sábado, 7 de maio de 2016

[Livro] The Double Me - 4x16: Build God, Then We'll Talk (Season Finale) [+18]

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4x16:Build God, Then We'll Tak
“Deus escreve certo em linhas capitalistas”.
  
Cameron ia de um lado para o outro na sala de estar, o celular colado na orelha.
— Sei que estou atrasado — Dizia ao pai. — Estarei aí em meia hora, só preciso resolver algo antes. — Fez uma breve pausa para ouvir a resposta. — Sei o quanto isso é importante para você, não se preocupe. Também te amo, até logo.
Quando então encerrou a chamada, Alex saiu de trás da estante e o imprensou na parede, o braço direito contra seu pescoço e o olhar a sete centímetros do dele. Com o susto, Cameron acabou deixando cair o aparelho.
— Sempre soube que você gosta quando é selvagem — Sussurrou para Alex, cheio de sorrisos.
— Me dê um motivo para não acabar com você aqui e agora.
— Preciso mesmo lembrar o que você tem a perder?
— Sou rico outra vez.
— Não, sua família é rica — Cameron o empurrou para trás. — Nós dois sabemos que agora não é a mesma coisa.
Nate abriu sorrateiramente a porta do quarto e cruzou os braços.
— Alex, que surpresa agradável. É bom saber que você aprecia plot twists tanto quanto eu.
— Nate? — Alex o encarou assustado. — O que você está fazendo aqui?
— Convidando Cameron para a sabotagem que Mia planejou. Então, vai me contar o que está acontecendo?
Alex olhou para Cameron como se pedisse permissão.
— Diga — Cameron insistiu. — Ele já nos viu juntos.
— Espera, vocês estão juntos? — Nate perguntou enquanto Alex acomodava-se na poltrona em frente à janela. Pelo suspiro esboçado, sabia que estava prestes a fazer uma grande revelação.
E esta não havia mais como esconder.
— Não estamos juntos — Alex respondeu. — Pelo menos, não monogamicamente. Mas tudo foi uma mentira, desde a overdose até o julgamento.
— Eu não entendo — Nate encarou cada um deles pausadamente.
— Há algumas semanas, eu flagrei Cameron me traindo com o paparazzo que ele contratou para publicar na internet algumas fotos forjadas entre mim e ele. Eu tentei consertar as coisas do meu jeito estando ao lado de Mia e Thayer, mas estas eram batalhas que eu nunca poderia vencer. Quando fiquei sabendo que nossos bens seriam congelados e perderíamos a mansão, descobri que poderia ajudar de outro jeito.
— Então ele me ligou ameaçando contar a Frank tudo o que sabia se não o ajudasse — Cameron completou.
— Exatamente. O plano era provocar uma overdose de baixo risco e acusa-lo de tentativa de assassinato para que pudessem provar sua inocência no julgamento e ele recebesse uma boa indenização. Graças a fuga de Simon, nosso dinheiro estava congelado. A única maneira de colocar as mãos em boa parte dele, pelo menos para salvar a mansão, seria obrigar a justiça a indenizar um cidadão lesado pela nossa conduta.
Nate sorriu impressionado. Então Alex arriscou a liberdade de Cameron, a relação com sua família e a própria saúde e reputação para garantir que os Strauss tivessem onde morar? Se já não fossem gêmeos idênticos, esta seria a prova definitiva de que o sangue em suas veias corre quente e feroz.
Apenas uma dúvida incomodava ao gêmeo de olhos verdes.
— Espere. O que você tinha contra Cameron para convencê-lo a passar três semanas na cadeia?
— Simples — Alex sorriu sagaz para seu cúmplice. — Ele não se contenta em fazer, precisa registrar. Um vídeo de sua pasta particular e ele seria deserdado pelo pai. O que são três semanas na cadeia quando você pode perder quinhentos milhões de dólares?
— Parece que você pensou em tudo, menos na possibilidade de Simon se entregar e voltarmos a ser ricos.
— Garanto a você que farei bom uso deste dinheiro na hora certa. E falando nisso... — Alex levantou, de frente para Cameron. — Acho que você tem algo que me pertence.
— É claro — O garoto sorriu.
Tomando a frente, Nate e Alex seguiram-no até a suíte principal. Cameron tomou uma tesoura em mãos,  jogou os lençóis no chão e fez um corte vertical no colchão, do topo a extremidade baixa. De dentro dele tirou uma maleta preta, entregue a Alex sem hesitar.  Quando foi aberta, seus olhos brilharam.
— Quarenta e dois Milhões de dólares — Alex sussurrou, extasiado.
— Cheira a felicidade — Foi a primeira coisa em que Nate pensou. — E Europa.
— Você pode contar se quiser — Cameron disse.
Mas Alex não estava disposto a perder nem mais um minuto naquele quarto.
— Isso não será necessário — Fechou a maleta. — Acredito que você cumprirá o restante do trato.
— Não se preocupe, já tenho uma passagem só de ida para Portugal.
— Isso quer dizer que não se juntará a nós hoje? — Nate perguntou.
— Não. Torço para que tenha o mesmo efeito assistir pelo youtube mais tarde.
— À vontade — deu uma olhadela em seu relógio de pulso. — Alex, agora temos que ir. Mia está esperando.
Com ele à frente, os outros tão-só seguiram-no.
Cameron abriu a porta, mas apenas Nate passou para o lado de fora; Alex ainda precisava tomar a última palavra. E tomaria olhando nos olhos de seu rival, próximo o bastante para sentir o nervosismo em sua respiração.
— Você pode achar que também venceu... — Sussurrou. — Mas está partindo apenas porque eu permiti. Volte à Nova York algum dia e eu farei com que seja enterrado aqui— E passou por ele como um furacão.
— Alex, você é o diabo — Foi só o que Cameron lhe conseguiu responder.
Parado no corredor, de costas para ele, Alex fez nos lábios um sorriso e disse:
— Não, sou apenas o irmão gêmeo dele.
Era uma verdade que Cameron nunca mais contestaria.


Rodeado por meia dúzia de seguranças, Frank deixou seu lugar em meio a plateia e subiu ao púlpito para fazer as honras. A igreja inteira aplaudiu sua chegada, e assim após, fez-se silêncio absoluto à espera de seu discurso.
— Honoré de Balzac uma vez nos disse: “O infortúnio é um degrau para o gênio, uma piscina para o cristão, um tesouro para um homem hábil e um abismo para o fraco”. O hoje nada mais é do que uma fiel concretização de toda sua sabedoria. Não precisamos assimilar de maneira literal, pois há cristãos que ainda não aprenderam a nadar — Hesitou para o coro de risadas automáticas. — Mas a verdade é que somos todos capazes de fazer do infortúnio nosso epítome para a aprendizagem. Com o passar do tempo, o verdadeiro significado do cristianismo foi usurpado, e agora há quem diga que a nossa fé é movida a dinheiro, fama e poder. Se não tivermos voz para nos impor como servos de Deus, obedientes a seus mandamentos, seremos esquecidos. E este não é o mundo para qual gostaríamos de deixar nossos filhos e netos. A inauguração de nosso novo Templo Faith Ministry, hoje à noite, não representa somente nossa fé e fidelidade, mas também nossas pretensões para um futuro onde o Senhor Jesus Cristo possa reinar novamente.
— Amém! — A igreja entoou.
Antes que Frank pudesse completar a próxima frase, ouviu-se o toque de um celular. Depois dois, três, quatro, cinco, dez, vinte. Por mais que tentasse, seu tom de voz mostrou-se ineficaz perto de todos os cochichos e ruídos estridentes. E então a multidão começou a se dispersar. Primeiro um a um, depois em grupos de dois, e até que ficasse insuportável vê-los partir.
— O que está acontecendo? — Finalmente perguntou.
Parecia haver um padrão em todo aquele alvoroço. Olhavam para o celular, julgavam-no com o olhar e iam embora.
— Por favor, fiquem — Pediu. — Aonde estão indo?
— Senhor, temos uma situação no lado de fora — Informou um dos seguranças ao pé do ouvido.
— Vamos — Frank os convocou.
Ao longo do trajeto, do palco à entrada, novamente viu os mesmos olhares decretando-lhe uma sentença. Muita coisa lhe passou pela cabeça vendo seus fiéis subordinados fugindo de seu amparo. Algo lhe disse que não terminaria bem desde o começo, e mesmo assim decidiu conferir com os próprios olhos.
Lá fora um sol escaldante esperava a todos os que deixaram os bancos. Fieis, paparazzi e curiosos amontoavam-se por toda parte, fazendo com que fosse impossível diferencia-los a olho nu. O que estava acontecendo? A resposta estava no celular do segurança da direita, que prontamente mostrou a seu empregador.
No vídeo, o jovem Barry Leighton dava uma entrevista exclusiva para a imprensa de Nova York.
— Frank é um monstro. Ele convenceu a mim e a minha família que seríamos ricos e poderosos se o ajudássemos a destruir a classe homoafetiva da cidade. Ou pelo menos, era assim que ele se referia a todas as nossas vítimas. Me arrependo muito de não ter vindo à polícia antes, mas agora estou aqui, pronto para pagar por meus crimes. Minha família está aqui — Ele apontou para trás, onde um grupo de pessoas prestava depoimento. — E trouxemos vários outros conosco. Chega de impunidade.
Logo depois foi a vez de Viola se expressar.
— Sim, sou filha de Frank Ridell. Por anos ele me manteve incomunicável na Estônia para esconder o fato de que seu filho adotivo, que todos tinham como morto, era na verdade uma transexual. Graças aos irmãos Strauss, não precisarei mais me esconder. Já entreguei a polícia tudo o que precisavam para punir meu pai e seus comparsas e dar um fim a esse ciclo interminável de violência e intolerância. Peço desculpas a todas as pessoas que foram machucadas pelos atos desta seita; todos nós estamos seguros agora. E esta é a América em que viveremos daqui por diante.

Frank sentiu um estranho gosto em sua boca. Entorpecido de sua ruína, levantou o olhar e finalmente os encontrou; Alex, Mia e Nate, observando tudo da calçada do outro lado da rua. Alex com o celular em mãos, registrando o momento decisivo; Nate de braços cruzados e um sorriso travesso no rosto; e Mia curvando-se para mandar um beijo cheio de veneno a seu ex padrasto, com uma mão embaixo dos lábios e o batom vermelho em destaque.
Frank apenas fechou os olhos vagarosamente. Era o fim.
Quando a polícia surgiu, Frank e seus seguranças foram cercados, algemados e levados estritamente até as viaturas que esperavam no acostamento. Frank não tirou os olhos dos trigêmeos em momento algum; tentava intimida-los, preocupa-los, como se já estivesse sonhando com o dia em que terá sua retribuição. Mas graças ao vídeo que Alex disponibilizava ao vivo via internet, sua prisão agora fora imortalizada, e seus dias de criminalidade estavam oficialmente acabados para todas as gerações que viriam.
A comemoração, no entanto, estava apenas começando.
Depois do belo espetáculo que proporcionavam em frente ao novo templo da Faith Ministry, os trigêmeos Strauss convidaram todos os seus amigos para um brinde no bar mais próximo. Havia cerveja, jukebox, e tudo o que a vitória poderia proporcionar.
We did it, motherfuckers! — Nate brindou, e todos os outros foram aos gritos.
Viola, Andy, Kerr, Jensen, estavam todos lá, com um enorme copo de cerveja em mãos. Amber, no canto da mesa, era a única decidida a evitar o álcool naquela gloriosa tarde.
— E tudo graças a Michaela — Andy complementou as felicitações do amigo. — Você tem os olhos do seu irmão, eu deveria saber que era tão maquiavélica quanto ele.
— Depois de tudo o que aconteceu nas últimas semanas, Nate deve ser considerado o bonzinho dos três — Kerr retrucou.
E a mesa inteira soou em gargalhadas. Mesmo insatisfeito em ver o irmão ganhando o título que lhe pertencia há não muito tempo, Alex forçou-se a acompanha-los.  
— Uma pequena atualização — Disse Andy, de celular na mão. — A polícia conseguiu localizar mais de vinte membros dos The Judges que se recusaram a se entregar. E... o vídeo de Frank sendo preso já tem mais de setenta mil acessos.
A notícia desencadeou diversas reações ao redor da mesa. Amber bateu palmas, Kerr e Mia brindaram, e Nate soltou mais palavras de encorajamento e superação enquanto Jensen gritava como um fã no estádio de futebol.
Estavam todos felizes, Alex pensou. Todos não, Thayer não está aqui. E não ficaria surpreso se descobrisse que ele levaria mais algum tempo para voltar a ser feliz.
Nos melhores dias, convencia a si mesmo de que vê-lo vencer o câncer com apenas 18% de chances era o bastante para seguir em frente. Mas era vitória da qual Alex Strauss nunca faria parte. Não estaria mais lá quando fosse a hora de reconstruir sua vida, não estaria lá para ajudá-lo a colher sua autoestima outra vez. Talvez merecesse, talvez não. Talvez Deus existisse, talvez não. O tempo faria com que todos ficassem bem, ainda que houvesse um mundo inteiro separando-os.
Era exatamente o tipo de coisa que não faria falta naquela comemoração.
 Enquanto os rapazes conversavam, Alex aproveitou para afastar-se do grupo e beber sozinho ao lado da jukebox. Uma jovem de cabelos punk coloridos e roupas masculinas parecia estar tendo problemas para escolher suas músicas.
— Maldita máquina! — Golpeou a tela.
— Você é a punkgirl92? — Alex perguntou, de olho na máquina.
— Sim. Como você sabe?
— Você conseguiu — Apontou para o visor. — Sua música é a próxima.
— Sério? — A garota estava incrédula. — Uau, isso não é mesmo a minha praia.
— Se você nasceu em 1992, eu entendo.


Logo depois foram saudados com as batidas viciantes da música selecionada. Uma garota de cabelos ruivos apareceu repentinamente, aos gritos, e levou a outra para o centro da pista de dança, afirmando que aquela era “a sua música”. Formavam um bonito casal aos olhos de Alex, ou algo mais próximo de amigos para a vida inteira como nunca havia tido.
Selecionou uma música na Jukebox, escorou-se na parede e tomou um gole de sua cerveja. Manteve-se afastado do grupo por mais de dez minutos e a única que percebeu fora Mia. Teve certeza disso por todas as vezes em que ela olhou para trás, e agora porque caminhava em sua direção. A boa notícia era que só havia espaço na parede para mais um, e Mia era pequena o bastante para que ambos ficassem confortáveis.
— Você tem razão, o silêncio é mais confortável — Ela sussurrou para ele.
— Mas eu não disse nada.
— Você não precisou. Sabe o nome disso? — Fez sinal com a cabeça para a mesa dos rapazes. — É família. E tudo bem não querer ficar perto dela de vez em quando.
— Eu estava tentando lembrar a última vez em que fui tão estupidamente feliz como eles — Deu um ar de risos depressivo. — Até as lembranças da minha antiga vida com Denise me fogem à mente. Eu não sei o que isso faz de mim.
— Normal?
Alex a avaliou com o olhar.
— Sim. Ou não mais.
— Se você não puder se encontrar, tente procura-lo em mim. Eu sei quem é você e sempre vou ama-lo por isso.
Alex sabia o quanto era verdade. O para sempre terminaria antes que os trigêmeos Strauss desistissem um do outro.
— Eu também te amo. E prometo que não a arrastarei para nenhum outro julgamento.
— Para começo de conversa, eu suponho — Ela riu junto dele. — Então, o que você acha de dar uma chance para a família agora?
— Preciso fingir entender as piadas do Andy?
— Contanto que não peça para que ele explique, você pode fazer o que quiser.
 Agora sim tinham um acordo.
Mia pousou um braço sobre o ombro dele e juntos caminharam de volta à mesa. O resto foram gritos, gargalhadas e bebida barata. Houve até um momento dedicado para que cada um contasse sobre sua pior experiência sexual. Nate venceu, é claro. Não havia como superar a noite em que ele e Quentin fizeram sexo oral numa roda gigante e tiveram que parar o brinquedo para retira-los.
Duas horas depois, Nate, Jensen e Amber decretaram o fim do expediente. Despediram-se dos amigos, pegaram seus casacos e partiram; Amber e Jensen em dois táxis, Nate no seu próprio carro. Enquanto Andy pedia mais uma rodada para a garçonete, Alex e Kerr aproveitavam a falta de supervisão dos amigos para disputar uma maratona com doses de tequila.
Mia apenas assistiu por algum tempo; tomava as doses que sobravam a cada rodada, depois mexia no celular. Em uma dessas, o aparelho finalmente anunciou a chamada que estava esperando. Levantou da cadeira e foi até os jukeboxes, onde poderia ter privacidade.
— Estou aqui. Conseguiu alguma coisa?
— Apenas um nome — Disse Sebastian Dowry, o detetive particular dos Strauss. — Desmond Benner.
— Você tem certeza?
— Absolutamente. Não é melhor contatar sua família?
— Não — Mia olhou para Alex na mesa, a alguns metros de distância. — Ninguém pode saber que estou procurando nosso pai. Se der errado, será por minha conta.


Jensen pediu para que o motorista estacionasse em frente ao portão da mansão McPhee. Pagou pela corrida, chamou uma empregada pelo interfone e entrou quando os portões se abriram. No caminho até a porta, aproveitou para verificar seu celular. Novos seguidores no Instagram, novas mensagens no facebook e oito chamadas perdidas de Jake. Não falava com o irmão há mais de duas semanas, e agora ele parecia estar louco para jogar conversa fora.
Depois de um banho quente, Jensen decidiu. E de uma xícara de café.
Guardou de volta o aparelho no bolso e entrou na mansão. Karen, a serviçal de tranças loiras, esperava-o no hall.
— Boa noite, Senhor Jensen — Disse. — Posso pegar seu casaco?
— É claro— Jensen entregou a ela.
— Seu irmão está esperando por você na sala de estar.
— Jake?
— Sim. E está com visitas.
Isso facilitaria as coisas. Jensen agradeceu pela informação e passou pela próxima porta. A reunião familiar o pegou de surpresa; fazia tanto tempo que precisou de alguns instantes para assimilar que a mulher ao lado do irmão era sua mãe. E estava muito bem acompanhada por uma jovem oriental que tinha idade para ser sua filha.
— Mãe? — Indagou, surpreso.
E de alguma forma, sabia que havia trazido problemas.
 

Após a breve avaliação, o Doutor se despediu deixando intentos de melhoras à toda a família Strauss. Judit parecia menos preocupada agora diante das boas notícias.
— Eu disse que tudo ficaria bem — Nate murmurou, sentado na poltrona ao lado da cama.
— Eu sei, querido— Ela tocou sua mão. — Obrigada por tudo o que tem feito por mim. Mas enquanto estiver nessa cama, ainda me sentirei como uma mulher doente.
— Pelo menos você está em casa — Nate deu uma olhadela no quarto. — Bem, na casa da Lydia. Mas amanhã mesmo estaremos procurando um apartamento. É mesmo necessário permanecer neste país?
— Eu estava pensando exatamente a mesma coisa.
Os dois riram juntos, e então ficaram em silêncio. Sempre vai ser assim, Nate pensou. Depois das risadas, seus corações sempre os levariam de volta àqueles porões imundos. Isso o lembrava que ainda não havia pedido perdão por tudo o que a fez passar.
— Eu sinto muito — Sussurrou. — Você não merece nada disso.
— Nada disso foi culpa sua, querido — Ela tocou sua bochecha delicadamente. — Não importa o quanto fomos machucados.
— Era eu quem ele queria, por isso foi atrás de todos que eu amo — Olhou para baixo, envergonhado.
— Naquela noite, na mesa de jantar, eu estava sob uma dor descomunal que nunca havia sentido em toda minha vida; mas de alguma forma, quando olhei para você, parecia que a sua dor era ainda pior. Você disse “Machuque a mim, não ela”, e então precisou assistir enquanto eu sangrava. Nunca achei que me amasse dessa maneira, nem que estaria disposto a entregar você mesmo para me salvar. Depois de tudo o que eu fiz, você ainda me colocou em primeiro lugar. Você é um herói, Nate, não um monstro. Você é meu filho.
Nate beijou a costa da mão dela, uma lágrima escorrendo de seus olhos.
— Obrigado.
— Não se preocupe, querido. Agora sou eu quem diz: Tudo vai ficar bem.
No mesmo instante Nate ouviu o toque de seu celular. O visor indicava uma chamada de Mark Randall.
— Detetive — Nate cumprimentou.
— Perdão por incomoda-lo, Senhor Strauss, mas gostaria de perguntar se podemos nos ver hoje à noite. Tenho algo que pode ser de seu interesse.
— Precisa ser hoje?
— Sim, senhor. É um assunto delicado.
Judit fez um estranho sinal de mímica para que Nate soubesse que ficaria bem se ele precisasse sair.
— Okay, estamos no apartamento de minha avó, mandarei o endereço por mensagem — Encerrou a chamada logo depois. — Era o detetive Randall, disse que precisamos conversar.
— Deve ser importante.
— Estarei no outro cômodo, não se preocupe.
E assim passou-se uma hora. Mark foi anunciado pelo porteiro e pegou o primeiro elevador para o décimo oitavo andar. Nate ofereceu uma xícara de café, depois sentaram frente a frente no grande sofá. Sem que soubessem, Judit escutava tudo o que diziam pela outra porta.
— Do que se trata? — Nate perguntou.
Mark tirou uma pasta amarela do paletó.
— Conseguimos identificar um suspeito do assassinato de Theon De Beaufort através de Câmeras de vigilância das proximidades. Uma mulher, com não mais que quarenta anos — Mostrou-lhe as fotos. — Ela corre para o carro, permanece dentro dele por cinco minutos e depois vai embora em alta velocidade.
Nate observou as imagens com bastante atenção. Pouco a pouco a imagem daquela mulher comum foi se transformando num rosto conhecido que nunca esqueceria. Cabelos vermelhos... Ivy, estava certo. Agora tudo fazia sentido.
— Não tivemos sorte com o reconhecimento facial, então decidimos interrogar as testemunhas — Continuou o Detetive. — Senhor Strauss, o senhor tem ideia de quem seja essa mulher?
Nate hesitou por um segundo — tempo o suficiente para fazer sua escolha.
— Não — Respondeu. — Eu nunca a vi. Theon era um homem poderoso, tinha muitos inimigos.
— Sabemos disso — Recolheu as fotos. — Na verdade, esperávamos por esta resposta. Desculpe por desperdiçar seu tempo.
— Sem problemas.  É sempre um prazer ajudar.
— Nathaniel — Lydia apareceu de surpresa. — Olá, Detetive.
— Senhora Strauss — O Detetive levantou para cumprimenta-la. — Estava conversando com seu neto. Se importa de responder algumas perguntas?
Mas Nate decidiu responder por ela:
— Claro que não, Lydia pode ajudar. Na verdade, eu estava de saída, então sintam-se à vontade.
Ninguém parecia se opor a sua vontade. Nate despediu-se formalmente dos presentes e desceu de elevador para o primeiro andar. Foi ao estacionamento, pegou seu carro e saiu em alta velocidade, segurando o celular na orelha.
— Atenda Alex, atenda Alex — Repetia para si mesmo. Caixa postal. — Como sempre.
Dirigiu pelo centro da cidade, depois pelas vias pacatas que levavam ao subúrbio de Nova York. Tentou ligar mais algumas vezes para Alex — e até para Mia —, mas não obteve resposta.... E alguém não estava disposto a deixa-lo seguir seu caminho para os irmãos. Alguém dirigindo um SUV branco, com janelas blindadas e o símbolo de um leão de ferro fixado na placa frontal.
A primeira batida fez Nate balançar no assento, prestes a bater a cabeça no volante.
— Meu Deus! — Olhou para trás a tempo de prever uma segunda batida.
Já com o cinto de segurança, não houve tantos danos, mas o motorista misterioso não estava pronto para desistir. Seguiu Nate para todo lugar que ia, batendo em sua traseira sempre que tinha a chance. Queria mata-lo, Nate não tinha dúvidas. O desespero o fazia suar frio e tremer dos pés à cabeça.
— Pare com isso! — Gritava pela janela.
Pisou ainda mais fundo no acelerador e atravessou o próximo cruzamento, segundos antes de um caminhão aparecer na pista, no sentido contrário. Nate olhou para trás como em um reflexo; agora o SUV não poderia mais continuar a perseguição.
Quando finalmente achou estar seguro, outro veículo idêntico ao primeiro surgiu do nada e atingiu a lateral do seu, arrastando-o por três metros até uma caixa de correio do outro lado da rua.

Gwen deixou o SUV de sobretudo branco e salto altos, e caminhou sobre os destroços como se sua única preocupação fosse refinar as unhas com a lixa que empunhava. Chutou um pedaço de metal de seu caminho, abriu a porta do carro de Nate e o encarou. Sangrando e inconsciente, exatamente como gostaria de vê-lo.
— Olá, irmãozinho — Disse a ele. — Vamos dar uma volta.
Pela cicatriz que corria em um de seus olhos, uma guerra estava por vir.

 Considerações finais
Primeiramente, The Double Me era apenas uma ideia que um adolescente exageradamente ocupado sonhava em colocar no papel. Despois se transformou num livro completo, com 32 capítulos, que foi muito bem recebido pelos leitores. E hoje estamos caminhando para o fechamento de uma trilogia que definitivamente superou todas as minhas expectativas.
Como autor, deve ser um pouco estranho dizer que não tenho palavras para descrever o quanto estou orgulhoso do meu trabalho e da repercussão positiva da história, mas essa é a verdade. Eu realmente não tenho palavras. É mais fácil escrever o que um personagem está sentindo a dizer com todas as letras que sou mais parecido com eles do que todo mundo imagina.
Este segundo livro para mim foi um grande desafio por dois motivos. O primeiro, trata-se de uma sequência. As pessoas sempre esperam que elas sejam inferiores ao original e eu precisava dar o melhor de mim para quebrar este paradigma. E o segundo é que eu tenho que viver todos os dias com a Síndrome de Personalidade Borderline, e se vocês tiverem apenas um pequeno conhecimento sobre isso, sabem que esta doença é conhecida por deixar as pessoas na borda de suas emoções.
Houve uma época em que eu não queria mais saber de escrita. Devo ter ficado 5/6 meses sem escrever nada, só engolindo todas as séries que eu assistia e tentando viver minha vida de outros os outros ângulos. Mas houve uma época em que senti muito prazer fazendo tudo isso, escrevendo todos os dias, levando meus personagens para aonde deveriam estar, e claro, fazendo alguns leitores felizes, que por algum motivo, se conectam pessoalmente com a minha história do mesmo jeito que eu.
É difícil? É. Mas o que na vida não é difícil? Meus personagens sabem muito bem como tudo funciona. Este livro, como o nome diz, simboliza uma quebra, uma rescisão do convencional, um rompimento do significado de tudo o que há entre o bem e o mal na realidade em que vivemos. Amor pode levar a ódio, ódio pode levar a vingança, vingança pode levar a loucura, e entre todos, também sorri a morte.
É por isso que eu escrevo. Nunca tive a intenção de criar algo cômodo, leve ou politicamente correto. Eu não sou essa pessoa, minha arte não flui nesta direção. Então sim, eu fico surpreso em ter tantos leitores maravilhosos, mas ao mesmo tempo sinto muito orgulho por ter chegado até aqui, por ter mostrado a vocês até onde sou capaz de ir, para que então decidam se querem ir junto.
Então muito obrigado a quem caminhou comigo. Obrigado pelos elogios e pelos incentivos. Obrigado por terem tirado uma parte do dia para ler o que escrevo e ainda comentar. E muito obrigado por entenderem que é sobre a minha vida que estamos falando, e que por mais que a ficção tome conta em certos momentos, continua sendo muito mais que uma saga de livros.
Agora preparem-se, porque não vou pegar leve no próximo rs.

A 5ª Temporada de The Double Me
Iniciaremos agora um novo ciclo de vingança com o retorno de Gwen, a irmã adotiva que Nate desfigurou e obrigou a passar seis meses numa clínica de reabilitação. Gwen, obviamente, não estava tão mal quanto fez todos pensarem, pois desde o primeiro minuto em que chegou a clínica, tudo o que queria era em vingança. Agora ela terá sua chance, graças a um personagem que conhecemos muito bem.
O primeiro capítulo se chamará "Hell Is a Teenage Girl" e fará parte do terceiro e último livro da saga, chamado "The War of Ours". Sim, uma guerra está vindo por aí. E este poster é o primeiro aviso:
Lembrando que esta pode não ser a arte oficial, mas eu gostei e gostaria de compartilhar com vocês. Não há previsão para o lançamento, pois agora estou finalizando a última parte da minha franquia A Punhalada.

PS: O download desta temporada estará disponível apenas amanhã, pois preciso de tempo para organizar a quebra de páginas tanto na versão do Livro inteiro quanto na versão de temporada. Atualizarei este post, mas postarei em todas as redes sociais para que vocês não percam.
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Comentários
2 Comentários

Comentário(s)

2 comentários:

  1. Ok, depois de uma semana, aqui estou eu pra comentar essa season finale bombástica. Desculpa mesmo pelo atraso.
    Quando eu li que o Alex e o Cameron haviam armado toda a situação com a overdose eu praticamente gritei de surpresa. Foi um plot twist daqueles ótimos, que te fazem se sentir idiota, e mostra a genialidade por trás da coisa toda. Enfim, amei. Uma reviravolta — ótima — e muito bem arquitetada.
    Quanto à Mia estar investindo nessa caçada pelo pai dos gêmeos não sei bem o que pensar. Tenho certeza que vai render uns bons capítulos, resta saber se de desastres ou vitórias.
    O fim dos The Judges foi épico a nível The Double Me. Adorei a volta da Viola, e espero que ela apareça mais vezes nas tramas.
    Por fim, a cereja do bolo: a volta de Gwen. Um golpe que eu não esperava. Vou confessar que nunca simpatizei muito com a personagem, mas os momentos dela de vadia eram o que a tornava interessante haha. De qualquer forma, tenho certeza que algo grande virá. Até lá a gente sofre com o hiatus.

    P.S.: Tenho que te parabenizar pela escrita incrível, e criação dessa trilogia maravilhosa, que aborda tantos temas importantes pra sociedade de hoje em dia, e ainda assim consegue me entreter de um jeito espetacular. Muito obrigado, e boa sorte em tudo que você fizer daqui pra frente, porque você merece.

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    1. Eu venho aqui no blog todos os dias ver se tem um novo comentário. Tava até desistindo que você comentasse, mas né, a vida tem dessas surpresas boas xD.
      Durante toda a temporada você foi o que melhor entendeu minhas colocações (isso enquanto boa parte dos leitores bolava teorias malucas que nunca viriam a acontecer). Por isso é bom saber que te surpreendi com essa finale. Fiquei tipo: "surpreendi o leitor que sempre sacava meus planos diabólicos, isso quer dizer que estou ficando cada vez mais diabólico" hahaha.
      Não vou comentar muito sobre os acontecidos porque tenho medo de dar algum spoiler. Mas tudo foi planejado com antecedência. Não escrevi um só capítulo das últimas duas temporadas sem saber exatamente aonde tudo iria parar. Alex E Cameron, The Judges, Mia procurando pelo pai e Gwen, tudo aconteceu como deveria. E eu fico muito feliz em saber que você aprovou minhas decisões.
      Agora vamos passar pelo hiatus pra eu ter tempo de organizar tudo e mostrar a vocês o desfecho de todas essas histórias. Até mais, Jairo. Espero ver você aqui quando for a hora <3

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