quarta-feira, 25 de maio de 2016

[Crítica] Slasher - 1ª Temporada


Status: Indefinido
Duração: 60 minutos
Nº de episódios: 8 episódios
Exibição: 2016
Emissora: Chiller 

Crítica:

Nesta cidade, todos têm um passado. Mas nem todos terão um futuro.


Slashers sempre foram um dos meus subgêneros favoritos! O tema, no entanto, sofreu com o desgaste ao ser abordado cansativamente nas décadas de 80 e 90. Com a virada do século, novos subgêneros conquistaram o interesse do público – como o found footage; que atualmente também encontra-se desgastado –, deixando todo o conceito "quem é o assassino mascarado" para trás. Nem mesmo aguardadas sequências, como Pânico 4, conseguiram atrair novamente os espectadores – conquistando uma bilheteria modesta, muito abaixo do esperado. Porém, como no gênero terror nada realmente permanece morto, era apenas uma questão de tempo até que antigos conceitos derramassem sangue novo.

Na trama, décadas após os seus pais serem brutalmente assassinados, Sarah Bennett retorna à sua cidade natal. Seu objetivo é deixar o seu passado para trás e não ser definida por ele. No entanto, sua presença desencadeia reações que ela não esperava, trazendo consequências mortais para os cidadãos cheios de segredos do local. Agora, uma nova série de assassinatos volta a acontecer, e as motivações do assassino parecem estar diretamente relacionadas com o retorno de Sarah. Apesar disso, o assassino original continua preso e talvez seja o único capaz de entender o sadismo por trás de seu copiador. Para pegá-lo, Sarah terá que trabalhar junto com o homem que matou os seus pais, na esperança de salvar sua família e amigos, que estão a um segredo de distância de conhecerem o seu destino final.

Apesar de ainda não ter ganhado força nas telonas, o subgênero slasher sofreu uma repaginada nas telinhas, através de séries de TV. Além de Slasher, ano passado tivemos a primeira temporada de Scream (adaptação da franquia que todos amamos e respeitamos) e este ano uma nova produção na veia de Sexta-Feira 13 está para estrear, Dead of Summer. O grande problema, no entanto, fica por conta do desafio de esticar um filme, onde as coisas tendem a acontecer muito rápido, com a diminuição drástica do elenco no terceiro ato, em uma série semanal contendo várias horas. Se pelo lado positivo podemos passar mais tempo com os personagens e conhecê-los melhor, por outro, temos um clima mais arrastado, com a tensão sendo quebrada a todo instante.

Slasher até que começou sua trama com um saldo positivo, mas não demorou muito para ser traída por essa conversão de filme em série. Apesar de só ter oito episódios e uma média equilibrada de mortes durante todos os episódios, o roteiro frágil não consegue sustentar o seu próprio mistério, muito menos o interesse de seus espectadores. Os roteiristas perderam a chance de se beneficiarem de uma das poucas vantagens que o formato poderia lhes trazer: o desenvolvimento de seus personagens. Poucos são os que se destacam, e, tirando o desenvolvimento do relacionamento da protagonista com o assassino que matou os seus pais, todo o resto é descartável. De fato, o roteiro tem a cara de pau de apresentar a maioria dos personagens justamente no episódio em que eles estão condenados a morrer. Como você pode se importar com qualquer um deles assim?

E se carisma dos personagens é um problema latente na série, o mesmo não pode ser dito a respeito de suas mortes. Em geral, tivemos algumas mortes bem violentas. Destaque especial para uma que acontece em uma plantação, que é especialmente brutal. Os efeitos práticos e de maquiagem nesta cena estão espetaculares, e com certeza fará revirar o estômago dos mais fracos. Dito isso, infelizmente não há muito mais de positivo a ser comentado a respeito da série. Algumas tramas são especialmente bobas, como por exemplo a do melhor amigo da protagonista, que trai o seu marido. Não há motivos para esse conflito ser introduzido na história. A traição nunca se torna relevante na trama, e tem como única função dificultar a afeição ao personagem.

O grande mistério por trás da máscara também não consegue surpreender – caso alguém ainda esteja se importando até o sétimo episódio. Há poucos personagens recorrentes na trama e adivinhar qual deles é o responsável pelas mortes não é uma tarefa muito difícil. O confronto final entre a protagonista e o assassino também deixa muito a desejar. Primeiro que ela nunca foi uma personagem forte o suficiente para liderar a trama (sequer consegue correr sem cair), segundo que eles desperdiçaram completamente o desenvolvimento de sua relação com o assassino do passado – que permanece sendo um dos pontos mais altos da série. Apesar de concluir sua trama, os roteiristas acharam que seria uma boa ideia deixar um gancho aleatório que nada remete à trama deste primeiro ano – certamente abrindo caminho para novos mistérios independentes para (possíveis) futuras temporadas. Slasher poderia ter sido ótima, mas acaba sendo assassinada pelo seu próprio conceito. Talvez não seja mesmo possível desenvolver um slasher como série de TV. Se for, eles ainda não conseguiram com sucesso.
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