domingo, 18 de outubro de 2015

[Crítica] American Horror Story - Hotel | 5x02: Chutes and Ladders


"Sem corpo, sem crime."

Review: 
(Spoilers Abaixo)

Religião sempre foi um tema recorrente nas produções do gênero horror, desde filmes de espírito e possessões até slashers onde muitas vezes em um último suspiro a pergunta que fica é se "eu mereço isso". Ryan sempre soube trabalhar bem com este tema, e isso vem desde a primeira temporada. Claro que existem as inversões de fé, mas o que ele coloca em questão mesmos é a religião em sua raiz: acreditar ou não em Deus, acreditar ou não na salvação e acima de tudo acreditar no certo e errado, no bem e no mal. Se ele já trabalhou isso milhares de vezes em todas as outras temporadas, porque insistir de novo? Ele pode muito bem errar a mão, mas neste episódio a nossa amada Titia acerta mais uma vez, e com louvor ~sem trocadilhos.

America Horror Story tem uma vantagem que as séries de terror em sua maioria não tem: trabalhar os dramas. Enquanto a maioria se preocupa com sustos fáceis, mortes e sangue, AHS consegue desenvolver inúmeros núcleos, não se privando ao gênero horror, mas entendendo que sua premissa é esse. Apesar de nem sempre conseguir alcançar uma carga dramática verossímel dentro daquele universo, as tentativas em sua maioria renderam bons resultados mostrando que aquilo vai muito além do medo.

Nessa temporada, em apenas dois episódios, já é perceptível que teremos várias charadas para responder e acima disso teremos mais de um núcleo principal. Em suas quatro temporadas passadas a série sempre apresentou mistérios que duravam alguns episódios que pareciam que carregariam a temporada nas costas, quando na verdade se tratavam de histórias isoladas que depois de resolvidas poderiam ou não apenas serem esquecidas no roteiro. Por agora notamos duas "vertentes" que podem ou não ser caracterizadas como o foco principal de sua narrativa.

Vamos falar primeiro do que envolve necessariamente a parte vampiresca da atração. Não gostei, simples assim. Trabalhar estes conceitos parece algo simples já que existem numerosas produções com vampiros como temática principal. Infelizmente Ryan não soube conduzir essa parte. Não estou me referindo a mitologia criada, que na verdade parece muito interessante, se bem trabalhada. Estou me referindo as ações e explicações dada pelos personagens vampiros. Ou seja, em um único diálogo a vampira master Lady Gaga conta toda sua história e tudo o que envolve ser uma vampira. Não que eu ache que deveriam prolongar ou mistificar essa parte demais, mas como foi apresentado, corrido e sem nenhum cuidado não funcionou. Parece que ser vampiro é a coisa mais comum e que qualquer um aceitaria de boa.

Outro ponto negativo é essa pressão e empatia forçada que o roteiro quer que o espectador tenha com a Lady Gaga. Toda vez que ela vai entrar em cena tem uma trilha sonora que evidencia sua presença, e todas as câmeras giram entorno dela e todos os personagens ficam fascinados com a sua presença, como se aquelas roupas já não fossem suficientes. Não sei se é por causa do script, ou dos motivos de sua personagem e traços da sua personalidade, mas Lady Gaga fala todo o seu texto sem a menor emoção. Ela pode estar transando, cortando uma garganta ou vendo um desfile de moda e simplesmente ela vai estar com a mesma cara, estática e sem resquícios de humanidade. Espero que isso seja a proposta da protagonista e não uma falha de atuação em si.

Do outro lado temos o desenvolvimento policial da série, que fica distante da parte vampiresca mas que é conectada por pequenas pontas soltas. Apesar de achar que foi o melhor do episódio, ainda existem falhas que incomodam. AHS sempre nos mostrou personagens miseráveis e infelizes, em todas as suas quatro temporadas e isso é compreensível por causa da proposta da série, mas sinceramente esse universo obscuro se não bem moldado e explicado apenas serve para mostrar o imundice humana, não se sustentando necessariamente na história. Se os roteiristas não tiverem o devido cuidado, tudo não passará de parecer um vídeo clipe alucinado.

Evan Peters volta para nossos corações com mais um personagem psicótico (Saudade Tate) e mostra todo o poder de sua atuação. Sua história com o hotel e suas justificativas já foram introduzidas e parece ter ligamento com os crimes que o policial John Lowe está investigando. Nada ficou muito claro, até porque estamos recém no início da temporada, mas gostei do rumo que esta história está tomando. Apesar de colocarem novamente aquele tema de acredito ou não em fantasmas, que já deu o que tinha que dar, se conseguirem inovar e afastar aquela realidade do que já vimos antes, tudo pode dar certo.

Em sua segunda semana AHS apresenta uma história e narrativa muito mais interessante do que em sua premiere. Tudo começa a tomar forma e os personagens já vão montando suas características. Divido em duas partes, o episódio consegue se manter muito melhor em sua segunda metade baseado em flashbacks e descrença do além, levantando questões importantes sobre religião, que são sempre relevantes e conseguem sempre se manter interessantes. Torcemos que algumas tramas sejam melhor trabalhadas e explicadas enquanto outras se seguirem pelo caminho que já estão, podem ser muito satisfatórias. Minha dica continua a mesma, não se hospede no quarto 64 e não tente tirar uma foto do seu irmão vampiro.
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