domingo, 25 de outubro de 2015

[Crítica] American Horror Story - Hotel | 5x03: Mommy


"Que justiça poética distorcida."

Review: 
(Spoilers Abaixo)

O que Ryan sempre soube fazer em todas as suas produções foi aprofundar a relação humana em decadência. Em AHS ele sempre evidenciou o pior do ser humano e mesmo os mocinhos e melhores personagens sempre mostraram uma personalidade bondosa duvidosa, e no momento em que nós menos esperávamos, ou esse personagem são desmascarados e desconstruídos por eles mesmos ou por outros ao seu redor, ou acabavam morto. Nessa quinta temporada a base para o horror construído até agora gira entorno justamente das relações problemáticas dos personagens, isso tudo envolto do sangue e da imundície humana, mas se perde em criar um ambiente que seja capaz de manter o interesse.

Infelizmente a série vem se perdendo nos seus próprios dramas e acaba por criar charadas demais para seu espectador. Isso até funcionou nas outras quatro temporadas, onde a curiosidade pelas dúvidas e descobertas eram grandes, e se isso não fosse suficiente, os protagonistas ainda tinham a empatia desejada, seja a bitch seja a heroína. Em Hotel parece que a trama não está sendo segurada pelos rostos já conhecidos, se é que é possível chamar o que foi apresentado até agora de trama. O que temos até então são retalhos de jogadas e reviravoltas que já foram anteriormente utilizadas.

Claro, existem pontos altos e cenas lindas com enquadramentos distorcidos que evidenciam a loucura, mas se firmar somente nisso não funcionará por muito tempo. Essa temporada apresentou dois elos que se firmam como foco principal, mas infelizmente nenhum consegue ser chamativo o suficiente. Nem os vampiros com sua mitologia e nem os casos policiais que lembram muito Jogos Mortais.

Enquanto a parte vampiresca insiste em não aprofundar uma mitologia e serve apenas para criar conflitos entre os personagens, a parte policial se torna forçada com aquele texto já mencionado antes onde o assassino tem motivos morais e religiosos para cometer tais crimes. Essa parte peca justamente por trabalhar esse clichê do "enviado dos deuses" e não se preocupa em orquestrar motivos que sejam mais verossímeis nos dias atuais. Convenhamos que se alguém for matar pessoas com base nos dez mandamentos, não sobrará uma alma viva.

Sem contar que essa é a primeira temporada onde tudo parece desconexo. Todos os personagens apresentados até agora não parecem ter a menor relação e envolvimento entre si, se não por pequenos detalhes contados em flahsbacks. Ou seja, Evan Peters está lá no hotel como o criador do mesmo, Lady Gaga também é uma moradora, mas parece não fazer ideia da existência deste fantasma, entre outros muitos pontos. Trabalhar histórias isoladas pode funcionar, desde que sejam interligas por um certo bom senso, que não vem acontecendo. Sim, todos os personagens tem algum tipo de relação, não nego isso, mas é um elo tão fraco e tão mal colocado, que eles se conhecerem e estarem no mesmo plano não tem a menor relevância para a história. Lady Gaga ainda não é merecedora de um Oscar, mas parece que a proposta de sua personagem é justamente essa, sem emoções, o que é justificado pela história que Elizabeth vem apresentando.

Estamos no início da temporada, é compreensível que muitas coisas não façam sentido, mas estou realmente receoso em nada funcionar, e é precisamente o que vem acontecendo. Não que eu queira respostas imediatas e mal colocadas e calculadas, mas charada em cima de charada também não dá. Assim a trama não anda e as possíveis respostas parecem algo distante para se alcançar, quem dirá respostas satisfatórias. Torço realmente para que as próximas semanas Hotel dê um up em sua história e que mais clareza seja trazida para as nossas vidas.

Com mais uma semana relativamente fraca, American Horror Story se baseia muito mais em seus ambientes e quadros paranoicos que lembram muito mais um vídeo clipe do que um episódio de uma série, do que realmente apresentar algum horror que possa prender a atenção do telespectador. Existem pontos a serem corrigidos mas existem também aqueles que se aprofundados podem render ótimos momentos para a série. Se a trama continuar assim, arrastada e obscura demais, o espectador se cansará fácil, agora se conseguirem trabalhar melhor o material que possuem, é capaz de no final o produto ser relevante como já foi um dia.
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