o cabo que as prendiam ao barco arrebenta, as duas são arrastadas direto para o fundo do oceano, a 47 metros da superfície. Agora, fora do alcance de comunicação, cercadas por tubarões e com uma reserva limitada de oxigênio, as duas terão que se unir para saírem com vida dessa situação mortal. O grande problema, no entanto, gira em torno da pressão atmosférica, que as matará caso elas emerjam rápido demais. Para subirem à superfície, elas teriam que parar por diversos minutos no meio do oceano, sem grade de proteção e à mercê dos predadores ao seu redor. Nesta situação desesperadora, cada decisão pode custar sua vida e cada respiração pode ser a última.

O filme foca a maior parte do tempo nas duas personagens principais, dividindo a tela no desespero da dupla tentando a todo custo sair daquela situação. O enredo, por si só, é bastante tenso! Imaginem vocês ficarem presos no fundo do oceano, sem assistência, o conhecimento necessário e cercados por tubarões? Acredito que qualquer um surtaria nesta situação, então quando as personagens perdem sua cabeça logo no começo de sua jornada de terror, é extremamente compreensível; mesmo que você esteja apontando racionalmente no conforto da sua casa sobre o gasto desnecessário de oxigênio. O mais interessante é que o desenvolvimento do filme nunca fica cansativo porque o roteiro soube introduzir diversas situações para que as protagonistas tivessem que cair da gaiola de proteção.

É justamente nesses momentos em que elas estão desprotegidas que o diretor consegue criar um excelente clima de suspense. Ao fazer uso de ataques repentinos, ficamos com a sensação de que um tubarão pode aparecer e matá-las a qualquer momento. O fundo do oceano, com as suas águas turvas e ambiente escuro, ajudam na criação do clima tenso, contribuindo para os ataques surpresa. O fato do enredo apresentar duas personagens ao invés de uma também acrescenta no suspense, já que uma delas pode morrer a qualquer momento, deixando para a outra continuar o filme. Essa sensação não se encontra em Águas Rasas, por exemplo; ficamos tensos sim, mas sabemos que o roteiro precisa da personagem até o final para desenvolver sua história, logo, ela não irá morrer a qualquer momento. E é justamente essa sensação de morte pairando no ar que nos deixa apreensivos toda vez que uma delas sai da gaiola.

Apesar de ser um filme de baixo orçamento, In the Deep tem uma excelente produção. Os tubarões estão muito bem feitos, assim como os ataques brutais – especialmente na reta final, onde temos algumas das melhores sequências do filme. A produção é encabeçada pelos conhecidos rostos de Mandy Moore (do icônico Um Amor para Recordar) e Claire Holt (da série The Originals), e ambas estão muito bem em seus respectivos papéis. O único ponto que eu realmente não gostei foi o desfecho, marcado por uma reviravolta que não precisava existir. Apesar de ser uma manobra inteligente do roteiro, também é responsável por jogar no lixo alguns dos melhores momentos do filme, além de quebrar o desenvolvimento pessoal de uma das personagens. Pelo menos serve para preencher alguns dos buracos deixados pelo enredo, seguindo um caminho bem mais realista.

Sei que muitos irão adorar o desfecho, mesmo que à primeira vista eu não tenha encarado com bons olhos. E o fato é que os últimos minutos estão longe de estragar os ótimos momentos que filme nos proporcionou. No final de tudo, In the Deep é um filme sólido e extremamente tenso, e representa muito bem o gênero. Não merece ficar à sombra do já citado Águas Rasas, porque, como já disse no início do texto, ambos constroem suas próprias identidades. Tenho certeza que os que gostam de filmes envolvendo animais assassinos irão adorar essa nova produção e ficar sem fôlego, assim como as suas personagens. Espero que novas produções sejam lançadas nos próximos anos, mas desde já fico satisfeito porque este ano foi muito bem representado.


Trailer:

Não há nenhum vídeo oficial até o momento.
Assim que for liberado, atualizaremos.
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Comentários
5 Comentários

Comentário(s)

5 comentários:

  1. Tem em algum site pra baixar? Quero muito ver! 😐

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  2. tambem gostei do filme, nao precisava daquela reviravolta mas, aceitei que doeu menos, kkkkkk
    ótima critica, temos o gosto parecido.
    PARABENS

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    Respostas
    1. Também na primeira vez que vi não queria aceitar naquilo. Mas hj fui ver pela segunda vez, e um detalhe que passou despercebido. Quando mandam o ar reserva, a kate coloca os sinalizadores num bolso e ela nao menciona isso pra Lisa. E quando elas estão subindo na suposta alucinação da Lisa ela faz uso dos sinalizadores que estavam no bolso da Kate. Então acredito que a alucinação começa após as duas subirem no barco. Outra coisa também que percebi foi que o rádio começou a funcionar do nada nos 47 metros? Sendo que no início elas têm que subir um pouco para conseguir fazer contato.

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