sábado, 27 de fevereiro de 2016

[Livro] The Double Me - 4x06: Love Me Like an Enemy [+18]

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4x06:Love Me Like an Enemy
Nenhum traço de mim por baixo da pele que eu vesti”.
   
Alex sentiu os pulmões fraquejarem. Ao longe, abafado e discreto, um copo de vidro se quebrou. Ou pelo menos era o que seus sentidos afirmavam. Não posso morrer aqui, repetia para si mesmo, sob a inerte total de seus músculos e articulações. Um corpo paralisado e um coração cheio de medo. Havia gritos, podia ouvir. E estavam cada vez mais próximos.
— Agora você vai pagar pelo que fez ao meu irmãozinho — Uma voz gritou em ecos cortantes.
E ele finalmente acordou. Estava em um sofá branco, coberto por uma manta grosseira de estampa quadriculada. Só conseguiu ligar os pontos quando viu Andy atravessando a porta da sala de estar com uma batida de liquidificador em mãos.
— Bom dia, raio de sol — Disse sorrindo. Caminhou pelo tapete em passos curtos até o balcão da cozinha, do outro lado do recinto.
Alex abriu e fechou os olhos seguidamente para enganar a claridade. Agora lembrava de tudo. Thayer, Cameron, e todo o infortúnio que o levou a pedir a ajuda de Andy Boyd. Se a memória não lhe falhava, era o apartamento de um amigo de Andy que estava fora da cidade. Porque levar Alex Bennett para a mansão dos Boyd seria inconveniente demais para uma família que não acredita em respeito à diversidade.
— Que horas são? — Perguntou numa voz sonolenta.
 Andy ergueu o pulso.
— Sete em ponto. Uau, isso é relógio biológico?
— Se chama pesadelo. E se cura com terapia.
— Han?
— Não importa — Alex sentou-se ereto, recostado no sofá. — Vai ser um longo dia.
— Por isso estou me preparando.
Ouvindo o barulho do liquidificador, Alex entendeu o que estava acontecendo. Andy só vestia roupas leves quando estava prestes a encarar uma corrida na praia. E aquela gororoba roxa que girava sem parar deveria ser o seu combustível.
— Fique à vontade.
— Você não vai se livrar de mim tão fácil — Tirou o recipiente do motor e despejou a bebida em um copo transparente. — Precisa resolver seus assuntos com Thayer e falar com seu irmão — Caminhou até a ponta do sofá enquanto tomava os primeiros goles.
— Isso... não vai acontecer.
— Não seja orgulhoso. Você sabe que Thayer só o tratou daquele jeito porque não sabia o que tinha acontecido.
— Ele nem me deixou falar.
— Porque você já havia mentido antes. Ambos estavam tentando tomar decisões de cabeça quente em uma péssima hora. Agora... — Puxou o telefone ao lado e estendeu em sua direção. — Ligue para seu irmão, depois ligue para Thayer. Tome um banho, escove os dentes e pegue sua vida de volta. Você é Alex Bennett, não nasceu para o fundo do poço. Agora preciso ir — Levantou-se de súbito. — Tenho um abdome para manter. Espero que você faça a escolha certa.
— Obrigado, Andy. Você é um bom amigo.
Andy se aproximou para fazer-lhe um cafuné.
— Você sabe que pode contar comigo — E saiu pela porta.
Alex contou mentalmente até cinco para deixar o telefone ao lado e suspirar profundamente. Quisera ver palavras bonitas e pedidos de desculpa resolverem todos os seus problemas. A verdade era um espetáculo de imprecisão que Andy nunca iria entender. Consequentemente, poderia até invejá-lo por isso; o homem cuja única preocupação era manter a boa forma. Sem traumas, sem arrependimentos, sem culpa...
Apenas jogou-se no sofá e cobriu o rosto com a manta. No momento, era a maneira mais eficaz de desaparecer.
O mesmo padrão refletia em Thayer, ainda em seu apartamento. Neste caso, talvez, Alex tivesse a vantagem. Conseguiu pregar os olhos mesmo na inconsistência de sua mente enquanto o outro caminhava em círculos sobre o tapete. Foi da cama ao sofá, do sofá ao chuveiro e do chuveiro a janela, mas nada adiantou. Ficar acordado em meio a ruína de seu relacionamento parecia um carma admissível.
Ele mal teve chance de falar, Thayer pensava. E se houvesse uma explicação? E se eu fui injusto?
Um baque na porta acabou interrompendo seu raciocínio. Correu apressado para atender, apenas para dar de cara com Nate do outro lado. O gêmeo de olhos verdes trazia dois cappuccinos, pães frescos e uma inegável preocupação no olhar.
— O que aconteceu com você? — Perguntou ao notar seu estado.
— Eu sei lá, as dez pragas do Egito?
Nate passou por ele em direção a sala de estar. Deixou seu café da manhã improvisado na ponta do sofá, assim como seu casaco.
— Aonde está meu irmão?
— Não está com você? — Thayer fechou a porta em um movimento ligeiro.
— Estou tentando ligar desde ontem à noite, achei que o encontraria aqui.
— Isso significa que ele não está com o celular, não que está ignorando minhas ligações. Okay — Apesar de tudo, parecia mais aliviado.
— Estou perdendo alguma coisa?
— Nós brigamos — Thayer dizia, à medida que recolocava todos os objetos que arremessou na parede em um momento de fúria. — Talvez eu tenha exagerado por causa do seu atraso para o nosso jantar, e talvez ele estivesse sensível demais para lidar comigo. Eu só queria conversar...
— Você perdeu completamente a cabeça?
A hostilidade de Nate fez com que ficasse na defensiva.
— Perdão, como eu deveria lidar com as mentiras que ele conta para se encontrar com Cameron e seus inúmeros atrasos a nossos compromissos, já que você parece saber tanto?
— Alex não estava com Cameron ontem à noite. Brett, um dos seus sequestradores, fugiu da prisão e o atacou na mansão.
— O que?
— Alex o matou para salvar nosso pai.
— AI meu Deus... — Thayer colocou as duas mãos sobre a cabeça, com os olhos fechados. — Ai meu Deus... eu não acredito que eu... As coisas que eu disse... Merda! Merda! Merda! Eu sou o maior idiota da história. Puta que pariu! — Tirou o celular do bolso. Não adiantava, Alex não respondia sequer as mensagens de texto.
— Sim, você é. Aonde estava todo esse tempo? Está por toda a internet.
— Checar o facebook é a última coisa que eu faria num momento como esse.  
— Que merda, Thayer! Ele é o Alex, pode estar em qualquer lugar agora.
Ambos ficaram em silêncio enquanto Thayer esperava o retorno de sua ligação. Caixa postal outra vez, assim como nas outras cinquenta e sete.
— Ele não atende de jeito nenhum.
— Okay — Nate assentiu para si mesmo. — Primeiro ligamos para os amigos próximos, Alex pode ter procurado refúgio com algum deles. Falarei com Amber, Kerr e Andy.
— Tudo bem.
Nate avançou ao seu encontro, olho no olho.
— E quando ele voltar, por favor, foda-o o quanto puder, foda-o o equivalente a cinco vidas. Será um bom começo para compensar a merda que você fez.
— Talvez o presenteie com uma Ferrari.
— Tente duas, e reze para que seja o bastante.


Era manhã de terça-feira. Antes das oito horas, Amber apareceu na mansão Strauss em seu novo conversível vermelho e levou Mia para uma aventura capitalista pelas lojas de grife da cidade grande. Entre risadas, selfies e casquinhas de sorvete, as garotas terminaram o ciclo carregando apenas uma sacola em cada mão.
A boa notícia era que a Bloomingdales não fechava para o almoço, e nenhuma delas estava disposta a voltar para casa tão cedo.
— Mostre-me — Mia pediu, sentada na poltrona lilás em frente ao provador.
Amber afastou as cortinas e revelou um vestido preto de decote simples, combinado a um cinto dourado.
— O que achou? — Colocou a mão na cintura e jogou os cabelos sobre o ombro esquerdo.
— Muito gótico da sua parte.
— Obrigada! — Amber sorriu como uma garotinha de dez anos que acabara de ser chamada de princesa. — Mas prefiro respeitar o seu estilo — E voltou para trás das cortinas.
— Eu tenho um estilo? — Mia falava enquanto repassava o que havia na pilha de roupas que a amiga deixara ao seu lado.
— Não ter um estilo é um estilo, no fim das contas.
— Uau, você fala com um Shakespeare da nossa geração.
— Ele não tinha uma vagina, então ainda estou na vantagem — Amber sorriu.
Antes de pensar em uma resposta, Mia notou o vibrar do celular da amiga na poltrona ao lado. Normalmente nada faria; não sem saber se Amber lhe daria este tipo de liberdade. Mas ver a foto de Dhiego Foster no visor fez com que acionasse suas armas de autopreservação. O que ele quer com ela? Pensou. Por que ele liga tanto? É melhor ignorar.
E foi justamente o que fez com um simples pressionar de botão. Agora Dhiego não estava mais no visor do celular de Amber, apenas remoendo dentro de sua cabeça. Talvez não houvesse um momento mais oportuno para tirar a prova dos nove.
— Então, Dhiego... quando o veremos de novo? — Arrependeu-se da pergunta assim que ouviu a risadinha da amiga.
— Dhiego é inofensivo, não precisa se preocupar com ele.
— Então vocês já transaram?
Amber colocou a cabeça para fora da cortina, o olhar espantado.
— Michaela! Você ficou maluca?
— Pensei que você gostasse quando eu sou direta.
— Você não está sendo direta, está sendo uma vadia — Voltou para trás da cortina com um puxão. — Dhiego é meu primo.
— Eu nunca contei o que eu fazia com meus primos bastardos?
— O que? — Lançou-lhe outra vez o mesmo olhar espantado. — Você está falando sério?
— É claro que estou brincando — Mia sorriu, um tanto surpresa. — Você não precisa levar a sério tudo o que eu digo.
Assim Amber se deu por vencida. Suspirou gradativamente, voltou a sua posição e puxou a cortina. Agora usava um vestido cinza com textura avermelhada, combinado a um cinto preto e salto altos de cano fino, na mesma cor. O que tinha de custoso também tinha de provocante.
— O que achou? — Perguntou a Mia, colocando uma mão na cintura.
— É um lindo vestido.
— É claro. Ele é meu.
Nada deixava tão claro o término de uma conversa quanto o ressoar dos saltos de Amber afastando-se a cada passo. O sorriso provocante também estava lá, constatando sua pequena vitória no jogo que apenas Mia costumava ganhar.
 Ao meio dia deixaram a loja, prontas para voltar a vida real que as aguardava. Colocaram seus óculos escuros, jogaram as sacolas de compras no banco de trás do conversível e seguiram rumo ao flat dos Foster, no Upper East Side. Quando a porta do elevador se abriu, o momento as pegou de surpresa. Talvez Mia de maneira mais direta, em virtude da grande ironia chamada Dhiego Foster. Julianne, sua adorável tia, parecia bastante confortável em recebe-lo em sua sala de estar, com direto a chá e biscoitos recém-saídos do forno.
— Amber, querida — Ela sorriu simpática. — Veja quem resolveu nos fazer uma visita.
— Dhiego! — Amber tentou conter sua animação. Mia está ao meu lado, pensou. Não diga nada de errado.
— Hey —Ele levantou para abraça-la. — Onde você estava? Liguei a manhã inteira.
— Sério? Eu não vi — Tentou encontrar o celular em uma das sacolas que carregava, mas desistiu dois segundos depois. — Aonde está meu celular?
— Tudo bem, Tia Julianne me fez companhia.
— Dhiego estava terminando de contar sobre seu trabalho voluntário no Egito. Querem se juntar a nós?
Amber encontrou o olhar de Mia em busca de uma permissão discreta. O “não” estava na ponta da língua, mas a resposta estava mais para...
— Adoraríamos — Mia mostrou o melhor sorriso que podia. Se ignorasse a vontade fulminante de atravessar a vidraça e jogar-se em cima dos pedestres na calçada, poderia transformar esta tarde em uma história de sobrevivência para as gerações futuras... ou não. O toque de seu celular havia trazido uma salvação particular. — É Judit, preciso atender. Volto em um minuto.
— Tudo bem — Amber assentiu. Deixou as sacolas no chão e caminhou até o sofá ao lado do primo enquanto Mia encontrava um local reservado na cozinha dos Foster.
— Estou aqui — Disse Mia ao atender. — Alguma notícia?
— Esperava que você pudesse dizer — Judit suspirou. — Acabei de falar com a mãe adotiva de Alex pelo telefone e ela confirmou que ele não voltou para casa.
— Tudo bem. Nate ficou de falar com os amigos, talvez ele tenha sorte.
— Não estou conseguindo contatá-lo. Você poderia fazer isso por mim?
Mia não resistiu a uma pequena olhadela à sala de estar. Mãe e filha não negavam o quanto estavam felizes por Dhiego estar ali.
— Mia? — Judit insistiu, tirando-a de seus pensamentos.
— Tudo bem. Ligo assim que conseguir uma resposta.
— Obrigada, querida. Devo espera-la para o almoço?
— É claro — Mia tinha certeza que um almoço em família era melhor que um almoço em Dhiego. — Estou a caminho. — E encerrou a chamada.
O número de Nate foi discado com apenas um pressionar de botão. Secretária eletrônica.
“This is Nate. I don’t know where you got this number, but if you feeling lucky, just leave a message”.
Mia tocou a testa, suspirou brevemente e deu dois passos à frente, como em um tique nervoso.
— Por favor, diga que encontrou Alex. Ou pelo menos atenda o celular quando Judit ligar desesperada para receber notícias sobre seu filho perdido — Suspirou novamente; parecia uma dádiva proporcionada pelo cansaço mental. — Estou indo para a mansão, talvez a gente se encontre lá. Até logo.
Mal havia encerrado a chamada e já estava sendo abordada pela mesma surpresa de antes.
— Esse era o Nate? — Dhiego perguntou, fazendo-a virar de imediato. — Desculpe, não queria assustá-la.
— Não, tudo bem — Aos poucos ela tentava se recompor e fingir que nada havia acontecido. — Problemas familiares.
— Isso é estranho. Amber disse que você não era uma Strauss, tecnicamente.
— Temo que seja mais complicado que isso.
— Não precisa ser. Fomos biologicamente criados para proteger nossa família, não importa o que aconteça.
— Esse é seu discurso de formatura?
Dhiego sorriu, elegante como sempre.
— Eu não seria assim tão previsível; talvez seja algo que temos em comum. Você vem a nossa casa cheia de sorrisos, bebe da nossa bebida, come da nossa comida, e ainda assim não há qualquer hesitação quando se trata de foder a herdeira. Então diga-me, Mia, minhas qualificações como orador de turma realmente importam? Acho que temos um problema maior por aqui.
— Me desculpe, é isso que vocês chamam de ameaça do lugar de onde você veio?
— De onde eu venho, o nome Strauss não significa absolutamente nada.
Mia deu um passo à frente, disposta a intimida-lo. Finalmente Dhiego Foster estava mostrando as garras.
— Se você é um reflexo de onde veio, entenderá porque eu não me surpreendo.
— Tudo o que eu sei é que seria uma grande decepção para Tia Julianne descobrir que abriu as portas da sua casa para alguém como você. Eu nunca a machucaria dessa maneira, mas não significa que não posso fazer nada a respeito. Você sabe, isso não daria certo de qualquer jeito. Mas se você se afastar agora, poupará a todos nós.
— Não me diga que está contando isso.
— Na verdade, eu estou — Dhiego apanhou a bandeja de tira-gostos em cima do balcão. — Eu aviso que você não pôde ficar para o almoço. Tenha uma boa viagem de volta.
Enquanto o via partir, Mia antecipou para si mesma todas as maneiras que aquela história poderia dar errado. Dhiego não estava brincando; qualquer coisa que caísse nos ouvidos de Julianne faria com que perdesse Amber para sempre. Amber, sua melhor amiga. E Amber, uma deliciosa amante.
Nate poderia intervir? Não dessa vez. Mia teria o prazer de ensinar a Dhiego como se lutava feito uma garota.


Alex acordou com um baque na porta. Ainda estava no sofá, com o mesmo moletom da noite passada e os mesmos cobertores que lhe fizeram companhia nas últimas vinte e quatro horas. Poderia continuar fingindo que não havia vida lá fora, como mandava seu coração partido. Mas quem quer que estivesse do outro lado da porta — utilizando um punho de ferro no lugar da mão — era insistente demais.
Jogou os cobertores no chão, levantou do sofá e caminhou até a entrada. Surpreso ou não, Nate adentrou ao apartamento antes que assimilasse que a visita noturna tratava-se de seu irmão.
— Então é aqui que você está se escondendo? — Nate observava o local com um olhar crítico. — Não é tão ruim. — Pegou o copo de suco de cima do criado mudou e cheirou. — Isso está aqui há quantas gerações de Skins?
Alex gaguejou. Teria argumentado melhor se não soubesse que Nate sempre ganhava suas pequenas batalhas.
— Desde de manhã, eu acho.
— Okay — Nate arremessou o casaco no sofá mais próximo e caminhou até a geladeira. — O que? Não tem queijo?
Alex fechou a porta e andou até os sofás.
— Como você subiu? O porteiro não informou nada.
— Eu o subornei. Você sabe, caso ele avisasse que eu estava subindo e você decidisse pular da janela para me evitar.
— Não é uma má ideia.
— É claro que não — Nate virou para ele. Tinha um prato cheio de legumes na mão direita, uma vasilha de temperos na esquerda, e um pedaço de cenoura crua na boca. — Podemos voar juntos. São dezessete andares, tenho certeza que deve causar o mesmo efeito da heroína. — Fechou a porta da geladeira com o pé e caminhou até o balcão da cozinha.
— Tudo bem, já chega — Alex cruzou os braços. — O que você está fazendo aqui?
— Salada. Mas talvez eu precise falar com você enquanto cozinho.
— Nada do que você disser vai mudar alguma coisa.
Nate estava certo que não; mas a noite estava apenas começando. Tirou uma tábua de cortar do armário de baixo e escolheu uma faca no acervo próximo a pia. Os tomates foram os primeiros a serem repicados para sua dieta.
— Eu sei que você curte esse lance de se isolar quando está deprimido... — Dizia enquanto cortava. — Mas felizmente, Little Brow, eu sempre tenho um plano.
— Que plano?
— Já disse que fui ao apartamento de Thayer hoje de manhã? Você sabe, quando Alex Bennett não atende o celular, o mais provável é que tenha passado a noite com seu namorado. Mas essa é apenas uma maneira de contar esta história. Quando Alex acaba de ser atacado por um maníaco e sai atordoado sem dizer aonde vai, eu acho que a família tem bons motivos para se preocupar. Bom, ainda bem que estamos na era da comunicação, onde podemos constatar que nada aconteceu com apenas uma chamada no celular, em qualquer lugar do mundo. Então imagine minha surpresa ao chegar no apartamento de Thayer Van Der Wall e descobrir que a única pessoa que Alex gostaria de ver naquela noite o tinha expulsado num ataque compulsivo de ciúmes. Era óbvio que eu precisava fazer alguma coisa.
— Ah não... — Alex fez uma careta. — Thayer ainda está inteiro?
— Aparentemente, sim. Se você estivesse com seu celular, teria visto as inúmeras mensagens que ele mandou pedindo desculpas. Havia algo sobre uma Ferrari de reconciliação... — Nate fingiu estar refletindo, a faca delicadamente pressionada sobre seu peito. — Eu não sei. Acho que você vai ter que ir a seu encontro para descobrir.
De repente, Alex percebeu que ainda havia uma escolha. Poderia voltar para o sofá e passar a noite ouvindo Troye Sivan, ou dar uma chance para Thayer consertar o que havia quebrado. Eu sinto sua falta, lembrou-lhe a voz da consciência. E se isso não fosse o suficiente?
— Ele quer me ver?
— Ele precisa vê-lo. Notou a diferença? — Nate encheu uma taça do vinho tinto que encontrara no armário de baixo.
— Ele precisou saber por você o que havia acontecido comigo para acreditar em mim?
— É isso o que acontece quando você mente para as pessoas que ama. Você não ganha o benefício da dúvida, nem o direito de protestar. A questão é: Você fará alguma coisa a respeito ou está satisfeito com uma singela definição do que você fez de errado?
— Eu o amo mais do que qualquer outra coisa. Ele precisa saber disso.
Nate elevou sua taça em veneração.
— Aqui vamos nós.
Pelo menos essa parte do plano havia dado certo.
Alex correu até os sofás e vestiu o casaco abruptamente. Só faltava um pequeno detalhe.
— Nate, você poderia...
— Tome — Nate jogou suas chaves para que ele agarrasse no ar. — Dirija com cuidado.
— Pode deixar — Alex deu três passos em direção a porta, mas recuou um deles para dizer o que ainda restava. — Hey, obrigado. Por tudo. E por se importar.
— É o meu trabalho.
— Você sabe que não.
— De qualquer jeito, é um prazer — O irmão sorriu o mais arteiro dos sorrisos, seguido de um gole do saboroso vinho que Andy guardava apenas para seu próprio deleite.
Com a partida de Alex, só lhe restou a si mesmo para fazer companhia. A salada ainda estava ali, esperando sua boa vontade. Alex e Andy não iriam se importar se nada sobrasse, ou iriam?


A pressa guiou Alex ao apartamento de Thayer o mais rápido que o tráfego lhe permitiu. Correndo para o elevador, mal teve tempo de cumprimentar o porteiro, ou sequer imaginar para aonde foram todos os seus temores. Cruzou o corredor, já no vigésimo andar, e então abriu a porta. Thayer estava sentado no sofá maior, com os cotovelos sobre os joelhos e as duas mãos entrelaçadas em frente a boca. Encarava o notebook a sua frente com olhos vidrados, de uma aflição avermelhada e preocupante.
— Hey... — Alex sussurrou para ele.
— Oi...
— Estacionei na sua vaga. Espero que não se importe.
— Tudo bem.
Alex abaixou a cabeça, um tanto envergonhado. Ele não parece estar interessado em pedir desculpas, percebeu.
— Eu vim para conversarmos... — Finalmente disse.
— Acho que é tarde demais para isso.
— O que você está dizendo?
Thayer girou o monitor para que Alex também visse.
A notícia o pegou de surpresa: Alex Bennett e o herdeiro Cameron Ridell haviam sido flagrados em uma situação bastante comprometedora em frente ao edifício Tarrigan. Todos os takes exclusivos agora estavam a apenas um clique do leitor, e Nova York inteira já devia ter se rendido a mentira... Incluindo Thayer. Cameron sem camisa, segurando minha mão, Alex lembrou ao ver a foto. Qualquer um interpretaria da forma errada sem saber o que realmente aconteceu.


— Estou dizendo que está tudo acabado — Thayer caminhou até o balcão da cozinha, disposto a fazer da sua a última palavra.
— Thayer, isso não é o que parece. Nada aconteceu entre mim e Cameron.
— Eu acho que essa é a parte em que você acusa Perez Hilton de usar photoshop.
— Não seja ridículo. O que você viu naquelas fotos foi Cameron dizendo que tem sentimentos por mim, mas você não sabe o que aconteceu depois.
— O que aconteceu depois?
— Eu disse não!
Thayer gargalhou cheio de ironia.
— É claro. Alex, o santo, o irmão do bem, o orgulho da família Strauss. É isso o que os jornais dizem sobre você, não é?
— Você vai fazer isso de novo? — Os olhos de Alex imploravam. — Vai tirar suas próprias conclusões sem me dar a chance de explicar?
— Como posso confiar em você? Eu nem sei mais quem você é.
— Não venha me dizer que eu mudei...
— Você é o único que não vê isso! — Thayer gritou. Suas verdadeiras cores finalmente estavam ao alcance dos olhos de Alex. — Olha o que você está fazendo; mentindo por nenhum motivo, humilhando os empregados, escondendo as coisas das pessoas que te amam. Achei que poderia contar com você, mas eu estava errado. Você não é o mesmo Alex que eu salvei naquele porão imundo.
Alex só fez assentir, os olhos cheios de lágrimas. Seu rosto inteiro parecia enfermo com a tentativa frustrada de prender o choro.
— Você está certo, não sou a mesma pessoa que você salvou. Essa pessoa morreu naquele porão quando a torturaram e tentaram estupra-la. Ela ficou lá por dias, até perder as esperanças. Não, até se convencer de que ninguém daria por sua falta e não iriam resgatá-la. As coisas que faço agora, e que você tão satisfatoriamente julga, são para me manter longe daquele porão pelo tempo que eu puder.
— E você decidiu fazer isso longe de mim, eu entendo. Só estou cansado de tentar te convencer a me deixar entrar. Vá para Yale, Alex. Viva a sua vida. Esteja com quer estar, seja quem você quiser.
Alex deu dois passos à frente. Em sua aflição, uma lágrima conseguiu lhe escapar.
— Por favor, não faça isso comigo.
Agora era Thayer quem precisava ser forte para não desabar. Virou de costas, colocando uma mão na testa, e a outra na cintura despida.
— Eu preciso ficar sozinho agora. Por favor...
— Eu não quero te deixar sozinho.
— Você já fez isso tantas vezes antes... só está aqui porque sabe que é a última.
Alex avançou alguns passos e tocou em seu braço.
— Eu não posso...
— Vá embora! — Thayer começou a gritar. — Eu não quero mais te ver! Não quero mais lidar com você!
— Você só está chateado...
— Alex, acabou! Eu não aguento mais. Você precisa me deixar em paz.
Era tudo o que Alex não poderia fazer.
— Não vou te abandonar! — Conseguiu dizer em meio ao choro.
— Saia daqui, apenas saia...
— Você não vai me afastar como faz com todo mundo.
Impaciente, Thayer levou-o em direção a porta com empurrões, e nenhum grito de protesto foi o bastante para impedi-lo. Alex terminou chorando sozinho no corredor, incapaz de admitir a si mesmo que não havia mais nada que pudesse fazer.
— Thayer, por favor! — Insistia do outro lado, batendo sem parar. Podia sentir Thayer escorado na porta; podia ouvir o choro baixo de um lamento que parecia não ter fim.
Acabou, a voz do namorado ecoava em seus pensamentos. Como poderia ter acabado, se nunca houve tanto amor? Yale, Cameron e The Judges agora pareciam tão pequenos... Alex também se sentia pequeno. Havia apenas uma porta de madeira entre ele e tudo o que sempre quis, mas sentia como se fosse o mundo inteiro. Acabou, a voz de Thayer o assombrava. Ficar louco, quem diria? Talvez realmente estivesse.
— Por favor... — Pediu uma última vez. Suas pernas fraquejaram até que estivesse sentado no chão, com a cabeça escorada na porta que havia se fechado.
Thayer não iria voltar. Seu corpo inteiro, de tão impotente, talvez soubesse disso. E naquele silêncio intolerável, a dor falava mais forte que qualquer pensamento racional. Isso vai machucar para sempre, uma voz lhe dizia. Era a mesma voz que tentou convencê-lo a acreditar que aquele porão seria o seu fim. De certa forma, talvez tenha sido. E a vida continuou a entregar-lhe os fins que tanto temeu.
Não poderia ficar ali para sempre, não poderia ficar nem mais um minuto. Lembrou dos diários do irmão, e da noite em que descobriu todos os seus motivos para ter se tornado outra pessoa. Nate havia preparado uma humilhação pública para Amber em um evento Strauss enquanto Alex lia sua história linha por linha. Ele conseguiu parar a dor, conseguiu livrar-se dela por alguns minutos; o suficiente para se sentir vivo outra vez. Essa era a resposta ou apenas o que gostaria de acreditar?
Não tinha mais nada a perder.
Levantou do chão abruptamente e saiu correndo. Dirigiu com o carro do irmão em meio a chuva, e então havia chegado a seu destino.


Cameron tinha acabado de desligar o chuveiro quando ouviu o baque insistente em sua porta. Deixou a cabine, enrolou uma toalha da cintura e correu para atender. Alex não estava disposto a lhe dar uma chance para pensar; pulou em seus braços musculosos e o entrelaçou em um beijo ardente, com gosto de ódio e luxúria. Cameron só teve tempo de fechar a porta com a ponta dos pés antes que Alex o guiasse para dentro.
— O que você está fazendo?
Alex mostrou-lhe um sorriso perigoso enquanto livrava-se de seu casaco.
— Estou fodendo você — E arrancou a toalha dele com um puxão.
Seu novo brinquedo estava lá, pronto para a primeira partida. E dessa vez nada o impediria de ser um garoto levado.
Envolveu-o em mais um beijo molhado, com as mãos em sua retaguarda, e então jogou-o de costas no sofá. Livrou-se de suas calças logo então, rápido como librou-se de seus pudores.
Uma vez dentro de Cameron, todo o resto desapareceu gradativamente em seu pequeno mundo de vícios e alívios momentâneos. Pelo menos por enquanto.
O telefone começou a tocar, e apenas a dois passos de atender, Thayer notou que havia algo errado. A vista embaçada, uma forte dor de cabeça, sangue escorrendo pelo nariz. A secretária eletrônica recebia uma mensagem calorosa de Nate enquanto todo seu corpo entrava em colapso, fazendo-o perder a consciência, aos poucos, até atingir o chão gelado.
Nos braços de Cameron, Alex nunca saberia.

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4x07: Not On Drugs (05 de Março)
Ai, ai, esses corações partidos... Semana que vem Mia conhecerá uma faceta de Dhiego que pode prejudica-la até mesmo com as autoridades. Quase na metade da temporada já, ta passando tão rápido <3
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Comentário(s)

5 comentários:

  1. O Thayer foi meio (muito) idiota né, ele já havia cometido o erro de desconfiar do Alex antes e não deixar o namorado se explicar, e agora tá fazendo isso de novo. Ele precisa confiar mais no Alex, mas provavelmente não faz isso por causa das mentiras que ele já contou. Enfim, acho que quando o Alex descobrir que o Thayer tem câncer ele vai se sentir culpado por ter transado com o Cameron...
    Nate rouba a cena em todas as cenas que aparece SOCORRO
    E, por fim, mas não menos impactante, o tal Dhiego é um filho da puta. Por essa eu não esperava, achei que ele estaria ali pra gerar dúvidas entre Mia e Amber mas não imaginava que ele seria tão baixo. Espero que a Mia consiga acabar com o desgraçado.

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    1. Jairo, você entendeu tudo perfeitamente bem. O lance entre Thayer e Alex é que os dois estão passando por sérias dificuldades, mas veem elas como uma fraqueza que pode dificultar o relacionamento. Thayer não diz nada a ele por medo de afasta-lo, afinal, em sua concepção, ninguém poderia amar algo que está morrendo. E Alex acha que não pode contar com ele porque precisa passar por essa transição sozinho, precisa superar seus medos e redescobrir quem ele é outra vez. É mais ou menos isso que eu tento passar aos leitores.
      Nate sempre lindo, vocês já sabem que é sobre ele que eu mais gosto de escrever hahaha <3
      Acredite, Dhiego provará ser um filho da puta ainda pior nos próximos capítulos. O da semana que vem é focado mais na Mia, então já podem esperar um embate =D

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  2. Hey! Isso vai sair mais como uma carta e menos como um comentário, mas vamos lá! Eu sou um leitor assíduo da estória dos Strauss desde a primeira temporada, mas nunca realmente cheguei a comentar — me perdoe por isso. Eu também sou um escritor e sei o quão é importante receber críticas, sejam elas negativas ou positivas, sobre as nossos trabalhos. E, como escritor e leitor, eu também adoro toda essa atmosfera de mentiras, traições, intrigas e segredos. Esse mundinho onde tudo parece perfeito na superfície, mas com escândalos borbulhando logo abaixo é maravilhoso e fascinante. Queria te parabenizar por esses livros incríveis e cheios de reviravoltas, é impossível você parar de ler e eu vivo no contante dilema de "vou deixar acumular pra não ficar maluco pelo próximo capítulo" e "MEU DEUS, EU NÃO VOU AGUENTAR ACUMULAR, PRECISO LER A-G-O-R-A" hahahaha. Eu fiquei muito maluco com o final desse capítulo, e está sendo assim toda a temporada! As revelações dos Van Der Walls, o término de Thalex, Theon... Eu acredito muito que as coisas sempre devem estar complicadas para um casal numa estória. Digo isso porque se nada acontece, eles acabam caindo na mesmice e não tem exatamente pelo que os leitores torcerem. Eu amo Thalex e eu tenho um male crush gigantesco no Thayer, mas já tava mais do quê na hora de acontecer alguma coisa no mundinho desses dois. Temos até Jate, como exemplo. Jensen era o amor da minha vida nas primeiras temporadas, mas ele ficou tão apagadinho... Agora ele é só o puppy do Nate. Bem, sem palavras para o DONO DA PORRA TODA, NATHANIEL STRAUSS, não é verdade? Ele rouba a cena até quando o capítulo NÃO é sobre ele. Por mais que eu ame isso tudo, não consigo ver um final 100% feliz para todos, imagino que será algo bem agridoce, afinal, eles precisam lidar com as consequências de alguns atos, principalmente o nosso Nate. Karma's a bitch. Então, é isso aí. Prometo que vou me tornar um comentarista tão presente quanto leitor!

    P.S.: TDM me inspirou a escreveu uma história no mesmo formato, de "série" e os meus leitores adoraram isso. Sou louco por séries e livros e essa foi uma maneira perfeita de juntar os dois.

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    1. Oi Anônimo.

      Em primeiro lugar, uau. É difícil eu receber comentários desse porte por aqui. A maioria comenta sobre o capítulo e eu já me sinto completamente satisfeito (mesmo sendo pouco). Não achei que descobriria "novos leitores" a essa altura do campeonato, mas a cada temporada tenho uma surpresa haha. Só peço que você não se sinta na obrigação de comentar sempre, porque isso é uma coisa de cada leitor. Alguns gostam de comentar toda semana porque têm algo a dizer, outros terminam de ler e descobrem que nem sempre têm algo a dizer. Acho isso bem normal, então relaxe haha.
      Muito obrigado pelos elogios. É muito bom saber que, mesmo de maneira indireta, minha escrita inspirou outros autores. Se estiver tudo bem, poderia compartilhar com a gente o que você escreve. Estava mesmo querendo ler uma história com muito escândalo, mentiras e traições, olha só haha.
      Agora, sobre os personagens, acho que você já deve ter me visto falar aqui no blog como eu os vejo. Thayer deve ser o male crush de todos (inclusive meu), e me dedico bastante em fazer o Nate roubar a cena o quanto ele pode UHAEHAEHUAHEUHAEUHAU. Concordo com você sobre as coisas terem que ficar complicadas para os casais de vez em quando, pois é isso que os mantêm interesses. Thalex já era, pelo menos por enquanto. Mas quem disse que os outros casais estão seguros? Jensen, Nate, Mia e Amber não estão livres dessa "maldição".
      Bem, é só o que posso falar por enquanto. Espero vê-lo outra vez por aqui. Ah, ainda não sei seu nome. Nada que uma próxima vez não resolva :)

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    2. Oh, sim! Esqueci de deixar minha assinatura de anônimo haha. Você pode me chamar de Hazza, vou assinar os comentários assim de agora em diante. Fiquei muito feliz com a sua resposta! Mal posso esperar pelas próximas e descobrir o que vai acontecer. Eu sou do tipo que detesta os mocinhos e mocinhas típicas, sempre trouxinhas e molengas, mas eu sempre gostei do Alex, tanto que as vezes me surpreendo pelos comentários em que criticam ele haha. O sequestro e o fato dele ter tirado a vida de outra pessoa contribuíram muito pra essa transformação que é muito importante para personagens em qualquer estória, porque se o personagem for o mesmo do começo ao fim é meio chato, certo? Isso é importante porque, assim como na vida real, as coisas que acontecem nas nossas vidas meio que nos moldam (términos, perdas, etc). Sei que Nate ainda vai sambar muito na cara de todo mundo e eu adoro o jeito dele de se importar com as pessoas. Ele não é do tipo "ei, te amo, vou cuidar de você, irmãozinho", mas podemos perceber isso nas ações dele. Nate é o personagem mais complexo e portanto, mais humano de todos. TDM <3
      P.S.: Eu me lembro o quanto me surpreendi e gritei quando Nate dormiu com Jensen na segunda temporada e fez com Alex exatamente o que eles fizeram com ele no começo da estória. Foi assim que Thalex começou e foi assim que eu fiquei uma semana me descabelando porque foi o melhor episódio ever hahahaha. Espero mais dessas pela frente.
      P.S.²: Eu amo o Jensen, mas não minto que toda vez em que Nate e Theon se enfrentam eu fico torcendo pra eles se pegarem loucamente porque tem muita tensão sexual ali, gente. #MeJulguem
      P.S.³: Mais cenas quentes como a das primeiras temporadas, PLEASE hahahaha adoro como eles não tem inibições e cada cena de sexo é uma loucura hahaha.

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