sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

[Crítica] Scream Queens - 1x12/13: Dorkus / The Final Girl(s) (Season Finale)


É chegada a hora de todas as máscaras caírem.

Review: 
(Spoilers Abaixo)

É chegada a hora do grand finale, de todas as máscaras caírem, do assassino ser finalmente revelado, assim como suas justificativas. É chegada a hora do último embate entre os protagonistas e o assassino, dos últimos personagens serem mortos no momento que, supostamente, teria que ser o grande clímax de qualquer filme/série: os vinte minutos finais, ou neste caso, nos últimos episódios. Pois bem, se você, assim como eu, esperou por alguma grande reviravolta, ela com certeza não veio, e acima disso, se você esperou por alguma grande perseguição e uma luta entre uma possível final girl e o maníaco, ficou ainda mais decepcionado, porque nem mesmo um número considerável de mortes tivemos nestes oitenta minutos.

Não há como negar que Ryan sabe conduzir sua história, mas o que é mais evidente é o quanto ele consegue facilmente se perder no meio de sua própria trama, e por consequência, entregar um produto final aquém do que foi prometido, ou pelo menos esperado. Aconteceu isso com Nip/Tuck, American Horror Story, que desisti nessa temporada, e aconteceu isso com Glee que se tornou um emaranhado de clichês e más decisões que fizeram de um dos maiores hits da Fox amargar uma péssima audiência em suas últimas temporadas.

Apesar de quase nada ter surpreendido ou mesmo agradado no final, a verdade é que a história tem sim um potencial altíssimo que, se bem trabalhado, futuramente pode render um show que não faça seu público o abandonar no decorrer da temporada. Não vou dizer que tudo ali foi equivocado ou errado, a mais pura verdade é que muitas coisas funcionaram e algumas resoluções foram satisfatórias, assim como também tivemos ótimas situações, bem boladas o suficiente, mostrando a capacidade do time dos roteiristas. Mas existiram tantos pontos que deixaram a desejar, que infelizmente isso ainda é o que mais pesa no final, e possivelmente serão estes pontos que deixarão as lembranças mais amargas.

Enganado estava eu achando que Pete não teria grande envolvimento com aquele papo de ser um assassino. Ele realmente, em certo ponto, esteve no time dos Red Devils e sim participou de todo aquele massacre diretamente, mesmo que tendo, em relação aos outros integrantes, a menor quantidade de sangue nas mãos. O texto dele, ainda que cause certo engajamento, reflete uma sociedade atual em que vivemos, e o maior acerto do roteiro é evidenciar isso ao público maior, mostrando os reflexos dessa sociedade na vida dos jovens. Ryan mostrou como consegue se manter atual e apesar de ter parecido um pouco autoexplicativo demais, entendemos que Pete está ali para representar o que vemos todos os dias no nosso cotidiano: pessoas que procuram uma justiça (um tanto quanto distorcida às vezes), mesmo que com as próprias mãos.

Apesar disso, suas justificativas seriam mais plausíveis se ele não estivesse no meio daquilo tudo. Ele se sairia melhor explicando os "porquês" de um terceiro psicopata do que tendo de se explicar. Ele acaba se tornando chato com aquela metalinguagem e "moral falsa" por trás dos seus atos. Fora isso, sua pequena participação nessa finale fez a diferença, já que por cinco segundos eu gostei da Grace, que mais uma vez mostrou que deveria ter sido uma das primeiras mortes dentro da série.


O maior problema veio quando a grande revelação realmente aconteceu. Foi tudo, como de costume, jogado na cara do espectador, que tinha que se concentrar para não perder o fio da meada, para entender tudo o que estava acontecendo, a ordem cronológica e as principais motivações. Hester a.k.a Chanel #6 a.k.a Rachel Berry conseguiu o que Emma Roberts não conseguiu em Pânico 4, que foi sair ilesa de toda aquela loucura. Mas no fim das contas entendemos finalmente quais os fundamentos para aqueles crimes estarem sendo cometidos contra as residentes da Kappa Kappa Tau.

Felizmente não tivemos nada muito mirabolante e graças ao texto afiadíssimo da personagem e a boa interpretação de Lea Michele, engolir aquilo tudo se tornou uma tarefa relativamente fácil. Mais uma vez Ryan traz embasamentos do mundo real para traduzir a alma de seus personagens. Apesar daquele mundo ser fora da realidade e fundado em insanidade, Hester consegue convencer do modo mais real e natural possível, e como a mesma disse, ela é fruto do sistema, o que, até para os menos atentos, é uma forte crítica ao corpo social e político da atual era em que vivemos. Infelizmente, alguns fatos incomodam por fazer contraponto com essa realidade escrachada proposta.

Ainda existem núcleos que a série conseguiu decepcionar, mesmo tendo tempo e oportunidades suficientes de cumprir aquilo a que se propôs. O fato de metade do elenco sair vivo é o que mais incomoda, assim como não termos praticamente nenhum assassinato nestes dois últimos episódios, e nenhuma grande perseguição durante toda a temporada. Aquela fala de Ryan sobre apenas quatro ou cinco personagens saírem vivos mostra a jogada de marketing do mesmo, ou pode apenas significar que ele nos fez de bobo mais uma vez, ou mesmo que algumas propostas referente a história mudaram no decorrer do desenrolar do projeto. Felizmente o programa tem a oportunidade de corrigir isso em sua segunda temporada, e vamos torcer para que isso aconteça.

No final, com Hester quebrando aquele clichê de matar e morrer como culpada, a mesma aparentemente saiu impune de tudo aquilo. Chanel e suas fiéis companheiras também tiveram seus devidos finais. Hilário como o script aproveita a própria insanidade para mostrar um momento de clareza que é mais insano do que foi inicialmente. O fato das três personagens estarem felizes em um mundo simples, com pessoas simples e em situações simples cutuca mais uma vez a todos nós, loucos pela popularidade, dinheiro, status social, e mostra que é capaz de trabalhar um subtexto recheado a passagens mirabolantes, sem necessariamente sair da realidade de seu público, sedento por aquilo que as personagens tem e são.

Apesar de ter deixado um final relativamente aberto e ter mostrado que nem tudo vai sempre funcionar, Scream Queens tem em seu primeiro ano uma trama irregular, que trabalha o humor negro e suas críticas muito melhor do que consegue fazer com a história do mistério por trás da máscara. Banhado a cutucadas e referências, os dois últimos episódios evidenciam um dos maiores problemas da série, que é não saber equilibrar muito bem seus núcleos criativos, onde neste final tivemos diálogos e mais diálogos com pouca aparição daquele que deveria ser o divisor de águas entre a realidade e a ficção. Esperemos agora por um segundo ano que saiba melhor conduzir todos os seus focos e acima disso tenha capacidade de aprender com seus erros. Por fim, ainda estamos todos de olho em Zayday Willians.
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1 comentários:

  1. Acho que se essa série fosse um sucesso absoluto, no auge de sua décima temporada - que seria a última -, Zayday acabaria se revelando the final killer.

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