quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

[Crítica] #Horror


Direção: Tara Subkoff
Ano: 2015
País: EUA
Duração: 101 minutos
Título original: #Horror

Crítica:

Death is trending.

A popularização das plataformas de streaming e serviços online facilitou não só o acesso dos espectadores, como também abriu novas portas para cineastas amadores, que ficaram mais livres para conduzirem os seus projetos. A maioria dos lançamentos são fracos, mas há alguns títulos preciosos que saem todos os anos. O circuito alternativo é sempre uma surpresa, cabendo ao espectador minerar algo de valor em uma grande mercado de novas produções. Lançado no final do ano passado, #Horror quase passou despercebido por mim, se não fosse a premissa de um slasher com garotas pré-adolescentes que de fato são interpretadas por atrizes menores de idade. Em um cenário onde atores com mais de 30 anos fingem estar no ensino médio, acompanhar pessoas que realmente têm a idade que interpretam certamente traria um novo ângulo em torno da situação.

Na trama, acompanhamos seis jovens pré-adolescentes que decidem fazer uma pequena reunião na casa de uma delas. O mundo dessas garotas não é como o de todas as outras. Com pais distantes, muito dinheiro e um desejo por poder, elas têm obsessão por postar suas atividades online, com o apelo desesperado de se sentirem importantes para os outros. A breve reunião logo acaba em discussão quando elas começam a praticar bullying uma nas outras para se sentirem melhores. Provando serem pessoas horríveis, as garotas mostrarão que estão dispostas a tudo para estarem no topo da cadeia alimentar, nem que para isso elas tenham que rebaixar suas próprias amigas. Em paralelo a tudo isso, uma lenda sobre o passado da casa surge, invocando um serial killer que está disposto a usar a exposição das garotas contra elas mesmas.

Em um filme intitulado #Horror, é irônico que esse seja justamente o elemento que falta nessa mistura indigesta que se tornou o resultado final desse projeto. Tirando os 15 minutos finais - que é quando as coisas começam a ficar sangrentas - só acompanhamos as garotas trazendo todo tipo de futilidade e crueldade na tela por mais de uma hora. Eu não tenho palavras para explicar quão cansativa foi essa experiência para mim. Por diversas vezes tive que parar o filme para comer alguma coisa ou conversar com alguém, porque acredito que assisti-lo de uma só vez pode causar sérios danos ao psicológico de uma pessoa. Literalmente uma perda de dinheiro em um projeto que apresenta diversas possibilidades interessantes para serem exploradas, mas que prefere focar no quanto as suas protagonistas são vazias de personalidade ou qualquer tipo de sentimento positivo.

A grande questão não é falar sobre o quanto o filme é ruim - porque isso é um fato -, mas o quanto ele é insuportável. Quem achou que seria uma boa ideia escrever um roteiro horrível com alguns dos personagens mais abomináveis da história dos filmes de terror? A diretora, que também é a escritora dessa pérola, revelou que esse filme se trata de cyberbullying, focando na pressão que jovens passam ao crescer em um mundo dependente de atenção e autopromoção com o surgimento das mais variadas redes sociais. É um conceito muito interessante, que neste caso foi apresentado de uma forma infantil e através de uma das edições mais ridículas que eu já vi em toda a minha vida. Faltou sutileza! O resultado final é uma bagunça pretensiosa e sem identidade.

Estava gostando bastante da fotografia do filme, cercando as meninas com tons frios e o branco da neve - passando uma ideia de distanciamento (que pode ser interpretada de diversas formas; dos seus pais, do mundo idealizado, de si mesmas). Bem, isso aconteceu até a explosão trash de emojis e montagens bregas como se tivesse saltado um anúncio de um cassino na tela. Quem for assistir o filme até o final, na esperança de ver aquelas garotas monstruosas serem brutalmente assassinadas, irá se decepcionar amargamente. Nem mesmo cenas de perseguições ou mortes elaboradas a trama conseguiu realizar com um mínimo de decência. Quero dizer, eu não esperava nada muito gráfico, uma vez que estamos acompanhando personagens tão jovens, mas o terceiro ato conseguiu ser ainda mais fraco que os dois primeiros (onde literalmente nada acontece).

Queridos, acredito que não preciso me estender mais sobre o assunto. Corram para as colinas, porque esse filme não é só ruim, ele é perturbador (e não estou falando no bom sentido, tipo Martyrs). Eu sinceramente não consigo pensar em nenhum motivo plausível para uma pessoa querer acompanhá-lo, porque ele é ruim em todos os aspectos que se propõe a desenvolver. Condenaria ao esquecimento se o projeto já não tivesse sido jogado em um escuro abismo de apagamento. Por diversas vezes tive que juntar forças para continuar acompanhando, e o que me motivou foi o pensamento de que os minutos que eu já tinha perdido não seriam em vão, afinal de contas, renderia esse texto pra lá de informativo para futuras possíveis vítimas. Enfim, gente, passem longe porque eu não desejo essa tortura nem para o meu pior inimigo. Com o perdão do trocadilho, esse filme é mesmo um #horror.


Trailer:

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2 Comentários

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2 comentários:

  1. Antes tivesse lido essa crítica, assisti esse lixo perdi 1hr e 30 mins da minha vida,ohh filmezinho tosco e vi anuncios q era uma historia real

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  2. Antes tivesse lido essa crítica, assisti esse lixo perdi 1hr e 30 mins da minha vida,ohh filmezinho tosco e vi anuncios q era uma historia real

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