segunda-feira, 4 de julho de 2016

Crítica | Dead of Summer - 1x01/02: Patience / Barney Rubble Eyes (Series Premiere)


Sejam bem vindos ao acampamento de verão!

Review: 
(Spoilers Abaixo)

Chega nas nossas vidas mais uma série terror teen, gênero esse que de um tempo pra cá vem fazendo bastante sucesso entre os jovens que muitas vezes são introduzidos ao mundo do "terror" por meio destas produções que na maioria das vezes são muito mais sobre adolescentes e seus problemas do que necessariamente sobre o "horror" em si. Dead of Summer apresenta uma proposta arriscada porque mistura inúmeros aspectos do terror, pequenas coisas vistas em outras produções dos mais diferentes tipos. Assim sendo, pode ser que tudo dê certo ou que tudo não passe de uma perda de tempo.

Vamos começar pelos pontos positivos da série. DoS se passa no ano de 1989 num acampamento de férias e só nisso, antes da estreia, eu já estava ansioso para conferir o material. Se comparado com outras séries do gênero, DoS tem um alto potencial por trabalhar com a história em um tempo onde a comunicação não era necessariamente uma coisa fácil. É muito mais interessante assistir a personagens numa correria no meio do nada, sabendo que não tem como pedir ajuda do que assistir pessoas correndo no meio da cidade com telefones celulares no bolso (Scream, estou falando de você). É cativante precisamente porque o show terá a oportunidade de verdadeiramente deixar os protagonistas isolados e sem ajuda, fato bem mais complicado quando as séries se passam nos dias atuais e nos centros urbanos.

Esse argumento é válido justamente porque quando os personagens forem morrendo é muito mais fácil de se acreditar que os outros não sabem do paradeiro do mesmo. Enquanto outras produções nesse estilo tem que inventar explicações mirabolantes para não fazerem seus protagonistas se questionarem do sumiço de seus amigos, aqui é muito mais crível que depois que alguém vai embora e não entra em contato esse mesmo continua vivo em sua casinha.

É engraçado também ver os jovens estereotipados dentro da produção, ou seja, você realmente está vendo um filme slasher dos anos 80. Temos a mocinha sem graça e pura (não tão pura assim) o galã conquistador, a promíscua que acha que todo mundo quer dormir com ela, o menino que quer dormir com todo mundo, o gay, o garoto da câmera meio stalker, o policial novato que será o par da mocinha e por aí vai. Aqui, felizmente, estes rótulos funcionam já que a proposta inicial é realmente essa, mas enquanto filmes não tem tempo e nem paciência para desenvolver os personagens, uma série com dez episódios (o total confirmado até agora) por obrigação deve aprofundar as características dos sobreviventes, mostrando que ninguém é bom ou mau o tempo todo (Scream, estou falando com você de novo).

Um ponto positivo à parte é a trilha sonora e a ambientação, que são um verdadeiro show - Não tem como assistir e não pensar em Sexta-Feira 13. A produção acerta muito na escolha das músicas para pano de fundo e dos sons na hora do suspense, o mesmo vale para o figurino, que lembra muito os anos 80. Nada muito gritante como ombreiras ou algo parecido, mas as linhas, as cores, os cabelos, o tom, está tudo lá e funciona porque não é algo que diga "Oi, estamos nos anos 80 e vamos te relembrar disso a toda nova cena", mas são sutilezas que respeitam a inteligência dos espectadores.


Como pontos negativos temos a história em si. Desculpa produtores, mas o que vocês tem na cabeça para colocar fantasmas num acampamento? Todos sabemos que assassinos funcionam muito mais e melhor. Nestes dois primeiros episódios já é percebido que o que vai atormentar a vida dos personagens são assombrações e bruxarias, até mesmo cultos satanistas que começam a ser apresentados. O cuidado que deve ser tomado se comparado com uma história de psicopatas tem que ser muito maior, porque Jason era fácil de se explicar: um louco no meio do mato matando tudo o que se move. Já com fantasmas e tudo o mais, os pontos a serem observados são outros - Por que com eles? Por que agora? Quem são aqueles punks com restos humanos? O que eles pretendem? O que os fantasmas querem? Quem é o "homem alto"? Entre outras inúmeras perguntas que necessariamente devem ser respondidas.

Outro fato que não ficou bem claro são os fantasmas pessoais dos personagens. Já ficou evidente que todos lá possuem um passado conturbado com motivações diversas para se encontrarem lá. Dois dos protagonistas que foram foco neste início foram perturbados por coisas do passado e viram e viveram coisas estranhas, o que é deixado meio sem explicação. Eles estão vendo realmente aquilo tudo ou estão sendo assombrados por erros do passado? Até porque não faz sentido que cada um traga um fantasma consigo quando já temos uma cota suficiente dentro do acampamento.

No final do segundo episódio é curioso ressaltar que o gancho deixado meio que já mostra que os roteiristas não terão medo de se desfazer de seus personagens (Scream, mais uma vez olá), já que o que parece é que não basta você estar nas fotos de divulgação para necessariamente sair vivo. Espero que se o show faça sucesso e seja renovado, não tenha medo de investir no suspense, em perseguições e mortes de rostos importantes, porque ninguém aguenta ver uma temporada com mortes apenas de figurantes e o elenco todo sair vivo para um segundo ano.

Agora a maior preocupação envolve a emissora em si. A Freeform (Antiga ABC Family) é um canal primordialmente voltado para a família, ou seja, os telespectadores vão de crianças a idosos e isso preocupa pelo conteúdo e proposta da série. Uma série de terror que se preze tem lá seus momentos de goore e não sei se a emissora foi a melhor escolhida para produzir e transmitir Dead of Summer justamente por o show não ser em sua premissa voltada para todos os públicos. O problema é que assim sendo é bem provável que a produção invista muito mais em dramas bobos (Pretty Little Liars, estou falando com você) do que no terror necessariamente dito. Seria mais interessante se fosse a FX ou mesmo HBO quem produzissem o show. Sem contar que a Freeform tem a mania chata de produzir temporadas intermináveis para lucrar o possível e o impossível, e um show assim não tem história que vá se sustentar, por exemplo, em mais de vinte episódios (PLL hello de novo), e 8, 10 ou no máximo 13 episódios por temporada é mais que suficiente.

Apesar de ser notado desde os minutos iniciais que a série será teen em sua raiz mais profunda, os dois primeiros episódios cumprem o que prometem e apresentam sua história de forma adequada: temos morte, explosão, fantasmas, bruxaria, correria, animal morto encontrado no meio do mato, adolescentes nadando seminus no meio da noite e enigmas suficientes para sustentar um pouco mais do mistério da temporada. Esperemos que a série saiba medir suas investidas e tenha coragem de assumir um posicionamento firme sobre o que quer contar e por onde quer seguir e principalmente saiba manter o interesse de nós espectadores. Agora é esperar pra ver o que a lenda deste acampamento ainda nos guarda.
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1 comentários:

  1. Ótima crítica, eu gostei muito do episódio piloto espero que a série dê certo e seja superior a scream.

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