quarta-feira, 14 de outubro de 2015

[Crítica] The Walking Dead - 6x01: First Time Again (Season Premiere)


Stand your ground.

Review:
(Spoilers Abaixo)

Quando eu penso que não teremos mais textos semanais sobre The Walking Dead no nosso mundo, eis que uma vozinha dentro de mim implica que eu devo voltar a escrever sobre a série. Verdade seja dita, fiquei bastante tempo afastado deste mundo pós-apocalíptico, e quem leu minhas críticas do spin-off, Fear the Walking Dead, sabe que foi justamente este novo show que me deu forças para continuar investindo neste universo de errantes. Essa série pode ter os seus defeitos, eu posso falar mal em algumas semanas, pode ser parada e eu posso até parar de assistir ocasionalmente, mas deve existir algum motivo para eu continuar voltando. De fato, há alguns acontecimentos que me deixam doido para vir comentar aqui com vocês. Deve ser a força do hábito. Hábito este que não pretendo largar - pelo menos nessa temporada.

Entrando com emoção nesta nova temporada, devo começar dizendo que o episódio apresenta duas linhas temporais - que apesar de parecerem distantes uma da outra, na verdade não é. O que mais chamou a atenção foi o modo como essas duas narrações foram apresentadas. Enquanto o presente segue normalmente, os eventos passados estão em preto e branco. Foi uma escolha visual interessante, ainda que inconsistente com o estilo apresentado pela série até então. Mas isso não é algo ruim. De fato, é legal vê-la mostrando algumas características novas. Alguns novos personagens foram acrescentados, e já logo podemos imaginar quais deles serão relevantes em um futuro próximo. Tendo apenas uma vítima esta semana, não foi uma surpresa constatar que a morte sobrou para um dos novatos. Não era um personagem particularmente interessante, mas seu desfecho certamente foi sentido. Não foi tão sofrido quanto o Noah, mas mordida na cara também não é algo fácil.

O que mais me surpreendeu foi ver que o personagem foi morto pelo zumbi mais magro, podre e incapaz apresentado no episódio. Tenho certeza que um homem daquele tamanho poderia facilmente sobreviver ao ataque, mas o enredo precisava provar o ponto de vista do Rick. A maioria das pessoas de Alexandria são fracas e incapazes de lidar com os zumbis. Apesar de achar a morte particularmente boba, gostei bastante da cena em que alguns zumbis caindo aos pedaços tentaram atacar o grupo e eles sequer conseguiam se defender com suas pás. Essa cena foi convincente e deu um apoio ao que o Rick havia dito anteriormente sobre tais indivíduos desconhecerem o mundo pós-apocalíptico. Quero ver este grupo específico largando a xícara de chá e treinando para sobreviver nas próximas semanas (isso se eles tiveram a chance, é claro).

Enquanto os Lobos continuam sendo a ameaça máxima deste novo ano, o perigo imediato voltou a cair nos zumbis - algo que não acontecia há algum tempo. E nada melhor do que renovar nosso temor pelos infectados do que uma horda ridicularmente gigante. O enredo poderia ter aproveitado a "corrida dos mortos" para criar alguma tensão, mas em geral as coisas aconteceram de uma forma bastante morna. Assim como bois em fila, os errantes não causaram muito problemas. Nem mesmo a única morte causada no episódio os desviou de seu caminho. De fato, o zumbi devorador de faces sequer fazia parte da "parada de orgulho dos mortos". Mas, claro, nada poderia prepará-los para uma buzina inconveniente, chamando metade dos infectados em direção à pequena comunidade. Confesso que a buzina tocando além dos créditos finais causou uma certa tensão, assim como a imagem de centenas de zumbis caminhando em direção a ela.

Focando nos personagens em si, a maior expectativa recaía em torno do retorno do Morgan. Vimos, na temporada anterior, o quanto ele havia mudado - assim como o Rick. Estava com medo que o personagem se tornasse uma espécie de crítico da moral e dos bons costumes, disparando discursos chatos sobre humanidade, mas até que ele se conteve. Morgan provavelmente terá muita importância no desenvolvimento do Rick neste novo ano. Depois de tantas perdas e transformações, o Rick não tem mais freio - ou um conceito de certo ou errado. Então acredito que o Morgan trará um pouco mais de humanidade para o personagem, sem cair no clichê ou perder sua pose badass. Convenhamos, mesmo sem matar as pessoas, com sua posição politicamente correta e com apenas um bastão, Morgan é muito mais interessante que a maioria dos personagens ali.

Por falar nos personagens, gostei da breve conversa entre a Maggie e a Tara a respeito do Nicholas. Eu odiava o personagem na quinta temporada - principalmente depois de causar a fatalidade do Noah e de tentar matar o Glenn -, mas ele pode seguir um caminho interessante de redenção. É claro que eu não acredito que o roteiro irá mantê-lo vivo tempo suficiente para que nos importemos com ele, mas eu já consegui ver uma grande mudança no personagem. Deu para ver que ele está extremamente arrependido e disposto a aprender os ensinamentos do Genn para se tornar uma pessoa melhor. É interessante estabelecer um paralelo entre o Glenn e o Rick, que tem seguido caminhos extremamente apostos em face da adversidade. Enfim, não achei que esse retorno foi sensacional - a Season Premiere da temporada passada foi melhor em todos os sentidos -, mas também não foi ruim. Tivemos zumbis de sobra, mas faltou ritmo (com o perdão do trocadilho) e tensão. No entanto, as coisas podem mudar na próxima semana, que promete trazer tudo o que ficou faltando neste primeiro episódio.
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