segunda-feira, 9 de novembro de 2015

[Crítica] The Wicked Within


Direção: Chris Sparling
Ano: 2015
País: EUA
Duração: 91 minutos
Título original: The Wicked Within | A Wicked Within

Crítica:

Toda família tem os seus demônios.

Como vocês já sabem, o festival anual 8 Films to Die For voltou com tudo em 2016. Depois do aguardado lançamento de Renascido das Trevas, esta trama envolvendo possessão demoníaca foi o segundo dos oito filmes lançados este ano. No site oficial do festival você pode conferir mais informações sobre os próximos títulos que deverão aparecer em breve no nosso mundo. Eu assisti ao trailer de todos eles, e A Wicked Within logo figurou entre um dos meus favoritos. Fiquei muito contente ao ver que eles foi um dos primeiros a ser liberados, mas a ansiedade não durou muito. Apesar de parecer divertido, este filme acabou se tornando uma enorme decepção.

Na trama, anos depois da morte de uma criança, uma família se reúne e coisas inexplicáveis começam a acontecer. A tensão peculiar traz consequências, e segredos obscuros começam a ser revelados. Bethany se mostra insanamente diabólica, determinada a acabar com todas as raízes familiares. Ela está possuída ou apenas bancando o advogado do diabo? Com a ajuda de um padre e uma psíquica, a família tenta restaurar a paz e sanidade. Mas os eventos que ocorrem naquela noite não poderão ser facilmente esquecidos. Enquanto testemunhamos os acontecimentos principais, somos conduzidos a uma entrevista com um psicólogo da polícia com os sobreviventes, onde o Dr. Woods tenta extrair os fatos da ficção sobre o que realmente aconteceu na casa aquela família, e o que os levou a eventos tão trágicos.

Quando assistimos ao trailer, pensamos se tratar apenas de um filme divertido sobre possessão demoníaca. Logo notamos que há diversas referências de outros filmes deste subgênero, principalmente ao clássico O Exorcista. É uma abordagem interessante, porque filmes envolvendo possessão geralmente se levam bastante a sério e tentam ser o mais assustadores possíveis. No entanto, esta produção parecia seguir um caminho diferente, com o diabo fazendo jogos mentais para fazer uma família cheia de segredos se destruir. No caso, você torceria para o diabo, enquanto as suas "vítimas" estariam mostrando o seu pior lado em frente a ele. É uma ótima premissa e eu não poderia estar mais empolgado, mas a execução do filme falha miseravelmente. Não se levar a sério não é sinônimo de um texto patético. Os diálogos, mostrando o diabo revelando verdades, são risíveis.

Confesso que a única coisa satisfatória desta produção é a participação da atriz Sienna Guillory (a Jill da franquia Resident Evil). Enquanto todos os outros atores se mostram extremamente amadores - com destaque negativo para a atriz Sonja Kinski (a Maggie), que infelizmente acaba se tornando importante no terceiro ato -, Guillory consegue se sobressair na pele da personagem possuída. Não conseguimos nos importar com os outros personagens, especialmente quando eles são tão terríveis. Mas a ligação entre as irmãs Bethany e Hannah merece algum destaque, mas com certeza merecia ter sido melhor desenvolvida. Intercalar a ação principal com os depoimentos dos sobreviventes com uma ideia completamente ridícula. Não só sabemos quais são os sobreviventes, como também sabemos que quase todos eles escapam ilesos dos eventos principais - tornando todas aquelas ameaças do diabo furadas.

E pior do que acompanhar personagens sem carisma algum, é saber desde o começo que eles não irão morrer em algum determinado ponto do filme. Eu tentei me manter receptivo até a metade da trama, repetindo na minha cabeça que as coisas iriam melhorar, mas quando os personagens começaram a tomar decisões extremamente questionáveis, eu percebi que todo o roteiro havia ido por água abaixo. Ao invés de se passar em apenas uma noite de muita tensão, a história se estende por dias (!) com a possuída amarrada na cadeira fazendo vários nadas (!!). O jogo de manipulação - que deveria ser um dos pontos altos do filme - causa vergonha alheia. Para piorar as coisas, o roteiro ainda tenta uma reviravolta final, com direito a montagem revelativa no estilo Jogos Mortais. Péssima execução!

Enfim, não espere muito além do que o trailer apresenta. E até mesmo essas cenas ficam perdidas em um mar de besteiras no decorrer da história. Se levando a sério ou não, o filme é um verdadeiro fracasso, enfraquecendo os lançamentos do festival 8 Films to Die For de 2016. Resta esperar que os próximos se saiam melhor do que este, que certamente poderia ter sido muito melhor. Não recomendo nem para as pessoas que gostam do tema, porque achei o resultado final extremamente escroto. O segundo lançamento do festival conseguiu dar na minha cara, que ansiava por algo divertido. Tratarei de manter minhas expectativas moderadas daqui para frente. Não queremos dar murro em ponta de faca novamente, não é verdade? Enfim, o único medo que este filme vai causar é quando você perceber o tempo perdido que não terá de volta.


Trailer:

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