quarta-feira, 14 de outubro de 2015

[Crítica] A Entidade 2


Direção: Ciarán Foy
Ano: 2015
País: EUA
Duração: 97 minutos
Título original: Sinister 2

Crítica:

Cuidado. Crianças no caminho.

O bicho-papão pode até ser implacável, mas nada tem mais força do que um sucesso de bilheteria. Com um orçamento modesto, A Entidade surpreendeu a todos com os grandes números de sua estreia, garantindo uma inevitável sequência. O fato é que o primeiro filme termina da forma mais pessimista possível, apresentando sua mitologia e deixando claro que o mesmo voltaria a acontecer com outra família. Uma vez que a trama é obrigada a seguir certos eventos, os roteiristas obviamente precisavam expandir sua história, com o objetivo de não só aprofundá-la, como também trazer elementos suficientes para tornar esta segunda parte necessária. Mas será que eles tiveram sucesso nessa empreitada?

Depois do massacre da família Oswalt, a trama segue os Collins. Courtney se muda com seus dois filhos, os gêmeos Dylan e Zach, para uma fazenda afastada da cidade na esperança de escapar do seu marido abusivo. Eles não sabem, mas a mudança os colocou na mira do demônio Bughuul, responsável pelo massacre de uma família no mesmo local. Quando o deputado do primeiro filme descobre que a casa não está mais vaga, ele tenta fazer o que pode para salvá-los, tendo em vista que removê-los da casa só aceleraria a linha de eventos. Agora, em meio a pressão do abusivo patriarca para recuperar o poder de sua família e as aparições de Bughuul e suas crianças fantasmas, Courtney fará de tudo para salvar os seus filhos, ainda que um deles possa ser responsável pelo assassinato de toda sua família. Como ela poderá protegê-los quando um deles é a ameaça?

Confesso que fiquei bastante satisfeito com a ligação íntima que esta sequência estabelece com o primeiro filme. Parece mesmo uma continuação dos eventos que vimos em 2012 - mesmo que seja com outros personagens -, forçando a história a se desenvolver além do que já testemunhamos. O retorno do deputado do original foi um dos maiores acertos do enredo. Notamos uma clara evolução no personagem, que anteriormente se mostrara meio bobo. Esse amadurecimento não é gratuito, considerando que agora ele está no papel do herói do filme, carregando o conhecimento necessário para salvar uma família de uma tragédia certa. O deputado "fulano de tal" sai do elenco de apoio para protagonizar a história, colocando-se inevitavelmente na linha dos eventos. No entanto, vale alertar que o personagem não consegue transmitir a mesma força que o personagem de Ethan Hawke.

Não é segredo para ninguém que esta sequência buscou bastante influência no clássico Colheita Maldita. Desde a fotografia - com os tradicionais milharais - até o garotinho maligno querendo converter outras crianças. O grande problema é que esta influência é tão grande que o filme acabou perdendo sua identidade. De fato, parece mais uma sequência da franquia "homenageada" do que uma segunda parte de A Entidade. Bughuul é um excelente vilão! Ele tem a caracterização certa, assim como sua própria mitologia. É fácil imaginá-lo como um clássico vilão contemporâneo, garantindo sua própria franquia duradoura. Mas, ao invés de colocá-lo no centro dos eventos, o roteiro destaca as crianças fantasmas para fazer o seu trabalho "sujo". É neste ponto que consiste o maior dos erros desta sequência. As crianças mortas não trazem nenhum diferencial, assim como também não causam medo.

Os vídeos caseiros foram responsáveis por algumas das cenas mais tensas do original, além de serem determinantes para a investigação do protagonista. Mas nesta segunda parte os vídeos apresentam dois problemas: o primeiro é que não há uma boa função na trama. Eles apenas adicionaram os vídeos para chocar os seus espectadores, não contribuindo em nada com o desenvolvimento da história. O segundo problema está no exagero. Os vídeos do primeiro filme eram aterradores porque eram simples, parecendo muito reais. No entanto, os vídeos desta sequência investem em mortes gráficas e mais elaboradas, com direito ao uso de computação gráfica - o que compromete a proposta realista que tais películas deveriam transmitir. Há alguns interessantes, como o da família na neve ou a família morta na igreja, mas todos os vídeos são dispensáveis no enredo geral.

Um dos pontos positivos está na família que é perseguida pela entidade. Encabeçada pela matriarca Courtney, interpretada pela já conhecida no gênero Shannyn Sossamon (24h Para Sobreviver, Uma Chamada Perdida), logo nos conectamos com o drama familiar enfrentado por ela e os seus filhos. Além de trazer mais profundidade para os seus personagens, esse tipo de violência doméstica - infelizmente tão comum no dia a dia - faz com que nos importemos ainda mais com eles. O enredo ainda tenta uma pequena reviravolta em torno das crianças, mas quem prestar atenção descobre o que está acontecendo muito antes do terceiro ato. Enfim, não é melhor do que o primeiro filme e apresenta alguns problemas, mas em geral foi uma sequência aceitável. Seria muito fácil seguir os mesmos moldes que o original, mas o enredo dessa segunda parte se esforçou para complementar sua mitologia. Considerando o resultado morno nas bilheterias, a grande questão é se Bughuul voltará para mais uma rodada de assassinatos. De resto, fica apenas minha curiosidade para saber como eles seguiriam com uma nova sequência a partir do final dessa.


Trailer Legendado:

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Comentários
1 Comentários

Comentário(s)

1 comentários:

  1. Eu adorei esse filme! Acho que acrescentaria uma "estrelinha" aí. Apesar de estar incluso no gênero de terror, acredito que é mais um suspense dramático. E apesar dos vídeos não acrescentarem nada na trama do filme, foi justamente eles que trouxeram um ar de perverso no enredo. Mais chocante do que assustador, eu recomendo.
    Ótima crítica! Primeira que li no seu blog! Adorei.

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