sábado, 10 de outubro de 2015

[Crítica] Fear the Walking Dead - 1x06: The Good Man (Season Finale)


A humanidade perde sua primeira batalha.

Review:
(Spoilers Abaixo)

Depois de uma quebra no ritmo da série - que trouxe episódios mais centrados em seus personagens e menos na tensão -, finalmente tivemos o desfecho apocalíptico que desejamos desde a Series Premiere. Fazendo um balanço geral deste primeiro ano, acredito que a temporada tenha se encerrado com um saldo positivo. Apesar de alguns erros óbvios - recorrentes na própria série-mãe -, Fear the Walking Dead estabeleceu uma estrutura sólida, com personagens fortes que têm bastante potencial para crescer nos próximos anos. O que eu acho mais interessante disso tudo é que nós tivemos a oportunidade de conhecê-los no mundo real. Nós vimos o que eles eram, e agora testemunharemos o que eles irão se tornar. Quais deles ainda estão vivos no cenário atual de The Walking Dead?

Apesar de toda a confusão e zumbis para todos os lados, esse episódio teve tempo para focar na quebra do espírito positivo e "camarada" do Travis - o que é algo que estamos esperando desde o primeiro episódio. Ele provavelmente não é um personagem ruim - como o seu filho -, mas o seu discurso moralista por toda esta temporada encheu o saco. Enquanto os outros perceberam o que tinham que fazer para manterem-se vivos, Travis permaneceu sendo a última linha de defesa da moral e bons costumes, e uma de suas decisões civilizadas quase tirou uma vida nesta Season Finale. Sinceramente, eu esperava que o soldado realmente tivesse matado alguém. Sei que a Ofelia e o seu pai são personagens que ainda podem crescer na trama, mas acredito que as consequências das ações do Travis devessem ter sido... mortais.

De qualquer forma, o personagem finalmente acordou para a vida e está na mesma página que os outros. Travis enfrentando essa realidade foi necessário para ele tomar coragem de atirar na cabeça de sua ex-mulher - que infelizmente foi mordida durante um ataque. Eu não dava muito pela Liza, mas desde que ela assumiu um papel de enfermeira, se voluntariando para estar no meio do caos, ela cresceu em mim. Vi bastante potencial nessa personagem, sem contar sua interação com a Madison, que poderia ter sido melhor desenvolvida. Elas não se davam muito bem, mas o fato da Liza ter dado a arma nas mãos da Madison foi uma espécie de redenção no relacionamento das duas. Um ponto final em suas tramas. Mas com o Travis sendo responsável pelo destino final da personagem também foi algo significativo dentro da trama, que provavelmente mostrará repercussões no próximo ano.

Aliás, chega a ser engraçado falar sobre moral e princípios quando você é responsável por deixar o portão de sua comunidade aberto, sem avisar nenhum dos seus vizinhos sobre os perigos imediatos e, por cima disso tudo, libertar mais de 40 mil zumbis (!!) do estádio para causar uma "distração". E eu ainda estava me perguntando como os mortos conseguem assumir o controle do mundo. Com decisões como a que vimos nesse episódio final, não resta dúvida de que eles não precisam fazer muito além de cambalear e comer os vivos que estão dando bobeira por perto. Só eu não soubesse melhor, diria até que essa ação nobre de resgate foi responsável pela condenação da humanidade. Uma enorme horda de zumbis vagando pela cidade, matando e convertendo os vivos desavisados nos arredores, o que acarreta em uma bola de neve que não tem como parar - especialmente quando os militares, que deveriam trazer alguma esperança, foram o alvo do ataque.

Bem, ignorando todas as decisões estúpidas - e que com certeza cobrarão o seu preço mais tarde -, não podemos negar que este foi o melhor e mais tenso episódio da temporada. Se eram mortos que nós estávamos pedindo, foi exatamente isso que nós recebemos. E pela primeira vez o ataque os infectados foi convincente o suficiente para a queda dos militares. Neste contexto, não podemos negar também que a distração foi muito convincente, apesar completamente incabível. Será que eles não conseguiram pensar em nenhum plano melhor além de encher a cidade de infectados? Tivemos algumas cenas tensas e outras que ficaram só na promessa. Mas, no geral, todas as sequências no complexo médico foram impactantes. Só queria que tivesse durado um pouco mais. Sinto que, algo ver a luz do dia, alguma coisa ficou faltando.

Enfim, essa primeira temporada foi exatamente o que um bom fã de The Walking Dead poderia esperar: dramas familiares, ritmo lento e uma finale acelerada com a morte chocante de um dos personagens principais. Gostaria de ver a série seguindo os seus próprios passos - um desejo que se vê distante, ainda mais agora que a segunda temporada passará a ter 15 episódios, o que pode gerar uma estrutura ainda mais parecida com da série-mãe. Os produtores disseram que entenderam o recado dos fãs e irão apresentar uma trama mais dinâmica no segundo ano, mas os caminhos que eles querem seguir parecem apontar o contrário. Enquanto a proposta de ir para um barco e escapar do caos da terra-firme pode ser considerada a forma mais inteligente de sobreviver a um apocalipse zumbi, não vejo bons ganchos para o desenvolvimento de uma trama. Mas não tem nenhum vidente aqui, então deixo apenas minha curiosidade em torno desse plot. Até o próximo ano!
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