sábado, 4 de junho de 2016

[Crítica] South of Hell - 1ª Temporada


Status: Indefinido
Duração: 45 minutos
Nº de episódios: 8 episódios
Exibição: 2015
Emissora: WE tv 

Crítica:

Todos nós temos os nossos demônios.

Com novas plataformas investindo em produções originais, cada vez mais produções do gênero ganham vida. E o mais novo exemplo disso é South of Hell, produção original do canal WE tv – que teve uma exibição um tanto peculiar. Todos os episódios foram lançados no mesmo dia, como uma espécie de maratona. No entanto, aparentemente os dois últimos episódios só foram liberados para quem comprou a temporada no iTunes. Sem dúvidas uma jogada duvidosa por parte da emissora, especialmente quando a série já não é lá essas coisas. Aliás, pouco foi comentado a respeito da produção na internet – o que é bem estranho. Parece que South of Hell foi jogada no inferno do esquecimento e nem os envolvidos voltaram para anunciar um possível cancelamento.

Na trama, Maria Abascal é uma caçadora de demônios que trabalha ao lado de seu irmão David, um viciado em heroína e em mulheres perturbadas. No entanto, Maria também carrega um demônio dentro de si. Literalmente. Seu nome é Abigail, e ela se alimenta da energia dos demônios que Maria consegue exorcizar de outros hospedeiros. Essa estranha parceria será testada quando Enos, um poderoso demônio, juntar todas as suas forças para acabar com as duas. Através de uma seita satânica, ele ganha o poder necessário para comandar outros demônios, com o objetivo de acabar com a ameaça que ronda os seus objetivos. Agora, apesar do seu desejo de se livrar de Abigail, Maria terá que se unir a ela, em uma batalha em que elas só poderão vencer se estiverem juntas. De corpo e alma.

O conceito de um exorcista sendo possuído não é novo; filmes como O Ritual e até mesmo o clássico O Exorcista já nos mostraram isso. No entanto, um exorcista que trabalha junto com o seu demônio para libertar outros possuídos é um conceito que chamou muito a minha atenção. Infelizmente, South of Hell não soube desenvolvê-lo sabiamente. Os roteiristas desperdiçaram esse plot, deixando-o como plano de fundo, preferindo investir em personagens sem carisma, interpretados por atores sem talento. Eles deviam ter priorizado o desenvolvimento da relação entre a Maria e a Abigail, que são um dos poucos pontos positivos do enredo. Tudo a respeito dessa série parece tosco e antiquado. No final das contas, South of Hell parece apenas uma produção ruim dos anos 90.

Deixe-me logo tirar isso do meu peito: essa série tem o que pode ser considerado uma das piores narrações na história do entretenimento. O recurso, conhecido como voice-over, é completamente desnecessário, não acrescenta em nada à trama e ainda consegue irritar/desestimular os seus espectadores. Todos os episódios são narrados do ponto de vista do David, que não tem absolutamente nada de interessante para compartilhar, afinal de contas, ele não é o personagem chave da trama. Se eles realmente não quisessem abrir mão do recurso, podiam ter passado a narração para a Maria – ou até mesmo a atrevida da Abigail, até porque ela certamente poderia nos passar alguns insights que valorizariam o ponto de vista do espectador.

Fica claro, desde o começo da série, que eles não investiram muito em produção. A série parece extremamente barata e, por vezes, até mal feita e editada. Os aspectos técnicos são sofríveis, assim como os efeitos visuais – que são usados de forma recorrente, mesmo quando não necessários. Há diversas sequências onde a edição evita mostrar o rosto dos atores quando eles estão falando, e quando suas expressões são focadas, o movimento da boca não bate com suas falas. Há diversas decisões duvidosas que aprendi a aceitar no decorrer da temporada, como as aparições da Abigail. Quando os demônios revelam suas verdadeiras faces, haja vento satânico e um filtro azulado. É engraçado, mas esse é um dos poucos visuais interessantes da produção.

No final das contas, apesar de todos os vários pontos negativos, é inegável que South of Hell tenha mostrado bastante personalidade – mesmo que tenha tentado ser True Blood em alguns momentos. A mitologia, apesar de confusa, ganha forma e profundidade na segunda metade da temporada. Mas isso, devo deixar bem claro, não quer dizer que essa é uma série boa, de fato, está bem longe disso. O roteiro é muito ruim, se leva sério demais e perde tempo investindo em subtramas que nunca levam a lugar algum – como o tal culto satanista que parecia ser a ameaça principal nos primeiros episódios. Apesar de arrastada, há alguns momentos diversos, toscos e trash até a alma, que lembram aquelas produções antigas do gênero. Mas esses momentos são escassos e logo suprimidos pelo roteiro ruim. E o pior de tudo é que a temporada não tem qualquer noção de desfecho, sambando na nossa cara e deixando tudo para um segundo ano que possivelmente nunca irá acontecer. Poderia ter sido uma ótima série, mas foi subjugada pelos seus próprios demônios.

PS. Gosto bastante da abertura, especialmente da música, que chama-se Wild Side, da banda Cross My Heart Hope to Die, cuja letra tem tudo a ver com o estilo e temática da série.

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