domingo, 10 de julho de 2016

Crítica | Kung Fury


Direção: David Sandberg
Ano: 2015
País: Suécia
Duração: 31 minutos
Título Original: Kung Fury

Crítica:

É preciso um policial do futuro para combater um inimigo do passado.

O que dizer de um filme que envolve kung fu, profecias, viagem no tempo, dinossauros, Hitler, deuses, guias espirituais, robôs, e todo tipo que coisa doida que se possa imaginar? Essa é a proposta de Kung Fury, um curta metragem de aproximadamente 30 minutos, mas que apresenta conteúdo suficiente para um filme completo. Obviamente toda a proposta é uma exaltação ao ridículo, montada com cenas extremamente absurdas – porém, divertidas. Como fã de produções trash, eu não poderia ter apreciado mais! O que não falta é violência e homenagens aos filmes clássicos do gênero – especialmente os antigos protagonizados pelo Arnold Schwarzenegger –, montadas nesta maravilhosa sátira de ação.

Na trama, ambientada em 1985, acompanhamos a queda e ascensão de um policial comum. Na mesma noite em que seu parceiro é brutalmente cortado em dois, ele recebe poderes extraordinários, tornando-se o maior mestre do Kung Fu de todos os tempos – dominando uma técnica profética que apenas o escolhido poderia dominar, tornando-se assim o Kung Fury. Depois de uma série de ataques de um robô descontrolado que causou uma verdadeira chacina na cidade, ele decide voltar no tempo para destruir o maior inimigo da humanidade, Hitler. Porém, sua jornada não será fácil e ele contará com uma ajuda pré-histórica para acabar com todos os malditos nazistas que encontrar pela frente.

Estava eu passando as opções na Netflix quando me deparei com uma imagem super bizarra; humanos, dinossauros, dinossauros-humanos, humanos montados em dinossauros e Hitler. Achei aquilo uma insanidade total, então é óbvio que eu tinha que ver. Desde os primeiros minutos, é uma cena mirabolante maior que a outra. Muitas explosões, mortes para todos os lados e violência. Destaco a tal cena do parceiro do protagonista sendo cortado em dois por uma espada, que pessoalmente eu achei muito bem feita – inclusive dá para ver as partes separadas respirando enquanto o corpo dele fica estendido no chão. Floreta do Mal: Caminho da Morte, por exemplo, apresentou uma cena parecida e foi uma vergonha total.

E o que mais impressiona em torno desse curta é que ele teve um orçamento de apenas 600 mil dólares. Esse dinheiro foi arrecadado através de uma bem-sucedida campanha no Kickstarter, cujo objetivo inicial era arrecadar 200 mil, mas devido o seu sucesso, o projeto sofreu uma expansão. Não posso dizer que todos os efeitos são sensacionais, até porque, alguns obviamente foram feitos para ser trash de propósito, mas algumas sequências realmente conseguiram me impressionar. Os efeitos visuais do tiranossauro-rex no final do filme colocam qualquer produção do SyFy no chinelo. Talvez o filtro dando um efeito de antigo/VHS tenha ajudado na autenticidade dos efeitos visuais, mais ainda assim, eles conseguiram fazer bastante com tão pouco dinheiro – ainda mais se considerarmos a os grandes blockbusters atuais não saem por menos de 100 milhões.

Curiosamente, o diretor gastou 5 mil do seu próprio bolso para produzir o trailer do filme. O vídeo, contendo pouco mais de dois minutos, foi o chamariz para possíveis investidores no projeto. É por esse motivo que uma das atrizes, que interpretava Barbarianna – referência óbvia ao clássico Conan, o Bárbaro –, foi substituída no curta completo, uma vez que ela não estava disponível para gravar cenas adicionais. Não posso deixar de falar sobre as frases de efeito proferidas antes/depois de algumas mortes, que são absolutamente hilárias.

Enfim, pessoal, foi uma ótima sátira do gênero. De fato, parecia mesmo que estava assistindo um filme antigo ripado diretamente de um VHS – trazendo ainda mais autenticidade do que a sessão dupla de Grindhouse, do Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. Se você gosta de trash, besteirol e está procurando algo extremamente nonsense para passar meia hora com muita morte, tiros e movimentos fakes de kung fu, dê uma chance a este curta. Se você já achou ruim quando eu falei "dinossauros", corra para a colina mais longe ao invés de conferir e depois vir me xingar. Por causa da boa recepção do curta, o criador agora planeja produzir um longa com os mesmos personagens, apesar de ainda não ficar claro se será uma sequência ou uma extensão desses 30 minutos. Desde já, aguardo ansiosamente montado no meu T-Rex.

"Nenhum dinossauro foi extinto durante a realização deste filme".


Trailer:

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