quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

[Crítica] Jeruzalem


Direção: Doron Paz & Yoav Paz
Ano: 2015
País: Israel
Duração: 94 minutos
Título original: Jeruzalem

» Será distribuído pela FlashStar, direto em DVD, com o título mesmo título que o original, Jeruzalem. Ótima escolha, principalmente por não terem recorrido aos famigerados subtítulos óbvios.

Crítica:

"Há três portões para o inferno:
Um no deserto. Um no oceano. E um em Jerusalém".

Não sou muito religioso ou sei exatamente o que acontece na bíblia - além das passagens mais conhecidas -, mas confesso que o livro do Apocalipse sempre me despertou maior curiosidade. Como um fã de filmes de terror, o que é retratado nas últimas páginas do livro sagrado aguça-me grande interesse e certamente conseguiria arrepiar os cabelos dos mais descrentes. É uma surpresa, porém, que poucos filmes do gênero tentam retratar esses acontecimentos. Recentemente foi lançado o mediano Remanescentes - Esquecidos Por Deus, que segue a típica visão católica, mas ainda há muitos ângulos a serem explorados sobre o Apocalipse - sem que zumbis estejam envolvidos no processo.

Na trama, duas garotas americanas, Sarah e Rachel, estão em férias. Depois de conhecer Kevin, um estudante de antropologia misterioso e bonito, ela decidem adiar seu destino para embarcar em uma viagem para Jerusalém. Tudo parece ótimo, com direito a muita farra e curtição. No entanto, a festa é interrompida quando o trio é apanhado no meio de um apocalipse bíblico. Preso entre as antigas muralhas da cidade santa, os três viajantes devem sobreviver o tempo suficiente para encontrar uma saída quando a fúria do inferno é desencadeada sobre eles. Agora, o único jeito de sobreviver talvez sejam as cavernas, colocando-os ainda mais perto do inferno - e, consequentemente, dos demônios que estão tão desesperadamente tentando ser livres.

Não se deixem enganar pelo trailer! O filme não consegue entregar metade da tensão que promete. Um dos principais pontos negativos é o fato de que o roteiro raso não consegue desenvolver o tema de uma forma satisfatória. Acompanhamos a curtição das duas jovens por tempo demais. O caos só toma conta das ruas de Jerusalém depois de uma hora de projeção, enchendo o saco dos espectadores com diversas cenas que em nada contribuirão para o desfecho filme. E o pior é que nenhum dos personagens é particularmente carismático, o que torna a experiência ainda mais intragável. Ironicamente, a pior personagem é mesmo a mocinha do filme, que é extremamente irritante, gritando e tomando decisões idiotas sempre que tem a oportunidade. E a parte mais engraçada é que ela é a que menos aparece na tela, já que acompanhamos a história sob sua perspectiva.

Apesar de não ter ninguém carregando uma câmera, não fugimos de todos os clichês de um found footage. A ação aqui é gravada pelo óculos da protagonista, que possui uma alta tecnologia que a mantém constantemente conectada com o resto do mundo. Apesar de diferente, essa escolha peculiar não é bem aproveitada pelo roteiro. Em diversos momentos a protagonista poderia ter usado das funções do óculos ao seu favor, mas apenas grita e chacoalha a cabeça. Jeruzalem não traz nenhuma inovação em torno do subgênero found footage - que alcançou o auge alguns anos atrás, mas agora parece estar definhando. Caso essa produção tivesse sido lançada na época próspera, certamente teria sido condenada ao esquecimento. O formato não contribui para a história, apenas se utiliza dos mesmos clichês para conduzi-la.

Ao analisarmos a história, parece claro que todo o roteiro é problemático. Desde o começo, onde as garotas fazem a escolha nada inteligente de seguir um estranho para um lugar que elas desconhecem, até o final, que se nega a explicar qualquer coisa para os seus espectadores, preferindo a correria e gritaria irritante de sempre. O enredo poderia ter se aprofundado no que estava acontecendo, explicando para os leigos sobre o apocalipse, assim como os anjos caídos e o Nefilim. Eles apenas enfiaram um bando de demônios com asas, e seguiram com a proposta da "infecção". Não podemos esquecer também que há um gigante (que seria o Nefilim que citei acima) andando calmamente pelas ruas da cidade, e nenhum dos personagens parece extremamente horrorizado por isso. Ademais, sua introdução não soma à história, se resumindo apenas a uma aparição gratuita para chocar os espectadores.

No final das contas, só paira a dúvida dos motivos que levaram o fechamento dos portões de Jerusalém, uma vez que eles estavam lidando com seres voadores (!) e um maldito gigante inabalável (!!), que poderiam atravessar para o mundo a qualquer momento que quisessem. Enfim, minha gente, mais um filme com grande potencial que se afunda no clichê e em um roteiro raso. Ainda estou esperando pacientemente por uma trama que retrate o Apocalipse com a mesma intensidade aterradora em que ele é retratado na bíblia. Por fim, deixo com vocês três coisas idiotas envolvendo o filme que merecem entrar para o mural da vergonha: no meio da correria a protagonista decide parar para procurar um cara que ela conheceu no dia anterior, como se fosse a coisa mais importante de sua vida; no terceiro ato, o roteiro preferiu focar em uma subtrama banal de infecção, colocando o caos do Apocalipse no plano de fundo (whaaat?); eu realmente pensei que esse filme seria melhor.


Trailer Legendado:

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Comentários
1 Comentários

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1 comentários:

  1. Li esta crítica assistindo ao filme. Gostei da análise. Pena que é mais um filme com boa história, mas pouco aproveitada.

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