quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Crítica | Batman vs Superman: A Origem da Justiça


Direção: Zack Snyder
Ano: 2016
País: EUA
Duração: 183 minutos (Ultimate Edition)
Título original: Batman v Superman: Dawn of Justice

Crítica:

Quem irá vencer?

Com a Marvel já entrando na terceira fase do seu plano de lançamento, a DC Comics está apenas começando a apresentar o seu recém-criado universo estendido. O pontapé inicial veio através do filme O Homem de Aço, há alguns anos atrás, e, ao invés de explorar novos títulos, o segundo lançamento escolhido foi sua continuação direta, Batman vs Superman: A Origem da Justiça. Nota-se, no entanto, que todos os planos futuros da produtora estavam à mercê do desempenho deste filme – para vocês terem ideia do tamanho da pressão em que ele se encontrava. O fato é que esta continuação apostou pesado ao apresentar alguns dos rostos mais conhecidos do gênero, além da promessa de uma batalha épica entre dois eles – como indica o título. As expectativas estavam altas, mas será que elas foram atendidas?

Na trama, o confronto entre Superman e Zod em Metropolis fez com que a população mundial se dividisse acerca da existência de extraterrestres na Terra. Enquanto muitos consideram o Superman como um novo deus, há aqueles que consideram extremamente perigoso que haja um ser tão poderoso sem qualquer tipo de controle. Bruce Wayne é um dos que acreditam nesta segunda hipótese. Sob o manto de um Batman violento e obcecado, ele investiga o laboratório de Lex Luthor, que descobriu uma pedra verde que consegue eliminar e enfraquecer os filhos de Krypton. Agora, enquanto cegos por uma força manipuladora e colocados um contra o outro, uma nova ameaça surge rapidamente, colocando o futuro da humanidade novamente em jogo; uma ameaça tão poderosa que um homem apenas não conseguirá contê-la.

A DC tem enfrentado sérios problemas em relação às críticas de seus recentes lançamentos – nem mesmo Esquadrão Suicida escapou das enxurradas de reações negativas. Uma das queixas mais recorrentes em relação a este filme foi ao seu ritmo frenético, sem espaço para o desenvolvimento dos seus personagens. Para controlar o estrago, a Warner anunciou que lançaria em DVD a Versão Definitiva do filme, que contaria com 30 minutos a mais de duração. Esta é a versão que eu assisti, então fiquem todos cientes que este texto era baseado exclusivamente nela. Não tenho a intenção de detalhar as diferenças entre as duas versões, até porque, não conferi a edição exibida nos cinemas; e nem pretendo. Dito isto, vamos nos aprofundar nos pontos do filme dignos de nota.

Seguindo a nova cartilha das novas produções da DC Comics, Batman vs Superman: A Origem da Justiça traz um tom sombrio e sério, sem espaço para as costumeiras piadinhas típicas dos filmes da Marvel. O problema é que esse clima pesa demais em uma produção com três horas de duração; torna-se cansativo. É por isso que um dos maiores destaques da trama acaba se tornando introdução do ator Jesse Eisenberg na pele do arqui-inimigo do Superman, Lex Luthor, que está deliciosamente insano no papel do vilão. O ator Ben Affleck, cuja inicial escalação despertou o ódio de toda internet, se saiu muito bem interpretando o cavaleiro das trevas; seu Batman está surpreendentemente mais ágil do que o normal, talvez para tentar nivelar o nível entre ele e o seu oponente.

Apesar de estar bem no papel, a crescente obsessão do personagem em acabar com o Superman não faz o menor sentido. O roteiro faz um péssimo trabalho ao desenvolver os motivos para tal confronto, especialmente porque, ao final, parece que estamos assistindo apenas uma briga de egos. Chega até a ser risível o Batman falar sobre os "crimes" do Superman quando ele mesmo faz coisas muito piores pelas ruas de Gotham. O cavaleiro das trevas aponta os seus dedos da justiça enquanto mata e explode sem remorsos o que estiver em seu caminho. O enredo apresenta vários elementos que só serão explicados em futuras produções, mas dá para entender um pouco sobre o passado trágico do personagem. Em especial uma cena em que mostra o traje do Robin, seu antigo parceiro, pichado pelo coringa.

No meio de toda essa mistura, ainda somos apresentados à Mulher-Maravilha – cujo filme solo será lançado no próximo ano –, e algumas outras participações especiais. Destaco a introdução do Ezra Miller como o Flash, que é apresentado em uma cena rápida, mas significativa, porque remete diretamente acontecimentos que ainda virão a acontecer – graças a sua habilidade de viajar no tempo. O fato é que essa cena, ao lado de outros elementos soltos no decorrer do filme, mostram um adiantado planejamento neste novo universo. O enredo não sente a necessidade de explicar tudo de forma imediata para o espectador, sendo este filme apenas uma peça do quebra-cabeça ao qual ainda seremos apresentados. Enfim, muita gente se mostrou descrente em torno desta versão mais longa, argumentando que 30 minutos não mudariam o resultado final. Porém, devemos levar em consideração que 30 minutos correspondem basicamente a 1/3 de um filme normal. Pelo que li em torno do senso comum, parece que esse tempo extra realmente fez a diferença; e, ainda que não o tenha tornado um filme impecável, certamente o tornou um filme superior.


Trailer Legendado:

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