segunda-feira, 13 de junho de 2016

Crítica | Celular


Direção: Tod Williams
Ano: 2016
País: EUA
Duração: 98 minutos
Título original: Cell | Signal

» Será distribuído pela Imagem Filmes com o título Celular. Ainda não está claro se o filme terá algum lançamento nos cinemas, mas é provável que chegue direto em DVD.

Crítica:

Quando todos estão conectados, ninguém está seguro.

Baseado em um livro de Stephen King – lançado no Brasil pela Editora Objetiva –, Celular é mais um daqueles filmes que demoraram anos perdido no limbo antes de um lançamento apropriado. Em 2013, uma recém-formada companhia de vendas internacional tentou vender o filme – já filmado – em Cannes, mas não teve sorte em encontrar um distribuidor. Dois anos mais tarde, em 2015, uma distribuidora nova, Clarius Entertainment, comprou os direitos de distribuição nos EUA. No entanto, depois de uma série de fracassos de bilheteria, suas aquisições não lançadas permaneceram no limbo. Foi somente em 2016 que a Saban Films se comprometeu com a distribuição do filme, lançando um material de divulgação apropriado e, enfim, uma data de lançamento.

Na trama, Clay Riddell encontra-se no aeroporto, tentando se comunicar com sua esposa e filho. Seu celular fica sem bateria, então ele é obrigado a usar um telefone público. Não demora muito para gritos desesperadores ecoarem pelo local, seguido de uma correria desenfreada. Logo, Clay percebe que todos que estavam usando seus celulares foram afetados por uma frequência de som desconhecida, transformando-os animais raivosos – parecidos com zumbis –, cujo único objetivo é matar o que veem pela frente. Agora, aliado a um pequeno grupo de sobreviventes, Clay tentará chegar até a sua família, ao mesmo tempo em que tenta se adaptar a este novo mundo, onde ligar para a emergência não é um opção. À medida que avançam, eles irão perceber que os infectados apresentam instintos únicos e parecem estar todos conectados a uma mesma rede. A grande questão que resta é: essa rede pode ser derrubada?

Nunca é um bom sinal quando filmes são negligenciados desta forma e têm o seu lançamento adiado diversas vezes. Celular certamente não é uma exceção à regra; anos de espera e um resultado risível. O filme falha em tantas categorias que fica até difícil saber qual delas foi crucial para o enterro da produção. E o mais triste é que o próprio Stephen King ficou responsável pelo roteiro. Ele o escreveu em 2009, e fez questão de declarar que o final do filme seria diferente que o do livro. Isso aconteceu devido à recepção negativa do desfecho de sua obra. Como eu sou curioso, fui atrás para saber o que causou tamanha revolta por parte dos leitores. Não vou soltar spoilers, mas confesso que também teria ficado com bastante raiva se tivesse lido. Sei que a curiosidade fala alto, então vou poupar o trabalho de vocês. Quem quiser ler sobre o desfecho do livro, clique AQUI. O texto está em inglês, mas, caso você não queira ler tudo, basta pular para o último parágrafo.

Ironicamente, apesar de ter se provado péssimo, Celular até que começa muito bem. A cena do aeroporto é, de longe, a melhor sequência de todo o filme. Mas, desse ponto em diante, o ritmo cai negativamente até chegar ao seu inevitável e apático desfecho. O filme é dirigido por Tod Williams, responsável pelo entediante Atividade Paranormal 2, cuja falta de talento na construção de um clima de suspense torna-se inevitavelmente notável. O roteiro também tem sua parcela de culpa, principalmente por ser tão repetitivo. Os personagens principais fazem diversas paradas, onde são introduzidos novos personagens que em nada acrescentam à trama. E o pior é que a situação em que eles aparecerem em nada remete ao mundo apocalíptico em que se encontram.

O único momento acima média é a sequência inicial do filme, onde o pânico toma conta do aeroporto e as pessoas infectadas começam a espalhar o caos e morte pelo lugar. Tudo acontece muito rápido, violência para todos os lados e um protagonista tentando entender o que está acontecendo. Com esse começo, você pode até criar algumas expectativas em relação ao filme, mas a partir deste momento a trama desce ladeira abaixo. A tensão apresentada nos primeiros minutos do filme nunca consegue ser recuperada, perdendo-se ainda mais com o desenvolver do enredo. É triste ver atores talentosos como Samuel L. Jackson (Do Fundo do Mar) e Isabelle Fuhrman (A Órfã) sendo completamente desperdiçados pelo roteiro. O argumento central do enredo, ou seja, a busca do protagonista, interpretado pelo veterano John Cusack (que estrelou outra adaptação de Stephen King, 1408), pela sua família nunca consegue despertar o nosso interesse.

Depois de uma péssima direção, um roteiro questionável e personagens mal aproveitados, não há muito mais a falar a respeito desse filme. Celular tem a prepotência de querer ser maior do que realmente é, e o seu orçamento deixa transparecer isso. Stephen King trabalhou tanto em um novo final que o filme vem não só com um, mas três desfechos distintos – todos amarrados com uma péssima edição, deixando o espectador se perguntando o que tudo aquilo significou. A cena final não deixa espaço para interpretações abertas, mas apresenta contexto para possíveis discussões (se alguém realmente se importar). Enfim, dá para entender perfeitamente o motivo da demora do lançamento desse filme. Todos os envolvidos sabiam a bomba que tinham nas mãos. Caso o tema tenha interessado vocês, aconselho assistir O Sinal, de 2007. Ambos os filmes têm praticamente a mesma história, mas O Sinal é arrebatador na execução de sua premissa, enquanto Celular devia ter permanecido esquecido e sem sinal.


Trailer Legendado:

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Comentários
3 Comentários

Comentário(s)

3 comentários:

  1. filme horrível, eu esperei pra ver se melhorava mas o final foi pior do que tudo, superou o nevoeiro triste nao assistam nao percam seu tempo

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    Respostas
    1. Concordo, eu também segui vendo pra ver se pelo menos o final fosse bom, mas nem isso... rsrsrs Mas o Nevoeiro eu curti o final!

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  2. Horrivel, péssimo. Pior filme q já assisti

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